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quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Tecnologia digital revolucionou o mundo em poucos anos, mas não conseguiu desacelerar preconceitos


Texto: Lídia Maria de Melo
Fotos: Pixabay - Free license

Só para lembrar. 
O boom da internet no Brasil só ocorreu em 1996. Eu comprei meu primeiro computador com internet em 1997. A maioria dos jornalistas que trabalhavam no jornal A Tribuna, também. 
Mesmo assim, a conexão era discada. Precisava de um telefone. 
Em 1994, fiz uma reportagem para a revista Nova Escola e precisei explicar o que era internet, inclusive que eram necessárias, para a conexão, uma placa de modem e uma linha telefônica. 
Logo depois, a Folha de S. Paulo fez matéria de página dupla sobre a internet. 
A banda larga só surgiu depois do ano 2000. 
Defendi dissertação de Mestrado na USP em abril de 2001. Até então, não havia conteúdo na internet. Nada, ou quase nada, que fosse possível pesquisar com credibilidade. 
O Google só foi fundado em setembro de 1998. Imagine! 
Rede social era sala de bate papo do Uol ou do Terra, além do ICQ. 
O primeiro celular no Brasil chegou em 1990, mas era artigo de luxo. Caríssimo. E, até 20 anos atrás, só era possível fazer ligação. 
Meu primeiro celular, eu comprei, após pegar uma fila quilométrica, em 1998 ou 1999. 
Celular com touch screen só surgiu em 2007. 
O Windows só foi introduzido em celulares em 2012. Pouco antes, o sistema era apenas Android. 
Smartphone é bebê ainda.
Os blogs, inicialmente, eram diários de adolescentes.
Criei o meu primeiro em 2006, ano em que escrevi uma crônica e um comentário para o Blog do Noblat, que já tinha cunho jornalístico. Na crônica, falei sobre um coral de bem-te-vis. No comentário, opinei sobre a cabeçada do Zidane no jogador Materazzi, na Copa da Alemanha.
Ou seja, a revolução tecnológica é coisa muito recente no mundo.
Então eu me pergunto: se a gente se acostumou com isso tudo, tão rapidamente, por que não consegue se livrar do preconceito étnico, social, de gênero, sexual, linguístico, religioso?

sábado, 23 de junho de 2018

Como corrigir pelo celular erros nos comentários do Facebook

Lídia Maria de Melo
O uso do celular para diferentes funções, às vezes, nos coloca diante de dúvidas que não sabemos resolver.
Com frequência faço novas descobertas.
Hoje, compartilho uma maneira fácil de corrigir aqueles errinhos que insistem em se intrometer nos textos que digitamos pelo celular nos comentários do Facebook.
Muita gente não sabe como proceder quando o corretor de textos completa a palavra de maneira que não é a desejada. Ou então, coloca um acento que não existe.
Para corrigir, é fácil.
Basta colocar o dedo sobre o comentário. Aparecerá uma lista de opções: Copiar/Excluir/Editar/Cancelar.
Nesse caso, basta clicar em Editar e corrigir. Depois, é só salvar.
Dê uma olhada na fotografia e tente.



quarta-feira, 20 de junho de 2018

Como fazer lista ou mudar de linha em texto do Whatsapp. Inclua a tecla de retorno

     Lídia Maria de Melo
Mantenha desmarcado o quadrado no alto à direita 
Toda vez que tentava fazer uma lista de itens no Whatsapp, ou mudar de linha, eu enviava a mensagem sem querer, porque a tecla Enter  funcionava como tecla de envio.

Então, para abrir uma nova linha, eu apertava a barra de espaço várias vezes, mas o texto  ficava desalinhado.
Não conseguia colocar uma linha abaixo da outra.

Hoje, cansei e fui pesquisar uma solução para o problema.
Acabei descobrindo. Simples!

Foi preciso alterar a configuração do Whatsapp.
Muito fácil.

Então, agora compartilho essa descoberta. Veja a sequência:

1. Entrei no ícone do Whatsapp.
2. Cliquei nos três pontinhos.
3. Depois, em Configurações.
4. A seguir, em Conversas.
5. Na sequência,  em Configurações de Conversas.
6. Desmarquei o quadradinho Enviar com Enter.

Se o quadradinho ficar desmarcado, a tecla Enter funciona como retorno, permitindo mudar de linha no texto ou fazer uma lista.

Transformar a tecla Enter em tecla de envio é desnecessário, porque no Whatsapp, quando se inicia a redação de um texto, o ícone microfone, à direita, transforma-se em tecla de envio.

segunda-feira, 8 de março de 2010

E-mail veicula falsa informação
sobre a ministra Dilma Rousseff

De vez em quando, mensagens com falsas informações circulam pelos e-mails dos internautas. A maioria acredita nessas falácias e as retransmite, ajudando, sem querer, a denegrir a reputação de alguém.
Há uns anos, recebi uma dessas mensagens, com supostas informações sobre a ministra Dilma Rousseff e responsabilizando-a pela morte do soldado Mário Kosel Filho em 1968. Em fevereiro, o mesmo texto chegou à minha caixa de entrada, enviado por uma conhecida, que gostaria de saber se o teor era verdadeiro. Na sexta-feira, uma outra pessoa fez o mesmo.
Às duas, dei a seguinte resposta:
Esse assunto é um pouco complexo, já que a História recente do Brasil é desconhecida da maior parte da população. Dilma Rousseff realmente foi uma militante de esquerda que combateu a ditadura militar. Esse regime durou 21 anos e tirou os direitos civis da população. Além disso, prendeu, torturou, matou brasileiros. Deixou de observar a legalidade.
Muitos, como o ex-deputado santista Rubens Paiva, pai do jornalista e escritor Marcelo Rubens Paiva (autor do livro Feliz Ano Velho), ainda hoje estão desaparecidos. O corpo de Rubens Paiva nunca foi localizado, embora ele tenha sido levado de casa pelo Exército.
Meu pai também foi preso político. Minha família foi perseguida pela ditadura militar. E posso assegurar que ele jamais cometeu qualquer crime. Foi preso porque era um sindicalista e reivindicava melhorias para sua categoria, a exemplo do que muita gente fez e faz após a ditadura. Isso não é crime, mas para os militares era. Essa História eu relato no meu livro Raul Soares, Um Navio Tatuado em Nós.
Raul Soares foi um navio utilizado como presídio político aqui no Porto de Santos, em 1964. Eu cheguei a ir visitar meu pai nesse navio, quando tinha 6 anos de idade. Minha irmã caçula era um bebê e a mais velha, já falecida, tinha 8 anos de idade. Minha mãe era uma jovem de 26 anos, três filhas e um marido preso, perseguido pela ditadura militar.
Ele foi processado e teve os direitos políticos cassados por dez anos. As perseguições duraram anos e anos. As marcas ficaram para sempre.
Relato tudo isso, porque não é possível responder à questão, sobre quem é Dilma Rousseff, sem antes contextualizar.
É muito comum, em época de eleição, surgirem acusações para denegrir a imagem dos candidatos e confundir a população. Felizmente, meu pai nos deixou esse legado. O de desconfiar sempre das primeiras informações que surgem. Por isso, sou uma jornalista. E, como tal, desconfio sempre. Nunca acredito na primeira versão que ouço ou leio de fatos.
Episódios de morte ocorreram, sim, durante o combate à ditadura. Não concordo com isso. Mas como poderíamos acusar, por exemplo, um prisioneiro de um campo de concentração se, na tentativa de fuga, matasse um soldado nazista a serviço da idelogia de Hitler?
Os crimes cometidos pelos oposicionistas já foram punidos de um modo ou de outro. Ou eles foram processados e condenados, ou foram mortos pelos órgãos de repressão. Já os crimes cometidos pelos governos militares até hoje estão impunes.
Veja o exemplo da Argentina e do Chile. A Argentina já julgou todos os seus presidentes militares que, durante a ditadura naquele país, mataram milhares de pessoas. A presidente Cristina Kirschner autorizou a abertura dos documentos que podem esclarecer milhares de crimes cometidos pelo regime militar. O Chile já está julgando os ditadores e abrindo documentos.
No Brasil, quando se fala em abrir documentos dos governos militares (Castelo Branco,Costa e Silva, Geisel, Médici, Figueiredo) acontece uma reação ferroz contrária.
As alas direitistas, que apoiaram o golpe militar (que eles chamam de revolução) e os crimes ocorridos naquele período contra brasileiros), aparecem com esse tipo de acusação.
Uma vida é sempre uma vida. Mas eles mataram muita gente, torturaram muita gente, acabaram com a vida de muita gente. A maioria não fez senão contestar as ações deles. Eles ignoraram as leis.
O problema é que quase ninguém sabia, a não ser quem estava envolvido. Usaram as campanhas ufanistas e as falácias para enganar o povo, que até hoje não conhece a História recente do Brasil.
Mas vamos à resposta da pergunta. Essa ficha da Dilma é falsa. Quando ela começou a ser divulgada, até a Folha de S. Paulo publicou e depois teve que se retratar. Leia o texto publicado pelo colega jornalista Celso Lungaretti, que ''comeu o pão que o diabo amassou'' nas mãos dos agentes da ditadura: http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/2009/07/ficha-falsa-da-dilma-ombudsman-critica.html
Dilma Roussef realmente foi militante de esquerda, mas não matou ninguém. As mulheres que participaram da ação que, acidentalmente, matou o soldado Mário Kosel Filho foram: Dulce de Souza Maia (irmã do publicitário Carlito Maia, que acabou sendo exilada do país) e Renata Ferraz Guerra de Andrade (na época, estudante da USP que foi presa e torturada por ter feito uma pichação contra o regime militar).
Hoje, deveríamos agradecer a essas pessoas que combateram o regime militar, porque do contrário não poderíamos nem trocar e-mails com o teor deste. Por qualquer crítica ao governo, dita mesmo informalmente, corria-se o risco de ser preso, torturado e morto, sob a acusação de subversão.
Hoje, podemos criticar o presidente da República sem sofrer qualquer punição. Podemos expressar nossas ideias. Durante o período militar, isso seria um crime contra a segurança nacional que poderia custar a nossa vida.
É preciso deixar claro que essa campanha contra Dilma Rousseff é mais uma artimanha. Essa ficha da Dilma é falsa. Ela foi mesmo militante política de esquerda que combateu a ditadura. Mas não estava envolvida na morte daquele soldado, tampouco com sequestro de embaixadores.
Fora do contexto, todas aquelas ações parecem absurdas, mas tenho a convicção de que foram atos de coragem. Uns gatos pingados enfrentaram uma ditadura comandada pelas Forças Armadas. Parecia a luta de Davi contra Golias.
Sobre as mortes, eu sempre lamentarei todas elas, tanto de pessoas de direita quanto de esquerda. Na verdade, sou contra qualquer tipo de ditadura. Sou a favor da democracia.  E da verdade.
Para sempre, repetirei a frase do escritor argentino Ernesto Sábado: ''Não há ditaduras boas e outras maléficas. Todas são igualmente abomináveis''.

P.S.: A única mulher que participou do sequestro do embaixador norte-americano no Brasil, Charles Elbrick, em 4 de setembro de 1969, chamava-se Vera Sílvia Magalhães. Economista, ela morreu de câncer em 2007, em sua casa, no Rio de Janeiro. O sequestro foi um ato contra a ditadura militar e uma forma de pressionar o governo a libertar presos políticos que estavam sendo torturados em prisões.
Leia também o post 'Ditadura militar', clicando aqui.