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quarta-feira, 2 de abril de 2025

A verdadeira sede do DOPS_SANTOS


Artigo publicado no jornal santista A Tribuna, na
 coluna Tribuna Livre, em 31 de março de 1964.


Tropas do Exército rumaram de Juiz de Fora (MG) ao Rio de Janeiro, no dia 31 de março de 1964, para destituir o presidente da República, João Goulart. Em Santos, o golpe se concretizou em 1.º de abril, Dia da Mentira. Para que não nos esqueçamos e ninguém altere a História e desrespeite a memória dos que lutaram e resistiram em nossa cidade, escrevi e publiquei o artigo "A Verdadeira Sede do DOPS-Santos" no jornal santista A Tribuna, onde trabalhei por 23 anos, como repórter, subeditora e editora do primeiro caderno. Reproduzo a imagem da publicação e a transcrição do texto, para que todos os interessados possam ler. Boa leitura.

A VERDADEIRA SEDE DO DOPS-SANTOS

Lidia Maria de Melo, jornalista, escritora, professora e advogada.

O Dia da Mentira costumava ser marcado por sustos e risos. A intensidade da diversão dependia de quem soubesse inventar uma história melhor que a outra. Sem importar a idade, 1º de abril sempre foi uma data para se brincar.
Em 1964, a brincadeira acabou. De manhã, forças civis e militares, bem armadas, devassaram sindicatos ligados ao Porto de Santos. Dirigentes, associados e funcionários foram presos no Palácio da Polícia, na Rua São Francisco, junto com políticos, profissionais liberais e lavradores.
No prédio, funcionava a Cadeia Pública, a Delegacia Auxiliar da 7ª Região e a 4ª Delegacia de Ordem Política e Social, cuja sigla, DOPS, era usada no feminino e no masculino, por ser igual à do Departamento Estadual de Ordem Política e Social, identificado, em outro período, também como DEOPS.
As entidades classistas ficaram nas mãos de interventores nomeados pelo capitão dos Portos, Júlio de Sá Bierrenbach, por indicação da Companhia Docas de Santos.
A sequência dessa História já é pública: inquéritos, demissões, processos, desemprego, prisão no navio Raul Soares, torturas, doenças, mortes.
Acompanhei tudo de perto. Meu pai era diretor do Sindicato dos Operários Portuários (atual Sintraport), foi preso no DOPS e no navio-presídio, que conheci por dentro. Eu tinha 6 anos e fazia o 1.º ano do Curso Primário na escola do sindicato.
Essa História me segue pela vida. Publiquei o livro Raul Soares, Um Navio Tatuado em Nós e tenho outro na fila de edição. Fiz reportagens, palestras, dei entrevistas e testemunhei na Comissão Nacional da Verdade e na Municipal. Ouvi sindicalistas daquela geração repetir que ficaram presos no DOPS. Não havia dúvida sobre a localização.
Em 2024, surgiu a versão de que o antigo DOPS havia funcionado no ex-prédio da Ciretran, na Av. Conselheiro Nébias. Não questiono o fato de que, naquela delegacia, tenha havido tortura, mas isso não torna o local a sede do DOPS-Santos.
Apesar dos métodos escusos, o DOPS não era clandestino e funcionou no Palácio da Polícia até 1983. Em 2010, milhares de prontuários de investigados e presos foram localizados numa sala e entregues ao Arquivo Público do Estado de São Paulo.
Sobre a requisição do antigo imóvel da Ciretran, para fazer dele um lugar de memória, não sou contra. Porém, provas das alegações devem ser expostas, assim como se cobrou dos que foram à Justiça e à Comissão de Anistia reivindicar seus direitos.
Neste 1.º de abril de 2025, é preciso lembrar que, se queremos preservar a Memória e garantir a Justiça, para contar a História de luta e resistência de Santos, devemos priorizar a Verdade.



sábado, 14 de setembro de 2024

O golpe de 1964 e a invasão de sindicatos do Porto de Santos, em minha entrevista na Band Litoral


Para assistir, clique aqui.

Os 60 anos do golpe militar e a perseguição aos trabalhadores do Porto, organizados em sindicatos. Esse foi o tema de mais uma entrevista que concedi este ano e foi ao ar em 14 de setembro de 2024 no programa Porto e Baixada, veiculado pela Thathy TV - Band Litoral e também no canal da emissora no Youtube. Trato desse assunto no meu próximo livro sobre a ditadura no Porto de Santos. Para assistir e conhecer um pouco mais sobre esse tema histórico e tão importante, clique no link: https://youtu.be/UfUw_Wd8DyY.  

A equipe que me entrevistou foi a Naihara Carvalho - Naih Oliveira Carvalho (produção), Rafael Roncarati (cinegrafista) e Gabriel Ursini (produção e operação de drone). No roteiro e edição final, André Rittes; edição, Renan Sposito; apresentação, Felipe Folli; e direção, Ari Brito.

Obrigada a todos pela veiculação de um assunto tão importante para a História do Brasil, de Santos, do Porto, dos Trabalhadores Portuários e de outras áreas e do Sindicalismo Santista e Brasileiro.

Para assistir, clique  no link:     https://youtu.be/UfUw_Wd8DyY ,

#DitaduraNuncaMais #sindicalismo #Santos #PortoDeSantos #trabalhadores #companhiadocas

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Povo que lutou por democracia ocupa Brasília na posse de Lula e entrega a faixa presidencial

 Lídia Maria de Melo

O Brasil está de volta à civilidade.
2022 foi-se embora. Levou nas costas a fama de ano louco.
Agora, o calendário virou a página. Ontem, dia 1º de janeiro de 2023, já foi outro dia, com a posse de Luiz Inácio Lula da Silva em seu terceiro mandato.
O Planeta Terra voltou a ser redondo, graças à resistência das pessoas que não se curvaram à panaceia dos últimos quatro anos.
2023 chegou e precisamos de coragem para recomeçar e recuperar  o Brasil. De mãos dadas somos mais fortes.
O slogan do novo Governo Federal, neste terceiro mandato de Lula, representa bem esse pensamento: "Brasil - União e Reconstrução".
A multidão que foi aclamar Lula ontem em Brasília também dá a medida correta dessa filosofia.
Os que ali estavam não eram fanáticos, mas pessoas que lutaram pelo restabelecimento da democracia no País.
Havia um clima de felicidade no ar e, quando os repórteres entrevistavam os que se aglomeravam na Praça dos Três Poderes, esperando que Lula subisse a rampa do Palácio do Planalto, cada um sabia dizer com muita clareza e propriedade o motivo pelo qual decidiu participar da posse.


Povo ocupa a Praça dos Três Poderes
Foto de Warley Andrade/Agência Brasil - EBC

Entre os presentes, havia muitos professores. Alguns, da cidade de Santos. Por eles, eu me senti representada.
Quem transmitiu a faixa governamental ao novo presidente foram pessoas do povo. Isso só foi possível, porque o presidente anterior recusou-se a participar da solenidade de transmissão do cargo, escapando pela porta dos fundos.
Na verdade, ainda bem que ele se omitiu, porque abriu espaço para que os organizadores da solenidade tornassem o povo protagonista desse momento importante.

Já com a faixa presidencial, 
Lula e os representantes do povo
acena para a multidão
Foto de Tânia Rego/Agência Brasil - EBC

A faixa presidencial acabou sendo entregue a Lula por:
Francisco Carlos do Nascimento, um menino de 10 anos, filho de uma assistente social e de um advogado, morador de Itaquera, em São Paulo, corintiano e nadador que ganhou o primeiro lugar no campeonato da Federação Aquática Paulista em 2022. 
Aline Souza, catadora de material reciclável, mãe de sete filhos e presidente da Rede Centcoop -DF, que reúne catadores do país. Foi ela que colocou a faixa presidencial em Lula, após passar pelas mãos dos demais.
Cacique Raoni Metuktire, líder indígena da aldeia Kraimopry-yaka, de 93 anos, conhecido mundialmente, por sua luta em favor da Amazônia e dos povos da floresta.  Amigo do cantor inglês Sting, é da etnia caiapó e habita a região do Rio Xingu.
Weslley Viesba Rodrigues Rocha,  metalúrgico de 36 anos, que trabalha no ABC paulista e é formado em Educação Física, com benefício do Fies (Programa de Financiamento Estudantil). Atua tabém como DJ no grupo de rap Falange.
Murilo Quadros de Jesus, professor universitário, formado em Letras pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná.
Jucimara Fausto dos Santos, cozinheira que mora em Maringá, no Paraná.
Ivan Baron, ativista potiguar em defesa da inclusão e engajado na luta anticapacitista. Aos 3 anos de idade teve meningite viral, o que lhe causou paralisia cerebral.
Flávio Pereira, artesão paranaense que esteve presente durante 580 dias de vigília, enqaunto Lula foi mantido preso em Curitiba (PR).


A catadora Aline Souza coloca a faixa presidencial
no presidente Lula.
Foto de Tomaz Silva/Agência Brasil - EBC


O nadador Francisco Carlos, de 10 anos,
foi um dos escolhidos para 
entregar a faixa a Lula.
Foto de Tomaz Silva/Agência Brasil - EBC

Lula e o cacique Raoni, da etnia caiapó,
que tem 93 anos, habita a região do Rio Xingu
e é conhecido internacionalmente por
sua luta em favor da Amazônia e
dos povos das florestas. 
Foto de Tânia Rego/Agência Brasil - EBC


Santos homenageia Pelé em queima de fogos nas praias, à luz da Lua, na chegada de 2023

Lídia Maria de Melo


Na noite do Revéillon, a cidade de Santos homenageou o Rei Pelé, pouco antes da queima de fogos iniciada à meia-noite do dia 31 de dezembro de 2022, abrindo o ano de 2023. A duração foi de 14 minutos.
Já a homenagem ao Rei do Futebol e Atleta do Século XX, que faleceu erm 29 de dezembro de 2022, foi realizada na Praia do Gonzaga, por uma equipe da Prefeitura de Santos, que utilizou 80 drones. 
Como o vídeo mostra, em fotos, houve uma animação no céu, sob a luz do luar.  Milhares de pessoas acompanharam da areia das praias. 
Primeiramente, apareceram pontos de luz formando três corações, numa referência à cidade mineira onde, em 23 de outubro de 1940, nasceu Edson Arantes do Nascimento, filho de Celeste Arantes do Nascimento (nascida em 20 de novembro de 1922) e  Antônio Ramos do Nascimento (o jogador Dondinho, nascido em 2 de doutubro de 1917 e falecido em 16 de novembro de 1996).
Na sequência da homenagem, os drones projetaram no céu de Santos o distintivo do Santos Futebol Clube, time da Vila Belmiro, ode Pelé jogou de 1956 a 1974. 
Depois, aparecem dois garotos jogando bola. Um deles é Pelé, que chuta três bolas, mantidas iluminadas. 
Na próxima imagem, uma das pernas do menino transforma-se no número 1, que, ao lado das três bolas, ajuda a formar a imagem de 1000, simbolizando os mil gols completados por Pelé em 19 de novembro de 1969, no Estádio Mário Fuilho, o famoso Maracanã, em uma partida entre o Santos e Vasco, válida pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa. 
O gol de número 1.000 Pelé dedicou às crianças brasileiras. 
O goleiro do Vasco, que não conseguiu evitar o milésimo gol, foi o argentino Edgardo Andrada, falecido aos 80 anos, em 3 de setembro de 2019, e que, segundo a revista IstoÉ, mais tarde, atuou como agente da ditadura da Argentina (1976-1983).
A próxima projeção da homenagem é Pelé beijando uma taça, seguida pela comemoração tradicional dele, saltando e dando o conhecido soco no ar. 
Em seguida, surge a assinatura de Pelé. 
A última imagem mostra a assinatura ao lado de um coração. 
A multidão, então, ovaciona o ídolo que se consagrou como um dos maiores esportistas do mundo. 
Só então, começa a queima de fogos, marcando a entrada de 2023.
O Atleta do Século XX faleceu em 29 de dezembro de 2022, no Hospital Albert Einstein, na cidade de São Paulo, começou a ser velado no gramado do Estádio Urbano Caldeira, sede do Santos Futebol Clube, na Vila Belmiro, na cidade de Santos, às 10 horas de 2 de janeiro de 2023. 
Às 10 horas de 3 da janeiro de 2023, o caixão de Pelé será transportado em caminhão do Corpo de Bombeiros plas ruas de Santos, para que possa passar em frente à casa de dona Celeste, no Canal 6, no bairro da Ponta da Praia.
O sepultamento do atleta, que também jogou no Cosmos, de Nova York, marcou 1.282 gols na carreira e foi tricampeão em Copas do Mundo, será realizado no Memorial Necrópole Ecumênica. 
Em 5 de fevereiro de 2004, tive a oportunidade de entrevistar Pelé, para um livro que estava escrevendo (Rosinha Viegas, A Garra de Uma Leoa). A entrevista foi realizada em uma sala da sede antiga da TV Tribuna, então localizada na cidade de São Vicente, na Rua Antônio Emmerich. 
Na emissora, ele estava gravando um comercial, junto com seu barbeiro, Didi. 
Além da entrevista, eu o fotografei. Ele concedeu autógrafo em uma camiseta do Santos, de número 10, para meu sobrinho. Também fez uma foto comigo, com a mão em meu ombro, muito sorridente. O fotógrafo que registrou esse momento foi o uruguaio Walter Cabrera. 


Fotografei a assinatura de Pelé
em uma placa da empresa dele
exposta na Rua Bittencourt, em Santos.


Imagem de Pelé, exposta no Memorial das Conquistas,
na sede do Estádio Urbano Caldeira, na Vila Belmiro, sede
do Santos Futebol Clube, time onde Pelé jogou
de 1956 a 1974.

Eu e Pelé em 5 de fevereiro de 2003
na antiga sede da TV Tribuna
em São Vicente.
Nesse dia eu o entrevistei e fotografei.

 
Leia mais em: 

                         Pelé, 80 anos 
                         

                         De placa, mas não é gol.

domingo, 9 de outubro de 2022

A novela chegou ao fim, mas o Pantanal, que conheci em 1994, não sai de dentro de mim

 A novela acabou, mas o #Pantanal continua no Centro_Oeste do Brasil, com toda sua diversidade, precisando de proteção. Um lugar raro, que encanta a todos que tiveram ou têm o privilégio de tocar seu solo, de sentir suas águas, conviver com a variedade de animais de asas, nadadeiras, quatro patas, ou rastejantes que lá habitam, ou passam na arribação. Há 28 anos, estive no Pantanal. E ele nunca mais saiu de mim. Fiz reportagem para o jornal A Tribuna, de Santos, onde eu trabalhei como repórter, subeditora e editora, durante 23 anos, de 1988 a 2011. Mais abaixo, deixo o link da minha postagem de 2019, aqui no blog, para você ver os recortes do jornal e muitas fotos que fiz durante a viagem. Acesse, depois destas fotos a seguir.

(1) Celestino Prudêncio da Silva, ex-onceiro, que passou a se dedicar à proteção de #onças;


(2) Um casal de tuiuiu, ave-símbolo do Pantanal, que tatuei em meu pulso com jenipapo (pena que só durou sete dias);


(3) Boiada atravessando o alagado do Pantanal, como na novela de #BeneditoRuyBarbosa, apresentada em 1990 na TV Manchete e reproduzida em 2022 na versão de #BrunoLuperi pela #RedeGlobo;


(4) Jacarés que alimentei na beira do Rio Miranda;


(5) Eu, à beira de uma lagoa, tomando #tereré, bebida inspirada no chimarrão gaúcho, só que feita com erva-mate e água fria.


Link da postagem de 2019, neste blog, que inclui reportagem que fiz no #Pantanal e publiquei no jornal A Tribuna (Santos-SP), além de muitas fotografias. Clique:

sábado, 26 de março de 2022

Aproveite a reapresentação da novela e reveja a reportagem que fiz no Pantanal em 1994

 


Fotos e textos: Lídia Maria de Melo
Agora que a Rede Globo inicia a reapresentação da novela Pantanal, exibida em 1990 pela TV Manchete, atualmente extinta, relembro a reportagem que realizei no pantanal sul-mato-grossense em 1994, par ao jornal A Tribuna, de Santos.  
Já abordei esse tema em postagem neste blog  no dia 21 de setembro de 2019. 
Reproduzi as páginas do jornal, que, para ler, precisam ser baixadas no computador ou no celular.  
Também postei várias fotos. 
Para acessar, clique no link: https://lidiamariademelo.blogspot.com/2019/09/fogo-consome-80-do-refugio-ecologico.html

#Pantanal
#Reportagem
#meioambiente
#novela

sábado, 11 de setembro de 2021

11 de setembro de 2001. Onde estávamos naquele dia?

Lídia Maria de Melo

As imagens estão soterradas sob 20 anos, mas nunca nos esqueceremos daquele dia.
Meu relato sobre 11 de setembro de 2001 está registrado neste link. Clique:
https://lidiamariademelo.blogspot.com/2011/09/ataques-de-11-de-setembro-de-2001-onde.html



domingo, 16 de maio de 2021

Morte de Bruno Covas me faz lembrar da cobertura jornalística do falecimento de Mário Covas em 2001

Caderno Especial do jornal
A Tribuna,  de Santos, em
 6 de março de 2001
.
            
Foto de Adalberto Marques de
8 de outubro de 1994
mostra Bruno Covas, aos 14 anos (de boné),
ao lado da avó, dona Lila,
do avô, Mário Covas,
do irmão, Gustavo,
e da mãe, Renata Covas Lopes.


Texto de Lídia Maria de Melo
  Fotos Reprodução

      Com a morte precoce de Bruno Covas, prefeito de São Paulo, não há como não lembrar de Mário Covas, seu avô.
Covas, o Mário, era governador do Estado quando faleceu em 6 de março de 2001, também por câncer.
Eu e colegas jornalistas que trabalhávamos no jornal A Tribuna acompanhamos o período de internação do então governador no Instituto do Coração (InCor), em São Paulo. Como editora, ajudei a coordenar uma equipe de repórteres que se revezavam no plantão diante do InCor.
Também participei da elaboração do caderno especial que foi publicado no dia 6 de março de 2001, em paralelo à edição normal do dia. Mário Covas faleceu de manhã bem cedo, às 5h30. Então, o caderno especial, que já estava editado, foi rodado na gráfica.
Quando chegou às bancas, esgotou. A população passou a ligar para o jornal na tentativa de obter um exemplar que, por sinal, trazia uma foto em que Bruno Covas aparece, aos 14 anos, junto com o avô, Mário Covas, a avó, dona Lila, a mãe, Renata Covas Lopes, e o irmão, Gustavo Covas Lopes.

Eu, Lídia Maria de Melo,  editora de Local do jornal,
A Tribuna, com a então editora-chefe Miriam
Guedes de Azevedo, no sepultamento de
Mário Covas, no Cemitério do Paquetá, em Santos, 
em 7 de março de 2001.
 

Expediente do jornal A Tribuna lista
os nomes dos jornalistas que
fizeram a cobertura dos fatos que
envolveram a morte de Mário Covas
.

O sepultamento ocorreu no dia seguinte, 7 de março, e contou com a presença de políticos de todo o Pais, inclusive do então presidente da República Fernando Henrique Cardoso (FHC), na companhia de dona Ruth Cardoso, que era antropóloga.
Em frente à Catedral de Santos, foi realizada uma salva de tiros. Emocionante!
A população se aglomerava para acompanhar. Chegar ao Cemitério do Paquetá, exigiu um esforço.
Acompanhei o sepultamento, ao lado da então editora-chefe do jornal, Miriam Guedes de Azevedo.
Toda a cobertura foi publicada no jornal do dia 8 de março de 2001, cujo expediente traz os nomes dos jornalistas que fizeram a cobertura e trabalharam naquela edição.
No dia 7, data do enterro, tive dificuldades para chegar da Ponta da Praia até o Centro de Santos, indo pelo Porto.
Isso porque parte do trajeto portuário estava interditado, para que o helicóptero que levaria o presidente FHC e dona Ruth pudesse pousar na direção da Rua João Pessoa.
Fui vencendo as barreiras policiais, mostrando minha credencial d´A Tribuna. Assim, consegui chegar ao jornal naquele dia. Hoje, lamento profundamente a morte precoce de Bruno Covas.


Edição de 8 de março de 2001 do jornal
A Tribuna, de Santos.



sábado, 1 de maio de 2021

O dia em que Ayrton Senna morreu

 

Reprodução do Correio Braziliense
 23/01/1990

Onde você estava quando Ayrton Senna morreu?
Impossível esquecer o que ocorreu naquele fatídico dia 1º de maio de 1994. 
De repente, o mundo silenciou. Eu estava de plantão no jornal naquele dia. Ia entrar por volta das 15 horas. Saí de casa e percebi que as ruas estavam desertas. Havia um luto no ar. Ninguém falava. Quem ainda dirigia não buzinava. Na Redação do jornal, o clima não era diferente. Jornalistas gostam de notícias e se enchem de adrenalina quando um fato mais sério rompe a rotina naturalmente agitada. Mas aquela notícia ninguém queria dar. O silêncio enlutado predominava também no jornal A Tribuna, de Santos.
Quando fez  15 anos da morte desse ídolo da Fórmula 1, que conquistou o mundo inteiro, escrevi um texto sobre as memórias daquele fato. 
Republiquei em 2010, quando se anunciava a estreia do documentário Senna.
Hoje, 27 anos depois, retorno àquele texto, pois a história é a mesma e as lembranças não mudaram.
Quer ler a postagem original? Basta clicar no link:
 https://lidiamariademelo.blogspot.com/2010/11/ayrton-senna-o-eterno-idolo-da-formula.html
Se não der, eu republico abaixo:

                               15 Anos da Morte de Ayrton Senna

1º de maio de 1994 foi um dia triste. Amanheceu como tantos outros domingos, com transmissão da corrida de Fórmula 1 pela Rede Globo de Televisão, sob a narração de Galvão Bueno. O dia anterior havia sido um sábado de treino preocupante no GP de San Marino, em Imola, na Itália. O austríaco Roland Ratzenberger, de 34 anos, morrera na Curva Villeneuve. Rubens Barrichello já havia sofrido um acidente sério na sexta-feira, mas escapara ileso. O brasileiro Ayrton Senna, o ídolo mundial da Fórmula 1, visitara Barrichello e fora ver de perto a curva que provocara a morte do austríaco. Dera entrevistas, falara sobre a segurança, chegara a pensar em não correr, mas no domingo estava lá em sua Williams/Renault.
Quando acordei naquela manhã, liguei a TV. Senna era favorito. Aumentei o volume da televisão e abri levemente a porta do quarto de minha irmã, para que ela acordasse com o barulho e fosse acompanhar na sala a competição. Mas uma coisa me chamou a atenção, Galvão Bueno narrava a corrida sem mencionar o nome de Senna. Achei estranho e pensei: ''será que ele parou?'' Mas no dia anterior já havia tido uma morte e a corrida estava envolta em preocupação. Não demorou muito para minha irmã chegar à sala e perguntar: ''Cadê o Senna?''.
De repente, Galvão Bueno voltou a falar nele. Foi aí que soubemos do acidente que já havia acontecido na Curva Tamburello. As imagens mostravam que o carro daquele que era considerado um dos maiores ídolos da Fórmula 1 não curvara para a esquerda, seguira reto e batera direto a mais de 300 Km/hora no muro de concreto. A coluna de direção havia partido. Ele tirou o pé do acelerador, pisou no freio, mas não houve jeito de evitar o choque, que jogou seu carro de volta para trás e provocou um tranco em seu cérebro. As imagens da Globo mostraram quando seu corpo tremera no carro já parado. Parecia que ali ele dava os suspiros finais. Galvão Bueno não escondia a preocupação e o mundo parou para acompanhar o que se passava no Hospital Maggiore, em Bolonha, para onde o piloto de 34 anos fora levado.
Foram horas de apreensão até que às 13h40, o repórter Roberto Cabrini entrou ao vivo para anunciar, com a voz embargada, que Ayrton Senna da Silva acabara de morrer. De repente, o mundo silenciou. Eu estava de plantão no jornal naquele dia. Ia entrar por volta das 15 horas. Saí de casa e percebi que as ruas estavam desertas. Havia um luto no ar. Ninguém falava. Quem ainda dirigia não buzinava. Na Redação do jornal, o clima não era diferente. Jornalistas gostam de notícias e se enchem de adrenalina quando um fato mais sério rompe a rotina naturalmente agitada. Mas aquela notícia ninguém queria dar. O silêncio enlutado predominava também no jornal A Tribuna, de Santos.
O resto da história todo mundo acompanhou pelos jornais, televisão e rádio. Não era ainda a época da internet, mas Senna globalizava a competição. Depois de sua morte, muita gente, como eu, deixou de assistir às corridas, porque a F1 perdeu a graça.
Uma imagem de que sempre me lembro quando falo nisso é do francês Alain Prost, o maior rival de Senna nas pistas, segurando uma das alças do caixão, em São Paulo. De Ayrton Senna, restaram inúmeras imagens e lembranças nas pistas, principalmente quando ele venceu em Interlagos e chegou gritando e agitando a bandeira do Brasil, quando, acabada a corrida, ele explicava com simplicidade o que acontecera com o motor, em tal curva, com determinada marcha... Era competente na direção e com as palavras. Tinha carisma e talento. Era um campeão.
Até hoje, ainda é difícil acreditar que que ele não existe mais a não ser nas lembranças, nas memórias e na história da Fórmula 1.

#ondevoceestavaquandoayrtonsennamorreu
#ayrtonsenna

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Jornal A Tribuna publica nota a respeito de meu próximo livro sobre ditadura militar

Na sexta-feira, dia 9, a jornalista Cristina Guedes, em sua coluna do jornal A Tribuna, de Santos, deu uma nota sobre meu novo livro, a respeito da ditadura militar, que devo lançar em dois ou três meses.
Cristina me pôs em excelente companhia. Ninguém menos que mister Paul McCartney com sua Let it be (Deixe estar).
Ela também mencionou meu livro "Raul Soares, Um Navio Tatuado em Nós", que enfoca o navio que serviu de presídio político no Porto de Santos em 1964, após o golpe militar.
Meu pai foi um dos sindicalistas presos na embarcação.
Algumas pessoas têm me perguntado sobre esse livro.
Eu respondo: a edição está esgotada, mas ainda pode ser adquirido em sebos virtuais. Até mesmo na Amazon.
No dia 22, participarei de uma live que lembra a chegada do navio-presídio ao Porto de Santos em 1964.
Quando estiver mais perto do lançamento do meu novo livro, darei spoilers sobre ele.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Resgatei reportagens dos anos 1970 e 1980 para abordar os objetivos de desenvolvimento sustentável

Lídia Maria de Melo

O movimento popular dos anos 1980 em Atibaia, para preservar a Pedra Grande; a mobilização liderada pelo ecologista Ernesto Zwarg, contra a instalação de usinas nucleares em Peruíbe; a poluição de Cubatão e o replantio da Serra do Mar, para que não desabasse; e os lixões químicos da Rhodia, na Baixada Santista.
Esses episódios, ocorridos em cidades do Estado de São Paulo nos anos 1970 e 1980, contaram com o engajamento da imprensa nacional e regional. Relembrei e pesquisei séries de reportagens sobre esses fatos para escrever o artigo "O Papel do Jornalismo na Efetivação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável", que publiquei da página 816 à 833 do e-book "Direitos Humanos e Vulnerabilidade e a Agenda 2030", desenvolvido pelo Grupo de Pesquisas Direitos Humanos e Vulnerabilidades da UniSantos, do qual faço parte.


Jornal da Tarde  de 1.3.1985,
capa de Rodrigo Mesquita
A Tribuna (Santos) de 18.12.1984
Reportagem de Manuel Alves Fernandes
e Lane Valiengo

























A pesquisa levou-me ao resgate das reportagens sobre meio ambiente e poluição elaboradas pelos colegas jornalistas Manuel Alves Fernandes, o saudoso Maneco, Lane Valiengo, querido professor e colega, e Leda Mendes Mondin, eficientíssima e parceira desde os tempos de colégio. Os três, com quem trabalhei no jornal A Tribuna, de Santos, conquistaram o Prêmio Esso de Jornalismo, Região Sudeste/1985.
Gosto de resgatar histórias e experiências. Com elas, reafirmo que o mundo não começou quando a gente nasceu. Antes de nós, outros abriram caminho. Organizado pelos pesquisadores Liliana Lyra Jubilut, Rachel de Oliveira Lopes, Gabriela Soldano Garcez, Ananda Pórpora Fernandes e João Carlos Jarochinscki Silva, e-book "Direitos Humanos e Vulnerabilidade e a Agenda 2030" foi publicado pela Editora da Universidade Federal de Roraima. Pode ser baixado gratuitamente no link https://ufrr.br/editora/index.php/ebook-novo. Repetindo, meu artigo pode ser lido da página 816 às 833. O projeto do livro digital teve como tema os objetivos e princípios da Carta das Nações Unidas elaborada pelos Estados-membros da ONU durante a Cúpula do Milênio no ano de 2000. O documento sintetizou acordos internacionais assinados na década de 1990, com o intuito de formular o novo pacto global denominado Declaração do Milênio, que contém os 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM).






domingo, 30 de agosto de 2020

Vivos, como Sherazade

LÍDIA MARIA DE MELO              

Artigo foi publicado no jornal  A Tribuna, de Santos, em  30 de agosto de 2020, na página Marcas da Pandemia.
Artigo foi publicado no jornal 
A Tribuna, de Santos, em
 30 de agosto de 2020,

na página Marcas da Pandemia.

Somos mortais. Uma espécie de marca d’água biológica atesta nossa finitude. Ainda assim, encaramos a morte como uma abstração. Algo para o futuro, que é sempre um tempo distante. A morte presente e concreta é a dos outros. Esse mecanismo de defesa deve ter sido o jeito que a natureza encontrou para nos livrar de uma eterna angústia.
       Então, surge a covid-19. De supetão, a nova doença reafirma a verdade absoluta: somos realmente efêmeros! O fim pode ser daqui a pouco. E o inimigo não usa foice, nem capuz. Sequer expõe sua face. Tampouco lembra o macabro corvo do poema de Edgar Allan Poe, que repete insistente: nunca mais! É um ser mil vezes mais fino que um fio de cabelo. Um vírus que zomba dos limites de nossos olhos. Pode estar em qualquer lugar e nos tomar de assalto, como numa brincadeira de esconde-esconde.
       É claro que há pessoas que desdenham, não se importam, ignoram as normas de segurança, são imunes à dor alheia. Essas não têm empatia, palavra um tanto batida, mas que nomeia uma
habilidade ausente em egoístas e sociopatas. 
       A Organização Mundial da Saúde decretou a pandemia em 11 de março deste estranho 2020, ano em que o mundo se tornou, de fato, a aldeia global prevista por McLuhan e testemunhou descobertas linguísticas curiosas. Quarentena, por exemplo, designa um período que pode durar 14 dias, seis meses ou alguns anos. O produto eficaz para esterilizar as mãos, além de água e sabão, pode ser álcool gel ou álcool em gel. Tanto faz. Ainda não há regra exata. Importante é ser 70%.
       Em 13 de março, dei aula presencial na universidade. No dia seguinte, fomos informados de que migraríamos para mediação digital. Rapidamente, superamos os desafios, com vídeos, podcasts, e-books, conversas pelo celular e computador. Virei professora remota. Até uma revista, eu e meus alunos produzimos e editamos à distância nas aulas de Jornalismo. Os benefícios da tecnologia se inseriram na maioria das áreas.

Marcas da Pandemia, 
de A Tribuna, publica
artigos de autores convidados
.

           Tornei-me assídua fotógrafa da Lua e do pôr do Sol, além de atenta observadora do mar e do crescimento das orquídeas cultivadas por minha mãe no terraço do apartamento. Estamos juntas em reclusão, mas temos saudade dos membros da família apartados de nós. Diariamente, sem eles, saboreamos, com remorsos, a comida que ela faz. Se ela imaginasse que o distanciamento seria tão longo, teria proposto que ficássemos um a um sob suas asas.

       Permanecer em casa não é um problema, principalmente, para quem, como nós, sempre passou muitas horas fora dela, devido ao trabalho. Agora, o trabalho ocupa um considerável espaço em nosso lar. Problema é perder a liberdade, por imposição de um vírus. É viver com medo. Por nós e por quem amamos.
       As notícias sobre as milhares de mortes me fazem sofrer. As chamas na Amazônia e no Pantanal machucam o pedaço tupi-guarani de meu DNA. A boiada que pisoteia as leis de proteção ambiental e de reservas indígenas agride minha alma.
       Cuido do corpo e da mente, mas não consigo tocar violão, nem cantar. Até compus uma nova canção, mas só a Literatura, que leio e escrevo, consegue me socorrer. 
       Rezo todos os dias. Peço pelos meus, por mim, pelos cientistas. A ciência é nossa única tábua de salvação. Somos efêmeros, finitos, mortais, mas ainda é cedo para morrer. Meu sonho de consumo é a vacina. Até que ela chegue, sigo a receita: máscara, água e sabão, álcool em gel e isolamento. Por ora, como Sherazade, diante das ameaças do sultão Shariar, n’As Mil e Uma Noites, só precisamos nos manter vivos. 

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(Artigo publicado originalmente no jornal A Tribuna, na edição de 30 de agosto de 2020, na página Marcas da Pandemia) 

terça-feira, 21 de julho de 2020

Há 36 anos, entrevistei Adélia Prado em sua casa, em Divinópolis, e ela autografou um livro para mim

Há 36 anos, Adélia Prado autografou para mim
o livro Os Componentes da Banda.
Lídia Maria de Melo

No capítulo de ontem da novela Fina Estampa, a professora Letícia, interpretada pela atriz Tania Khalill, leu para seus alunos o poema "Casamento".
Quando ouvi as primeiras palavras, logo reconheci os versos de Adélia Prado, publicados originariamente em seu livro "Terra de Santa Cruz" (1981). (Leia o poema no final da postagem).
Hoje, decidi folhear de novo seus livros.
Quando abri "Os Componentes da Banda" (1984), me surpreendi ao rever a dedicatória que Adélia Prado me fez quando a entrevistei em sua casa em Divinópolis (MG). A data registrada por ela é 21 de julho de 1984.
Ou seja, hoje faz exatamente 36 anos.
Seria coincidência?
Dizem que ela não existe. Não sei.
Quando entrevistei Adélia, eu estava no terceiro ano do curso de Jornalismo.
O tempo corre ligeiro demais.
A coincidência talvez seja um recado da vida.
Já passou da hora de publicar todos os livros que escrevi e ainda mantenho inéditos.
Leia a matéria que publiquei sobre Adélia Prado no jornal A Tribuna, de Santos, em 3 de novembro de 1990. Clique aqui.
A dedicatória data de 21 de julho de 1984. 




















Entrevista com Adélia Prado e análise de sua obra estão
em reportagem que publiquei no jornal A Tribuna
em 3 de novembro de 1990.






















Casamento
                   (Adélia Prado)

Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como ‘este foi difícil’
‘prateou no ar dando rabanadas’
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.