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segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Povo que lutou por democracia ocupa Brasília na posse de Lula e entrega a faixa presidencial

 Lídia Maria de Melo

O Brasil está de volta à civilidade.
2022 foi-se embora. Levou nas costas a fama de ano louco.
Agora, o calendário virou a página. Ontem, dia 1º de janeiro de 2023, já foi outro dia, com a posse de Luiz Inácio Lula da Silva em seu terceiro mandato.
O Planeta Terra voltou a ser redondo, graças à resistência das pessoas que não se curvaram à panaceia dos últimos quatro anos.
2023 chegou e precisamos de coragem para recomeçar e recuperar  o Brasil. De mãos dadas somos mais fortes.
O slogan do novo Governo Federal, neste terceiro mandato de Lula, representa bem esse pensamento: "Brasil - União e Reconstrução".
A multidão que foi aclamar Lula ontem em Brasília também dá a medida correta dessa filosofia.
Os que ali estavam não eram fanáticos, mas pessoas que lutaram pelo restabelecimento da democracia no País.
Havia um clima de felicidade no ar e, quando os repórteres entrevistavam os que se aglomeravam na Praça dos Três Poderes, esperando que Lula subisse a rampa do Palácio do Planalto, cada um sabia dizer com muita clareza e propriedade o motivo pelo qual decidiu participar da posse.


Povo ocupa a Praça dos Três Poderes
Foto de Warley Andrade/Agência Brasil - EBC

Entre os presentes, havia muitos professores. Alguns, da cidade de Santos. Por eles, eu me senti representada.
Quem transmitiu a faixa governamental ao novo presidente foram pessoas do povo. Isso só foi possível, porque o presidente anterior recusou-se a participar da solenidade de transmissão do cargo, escapando pela porta dos fundos.
Na verdade, ainda bem que ele se omitiu, porque abriu espaço para que os organizadores da solenidade tornassem o povo protagonista desse momento importante.

Já com a faixa presidencial, 
Lula e os representantes do povo
acena para a multidão
Foto de Tânia Rego/Agência Brasil - EBC

A faixa presidencial acabou sendo entregue a Lula por:
Francisco Carlos do Nascimento, um menino de 10 anos, filho de uma assistente social e de um advogado, morador de Itaquera, em São Paulo, corintiano e nadador que ganhou o primeiro lugar no campeonato da Federação Aquática Paulista em 2022. 
Aline Souza, catadora de material reciclável, mãe de sete filhos e presidente da Rede Centcoop -DF, que reúne catadores do país. Foi ela que colocou a faixa presidencial em Lula, após passar pelas mãos dos demais.
Cacique Raoni Metuktire, líder indígena da aldeia Kraimopry-yaka, de 93 anos, conhecido mundialmente, por sua luta em favor da Amazônia e dos povos da floresta.  Amigo do cantor inglês Sting, é da etnia caiapó e habita a região do Rio Xingu.
Weslley Viesba Rodrigues Rocha,  metalúrgico de 36 anos, que trabalha no ABC paulista e é formado em Educação Física, com benefício do Fies (Programa de Financiamento Estudantil). Atua tabém como DJ no grupo de rap Falange.
Murilo Quadros de Jesus, professor universitário, formado em Letras pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná.
Jucimara Fausto dos Santos, cozinheira que mora em Maringá, no Paraná.
Ivan Baron, ativista potiguar em defesa da inclusão e engajado na luta anticapacitista. Aos 3 anos de idade teve meningite viral, o que lhe causou paralisia cerebral.
Flávio Pereira, artesão paranaense que esteve presente durante 580 dias de vigília, enqaunto Lula foi mantido preso em Curitiba (PR).


A catadora Aline Souza coloca a faixa presidencial
no presidente Lula.
Foto de Tomaz Silva/Agência Brasil - EBC


O nadador Francisco Carlos, de 10 anos,
foi um dos escolhidos para 
entregar a faixa a Lula.
Foto de Tomaz Silva/Agência Brasil - EBC

Lula e o cacique Raoni, da etnia caiapó,
que tem 93 anos, habita a região do Rio Xingu
e é conhecido internacionalmente por
sua luta em favor da Amazônia e
dos povos das florestas. 
Foto de Tânia Rego/Agência Brasil - EBC


segunda-feira, 15 de abril de 2019

Tive o privilégio de entrevistar Paulo Freire, patrono da Educação, que está sob ataque injusto


Folhetim (Folha de S. Paulo)
1º de julho de 1979, p3
Lídia Maria de Melo                
Cresci ouvindo falar de Paulo Freire com muito respeito, devido a seu método de alfabetização, que se popularizou pelo nome de Método Paulo Freire.
O mundo reverenciou suas ideias. Atualmente, é o terceiro pensador mais citado em universidades internacionais e brasileiras da área de humanas.
O Brasil também reverenciou suas ideias, embora as escolas públicas nunca tenham implantado seus métodos de modo sistemático.
Depois de ter conseguido ensinar 300 adultos a ler e a escrever em 45 dias, foi convidado pelo presidente João Goulart a desenvolver o Plano Nacional  de Alfabetização, que previa cursos de formação de professores por todo o  País.
Após o golpe militar de 1964, o pernambucano Paulo Reglus Neves Freire, nascido em 19 de setembro de 1921, passou 70 dias preso.
Quando saiu da prisão, deixou o Brasil, para somente retornar em 1979, com a assinatura da Lei de Anistia.
Em 2012, quinze anos após sua morte, ocorrida em 2 de maio de 1997, foi declarado Patrono da Educação  Brasileira.
Quando me tornei jornalista, tive a honra de entrevistar Paulo Freire em 22 de setembro de 1988, na Redação do jornal A Tribuna, em Santos, e ele me contou que, enquanto vivia no exílio, participou de um congresso na Grécia e, na saída do teatro onde o encontro ocorreu, um vendedor ambulante cumprimentou-o por sua obra. Aquela manifestação deixou-o muito feliz. 
Folhetim (Folha de S. Paulo)
1º de julho de 1979, p.4
Ele também me disse que não criou um método. O que colocou em prática foi uma filosofia educacional que contextualizava o ensino, empregando na alfabetização palavras que faziam sentido aos alunos, como, por exemplo, "tijolo", "casa", "saúde", e despertavam o pensamento crítico.
Conversamos ainda sobre uma pitangueira, da qual ele sentia saudades enquanto vivia longe do Brasil. O assunto veio à baila, porque comentei sobre a entrevista à jornalista Ione Cirilo, publicada em 26 de agosto de 1979,  no Folhetim, suplemento dominical do jornal Folha de S. Paulo.  Essa entrevista ao Folhetim tinha como título uma frase do próprio Paulo Freire sobre a pitangueira: "Se você tiver uma pitangueira em casa, cuide das pitangas... Pode ser que um dia você se exile também".
Em meu início de carreira no Magistério, lecionei em uma escola particular, de 1978 a 1982, e era chamada de "tia". Isso me incomodava. Não pelas crianças, mas pelo fato de pressentir uma falta de respeito à minha profissão. Quando comentava sobre esse incômodo, ninguém me compreendia. Anos depois, soube que "professora" passou a ser tratamento obrigatório nessa escola.

Entrevista de Paulo Freire
Folhetim em 26/8/1979, p. 8
Entrevista de Paulo Freire
Folhetim em 26/8/1979, p.9

Em 1993, Paulo Freire lançou o livro "Professora, sim; tia, não". Lavou minha alma quando escreveu: "A tentativa de reduzir a professora à condição de tia é uma "inocente" armadilha ideológica em que, tentando-se dar a ilusão de adocicar  a vida da professora, se tenta amaciar a sua capacidade de luta ou entretê-la no exercício de tarefas fundamentais. Entre elas, por exemplo, a de desafiar seus alunos, desde a mais tenra e adequada idade, através de jogos, de histórias, de leituras para compreender a necessidade de coerência entre discurso e prática; um discurso sobre a defesa dos fracos, dos pobres, dos descamisados; um discurso que nega a existência das classes sociais, seus conflitos, e a prática política em favor exatamente dos poderosos".
De uns tempos para cá, com espanto, vejo brasileiros atacarem as ideias do educador Paulo Freire. Diversos países, no entanto, reverenciam-no e adotam suas ideias em seus planos educacionais. Por que o Brasil quer destruir seu patrimônio cultural e intelectual? Não seria um suicídio?  
Para saber mais sobre a obra de Paulo Freire, clique aqui e aqui também. 
Um de seus livros mais conhecidos é Pedagogia do Oprimido, de 1968. 
Para ler as reportagens, faça download das imagens dos jornais acima. 


terça-feira, 2 de abril de 2019

A mira do estilingue na terra dos Papagaios



Fotos e texto: Lídia Maria de Melo


À beira do Atlântico, um país de Papagaios elegeu seu líder maior, simulando estilingue com as asas.
No período da campanha eleitoral, o som das Maritacas era tão forte que, soprado pelos ventos oceânicos, atraiu terras longínquas.
Mesmo voando aos quatro cantos, Tucanos e Guarás-vermelhos logo perderam espaço.
A fauna entrou em espécie de transe, com o ruído dos louros, cujo líder reinaria durante quatro longos anos, assessorado pelos filhotes, por um Falcão-peregrino e um Urubu-rei.
O cenário ficou a tal ponto agitado que um terço dos eleitores se recusou a votar. Outro terço optou pelos Guarás.
Um pouquinho mais de outro terço, porém, caiu de encantos pelo Papagaio-mór, que obedecia cegamente a uma Calopsita, ou Cacatua faceira, não se sabe exatamente, que fez ninho em Terras do Norte, banhadas por dois oceanos.
No entanto, três meses após a aclamação, um forte chacoalho abalou o Reino Alado.

Seria um terremoto? Aviso de furacão? Ou efeitos do voo do Super-Homem? (Ou seria o Batman?). 
Uma rajada de vento tropical soprou forte uma notícia que logo se espalhou. Todo o território estava à deriva nas mãos de um Papagaio a serviço das terras nortistas e de um pequeno Espaço Conflituoso no Deserto, disputado por Estorninhos e Corujas-de-celeiro.
                                                    

Se governasse para os Papagaios, Maritacas, Araras e afins, o Papagaio-mór não teria se aliado aos Estorninhos e atraído a fúria da Coruja-de-celeiro e de espécies-irmãs.
Assim, as aves exportadoras da Terra Papagalli não deixariam de negociar ração com todas as espécies de Corujas e outras aves-aliadas.
O pior dessa história é que o Reino dos Papagaios também pode atrair outras modalidades de ódio. Toc-Toc-Toc! De tanto medo, as aves estão convocando o Pica-pau, para  bater na madeira três vezes, com seu poderoso bico, e isolar a possibilidade de algo dar ainda mais errado. 
As aves têm voado cabisbaixas, sem querer cantar. Voam rasantemente, avaliando seus erros: encantaram-se com uns pios e gorjeios, que na verdade não partiam de um coral bem regido.  

Se houvesse um maestro exímio, o Papagaio estaria ladeado pelo Bem-te-vi. O Beija-flor comandaria a área das Artes. João-de-Barro assumiria o setor da Habitação e a Águia, a Educação. Para o Meio Ambiente, qualquer uma delas se sairia bem. Porém, nenhuma foi convidada, o que desperta profundas desconfianças.
O que há de certo é que o reino naufraga a olhos vistos, sem sombras de expectativas.
A Previdência foi entregue ao bicho-homem. As aves já sabem que boa coisa não virá. E um tal Plano Anticrime, do Urubu-rei, tem por sustentação a filosofia de James Bond. Aquele mesmo de codinome 007. Licença para matar. 

As penas das aves tornaram-se muito ouriçadas. Não sabem a melhor decisão. Se ficam, o bicho pega; se voam, o homem come. O fato mesmo é que receiam virar os alvos, durante as aulas de estilingue.
Nesse caso, só vislumbram uma saída: tornarem-se aves de arribação.


quarta-feira, 6 de março de 2019

O povo está vivo e elege nas ruas o hit do Carnaval

Lídia Maria de Melo


Alguns podem achar estranho que o... (vocês sabem quem), eleito por maioria dos votos, tenha recebido publicamente, agora, na Folia de Momo, de Norte a Sul, a orientação de fazer determinada coisa.
Teriam os eleitores dele se arrependido?
Não creio!
Só para relembrar, ele obteve a maioria dos votos válidos. Porém, não recebeu a maioria dos votos dos eleitores brasileiros. 

Reuni informações em um quadro (que os ilustradores, diagramadores e diretores de arte, como o Sérgio Moura, não vejam🤦‍♀️🤭🤭).
Em 2018, o Brasil tinha 147.305.155 eleitores. Ele recebeu 57.797.847 votos. Fernando Haddad obteve 47.040.906. Os votos brancos somaram 2.486.593. Os nulos chegaram a 8.608.105. Outros 31.371.704 eleitores não compareceram às urnas.
Isso significa que 89.507.308 brasileiros habilitados ao voto (incluindo os adeptos de Haddad) optaram pelo #EleNão.
Agora, dá para entender por que bandas e blocos deste País elegeram nas ruas o hit do Carnaval 2019. O povo está vivo.


terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Discurso de Bolsonaro em Davos.
Para bom entendedor, 7 minutos bastam

Lídia Maria de Melo
A pessoa preside um país de dimensões continentais, o maior da América Latina, a nona economia do mundo, mas comparece ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, e fala por apenas 7 dos 30 minutos a que tinha direito. Seu discurso é marcado por mensagens implícitas e lugares-comuns empregados na campanha eleitoral, como por exemplo: "... uma política na qual o viés ideológico deixará de existir"; "Vamos resgatar nossos valores..."; "Vamos defender a família e os verdadeiros direitos humanos"; “Deus acima de tudo”.
Esse senhor, escolhido por 1/3 da população eleitora, desconhece o conceito de "ideologia". Ele e seus asseclas não sabem que tudo o que pensam, propagam e executam é ideológico. Ou seja, não é a ideologia dos opositores, mas é a sua ideologia.
Antes de seu (des)governo, o Brasil não travava relações econômicas com países por "viés ideológico" especificamente de esquerda, como ele deixa subentendido. Tanto que, ao mesmo tempo, se relacionava economicamente, e se relaciona, com Estados Unidos, China, Venezuela, Cuba, Guiné Equatorial, Austrália, França, Reino Unido, Alemanha, entre tantos outros de todos os continentes.
O discurso do sr. Bolsonaro é marcadamente ideológico, mas vazio de projetos. Peca pela falta de objetividade, porque não explica o que vai fazer, quando afirma que irá "resgatar nossos valores", "vamos defender a família e defender os verdadeiros direitos humanos". Quais são os valores que ele classifica por "nossos"? O que ele entende por "verdadeiros" direitos humanos? Será que ele sabe que as definições de direitos humanos são universais?
Não tenho nada contra Deus. Ao contrário, acredito em uma força maior que rege o universo e nossas vidas. Rezo todos os dias e peço proteção a Nossa Senhora Aparecida. Tenho uma imagem de São Longuinho, comprada na Catedral de Pedra, em Canela, na Serra Gaúcha, porque desde criança aprendi a recorrer a esse santo, quando perdia algum objeto, e ele sempre me atendeu. Procuro seguir os preceitos cristãos, mas isto é questão de fé e de foro íntimo. Fé não se discute. O Estado Brasileiro é laico. E dessa forma deve continuar sendo, porque é o que estabelece nossa Constituição em seu artigo 5.º, inciso VI.
Os implícitos presentes no curto discurso do presidente do Brasil causam-me também preocupação no que se referem ao meio ambiente. Ele alfinetou os países que se manifestaram em defesa das florestas brasileiras, como a Noruega. "Somos o país que mais preserva o meio ambiente. Nenhum outro país do mundo tem tantas florestas como nós", expressou. Sua intenção, de fato, não foi defender as florestas, nem a população indígena, que respeita o meio ambiente e ajuda a preservar, ao manter suas reservas.
O que o sr. Bolsonaro afirmou, de modo indireto, para sossegar seus apoiadores ruralistas, é que pretende ampliar a área ocupada pelo agronegócio, nem que para isso precise derrubar mais árvores. Eis o que ele disse: "A agricultura se faz presente em apenas 9% do nosso território e cresce graças a sua tecnologia e à competência do produtor rural. Menos de 20% do nosso solo é dedicado à pecuária. Essas commodities, em grande parte, garantem superávit em nossa balança comercial e alimentam boa parte do mundo."
Ou seja, para o atual chefe de Estado brasileiro, preservação florestal é bobagem. O que importa é ampliar o pasto do gado e as plantações de soja, porque isso é que dá dinheiro. Se o Planeta Terra está sob ameaça, problema das próximas gerações. O que ele precisa é cumprir compromisso de campanha, retribuindo o apoio dos ruralistas.
Por sinal, a ministra da Agricultura já afirmou que as reservas indígenas demarcadas serão respeitadas. Ou seja, deixou pressuposto que não haverá novas demarcações, para dar espaço ao agronegócio, claro! Meio ambiente? Ora, o meio ambiente!
Não foi à toa que o Prêmio Nobel de Economia de 2013, Robert Shiller, disse que Bolsonaro lhe dá medo e que "o Brasil é um grande país e merece alguém melhor".
Pois é, para bom entendedor, 7 minutos bastam.
Depois, "analfabeto" era o outro.


quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Jornal Extra inova em recursos linguísticos e gráficos para noticiar eleição de Marcelo Crivella no Rio

Reprodução
Lídia Maria de Melo

Um dia após o segundo turno das eleições municipais, o jornal carioca Extra circulou com uma primeira página digna de uma aula de análise de discurso.
A capa de 31 de outubro de 2016 do Extra traz sobre um fundo branco, simbolizando a paz, a seguinte manchete de duas linhas, em letras garrafais enlutadas:

             O RIO É
      UNIVERSAL

Fez um trocadilho, jogando com o duplo sentido da palavra "universal", que tanto se refere ao adjetivo que designa o que pertence ao universo inteiro, a todas as pessoas, coisas e lugares, quanto ao substantivo que denomina a igreja neopentecostal criada em 1977 pelo bispo Edir Macedo, um dos maiores desafetos da Rede Globo.
O jornal Extra é do grupo Globo. O senador e bispo Marcelo Crivella, prefeito eleito no segundo turno na cidade do Rio de Janeiro pelo PRB, é considerado o expoente da Universal na política brasileira.
Para complementar o título principal, o jornal usa um subtítulo, em corpo menor, formado por locuções. Em vez de vírgulas para separar essas expressões, emprega cores diversificadas e tamanho variado de letras, num exercício de metalinguagem.

         É DOS GAYS    DO CARNAVAL
         DAS MULHERES   DA DIVERSIDADE
         DA UMBANDA    DOS NEGROS
         DO CRISTO   DA TOLERÂNCIA


Logo abaixo, no lugar de uma única foto em seis colunas, ocupou cada uma das colunas com uma foto vertical distinta, representando em imagem tanto a universalidade da manchete, quanto os segmentos retratados nas locuções do subtítulo.
A primeira fotografia mostra o Cristo Redentor, símbolo máximo do Rio e das religiões cristãs. A única divergência é que os evangélicos, grupo no qual se incluem os integrantes da Universal, não aceitam o uso de imagens para representar santos ou mesmo o filho de Deus. Da memória da televisão brasileira e dos católicos, ainda não se apagou a cena de um bispo chutando a imagem de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, em um programa na TV Record, controlada pela Universal.
A segunda foto expõe uma mulher de bustiê, com a frase "Ventre Livre" grafada em seu corpo, numa referência à aprovação do aborto.
A terceira exibe o desfile de uma escola de samba no Carnaval da Marquês de Sapucaí.
A quarta retrata uma mulher com trajes de mãe de santo em uma praia, como se levasse oferendas a Iemanjá.
A quinta é uma fotografia da parada gay, com uma grande bandeira do Movimento LGBT.
A sexta traz uma mulher negra diante do Monumento a Zumbi dos Palmares, na Praça Onze, no centro do Rio.
Abaixo dessas fotografias, em vez de um título convencional, o Extra apelou para um recurso da publicidade, a função apelativa, ou conativa, da linguagem, grafando cada palavra com uma cor diferente: vermelha, amarela, verde e azul. Como se conversasse com o recém-eleito, que prometeu cuidar das pessoas cariocas, usou este título de quatro colunas em duas linhas:

AGORA, É CONTIGO,
               CRIVELLA 

Abaixo dessas fotografias, o jornal publica, em quatro colunas, uma foto de Marcelo Crivella, comemorando a vitória nos braços dos correligionários na noite de domingo, na sede do Bangu Atlético Clube, após a confirmação de sua vitória para comandar a Prefeitura do Rio de Janeiro, por quatro anos, a partir de 2017, em substituição a Eduardo Paes (PMDB).
Nas colunas à direita e à esquerda dessa foto. o Extra dá informações sobre a eleição de Crivella e sobre seu novo secretariado, que tem entre os nomes cotados: Índio, Osório e Bolsonaro.
A capa recebeu elogios e críticas dos leitores do diário.
Por meio dos recursos gráficos e linguísticos de que se valeu para compor essa primeira página, a edição evidenciou a opinião do jornal sobre a eleição do senador pastor e os desafios que ele terá que enfrentar em função de suas convicções religiosas e diante da diversidade existente na Cidade Maravilhosa.

     

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Agora, a palavra "crise" tornou-se proibitiva

Um aspecto do discurso de posse do Michel Temer, ontem, foi mais eloquente do que todo o resto.
O presidente em exercício do Brasil empregou um slogan antigo, cuja autoria desconheço, mas que foi utilizado há décadas no Litoral Paulista pela empresa Guarujá Veículos. Ei-lo: "Não fale em crise, trabalhe". 
Quando ouvi, pasmei! 
Até o período da manhã, "crise" era a palavra mais massacrada pela oposição. 
À tarde, ela se tornou proibitiva, como num passe de mágica. 
Então me veio a dúvida: será que têm razão os economistas que defendem a tese de que a crise foi criada pela técnica da exaustão? 
De tanto que se repetiu a palavra, ela se concretizou, afastando investidores, dificultando as relações comerciais, os negócios... Migrou do mercado financeiro para a economia, atingindo-a de modo incisivo. 
Agora, a técnica usada de maneira inversa servirá de antídoto para o veneno criado em laboratório. Interessante! Muito!...
Parafraseando Frei Betto, "é preciso aprender a ler as entrelinhas".


quinta-feira, 5 de maio de 2016

Sem censura. Sem autoritarismo.

"Pai, afasta de mim esse cálice". Em 1973, Chico Buarque e Gilberto Gil tiveram os microfones cortados em um show, no momento em que cantavam a música "Cálice". Foi a concretização da censura, quando o "cálice" virou "cale-se".
Hoje, o deputado Waldir Maranhão, presidente interino da Câmara dos Deputados, reeditou o "cale-se", encerrando a sessão do Legislativo, quando os parlamentares usavam a tribuna para comentar a suspensão do mandato de Eduardo Cunha pelo STF.
Os deputados, então, puseram em prática o "afasta de mim esse cálice (cale-se)". A deputada Luíza Erundina sentou-se na cadeira da presidência e os demais passaram a se pronunciar, mesmo com os microfones cortados. 
Não à censura. Não ao autoritarismo!


domingo, 24 de abril de 2016

Para que nunca mais aconteça

Hoje, completam-se 52 anos da chegada do navio Raul Soares ao Porto de Santos, para servir de presídio político da ditadura militar. 
Quem acompanha o que costumo escrever sabe que meu pai foi um dos presos dessa embarcação, que conheci por dentro aos 6 anos de idade. 
Hoje, não escrevi sobre esse fato. Preferi alertar para o recrudescimento das ideias ditatoriais em nosso País. 
O artigo de minha autoria e intitulado "Para que nunca mais aconteça" está no jornal A Tribuna, de Santos, edição de hoje, na seção Tribuna Livre (página A-2), conforme imagem ao lado e reprodução de texto abaixo:

Para que nunca mais aconteça


Lídia Maria de Melo.
 Jornalista, professora do curso de Jornalismo e membro do Grupo de Pesquisa Grupo de Direitos Humanos e Vulnerabilidade da UniSantos e autora do livro "Raul Soares, Um Navio Tatuado em Nós".

É difícil imaginar que, na face da Terra, milhares de seres humanos, em idade de entendimento, não saibam o que ocorreu na Europa durante a Segunda Grande Guerra por iniciativa do regime nazista, sob o comando de Hitler. É público e notório o extermínio de judeus, homossexuais, ciganos, eslavos, comunistas, testemunhas de Jeová, pessoas com deficiência física e mental. O conhecimento generalizado dessa barbárie só está consolidado, porque os judeus não permitem que o mundo se esqueça.
A Alemanha, berço do nazismo, determinou  no pós-guerra o estudo  do passado, para que aqueles atos nunca mais voltem a se repetir.
Na África do Sul, por 46 anos, prevaleceu o regime segregacionista Apartheid. Quando Nelson Mandela deixou a prisão, após quase três décadas, tornou-se presidente. Para reconstruir o país, instituiu um governo de coalizão. Porém, criou uma Comissão de Verdade e Reconciliação, que poderia perdoar torturadores, desde que eles confessassem seus crimes e pedissem desculpas públicas às vítimas.
A Argentina, que enfrentou sete anos de ditadura, conviveu com a morte e o desaparecimento de 30 mil pessoas. A população conhece detalhes dessa trágica história de crimes que violam todos os preceitos humanitários.
O Brasil viveu 21 anos em regime ditatorial. Nesse período, o Congresso foi fechado, a Constituição de 1946 foi rasgada, 17 atos institucionais suprimiram direitos civis. As eleições e o habeas corpus acabaram suspensos. Ter um objeto vermelho poderia ser prova de subversão. Não era preciso antecedente criminal ou engajamento político para justificar prisão arbitrária.
Todo preso político era julgado pela Justiça Militar. Os processos se arrastavam por anos, antes da indefectível absolvição por falta de provas. Milhares de civis e militares foram presos, sem culpa formada. Quem ousou enfrentar as Forças Armadas foi classificado como terrorista. Todos sofreram punições: prisão, interrogatório, demissão, processo, tortura, exílio, cassação, morte ou até desaparecimento. Nem a Lei de Anistia, de agosto de 1979, compensou as perdas.  Marcas fincadas na alma jamais se apagam.
Quem, em nome do Estado, prendeu ilegalmente, torturou, matou, escondeu corpos, até hoje não encontrados, também foi anistiado, sem punição.
Toda essa História está documentada. O Projeto Brasil Nunca Mais, por exemplo, é composto por material recolhido nos processos que tramitaram na Justiça Militar. O relatório da Comissão Nacional da Verdade está na internet.
Com tanto material à disposição, por que milhares de brasileiros, regidos por um ordenamento jurídico que classifica a tortura como crime de lesa-humanidade, são capazes de apoiar a homenagem do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra (1932-2015) na Câmara dos Deputados? Alcunhado de Doutor Tibiriçá, o coronel foi o primeiro agente da ditadura a ser reconhecido pela Justiça, em 2008, como torturador. Ele não poupava homens, mulheres ou crianças.
Exceto os que convictamente defendem a ideologia da tortura, quem idolatra Brilhante Ustra e Bolsonaro não sabe o que aconteceu. Alimenta-se de boatos.
No Brasil, o assunto não é aprofundado. O País falhou, não seguindo o exemplo dos  judeus, da Alemanha, África do Sul e Argentina. Há iniciativas isoladas, mas, de modo geral, a ditadura militar é abordada superficialmente.  Se quisermos evitar a repetição dessa História, precisamos estudar de fato esse assunto. Para que nunca mais aconteça.  


quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Um adeus atrasado para Zuleika Alambert

Um minuto de silêncio e todo o resto de palavras por Zuleika Alambert, a primeira mulher santista que se tornou deputada estadual. Foi a segunda na História do Estado a conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa. Pelo voto, derrotou homens acostumados a esse universo.
A notícia chegou tarde. Só no domingo é que descobri. Zuleika despediu-se para sempre em tempos de festas. Entre o Natal e o Ano-novo. Em 27 de dezembro. Não ouvi comentário, não li, não recebi o aviso. Nem abri o jornal naquele dia. Aos 90 anos, ela se foi de mansinho, de um jeito que não era o seu durante a vida.
Eu e Zuleika Alambert no jornal A Tribuna em 4 de maio de 2005
Entrevistei-a no ano de 2005 e publiquei reportagem no jornal A Tribuna no dia 11 de março. O texto e as imagens estão reproduzidas no site Novo Milênio. Ainda me lembro de como fiz a entrevista. Telefonei de minha casa e não, da Redação. Coloquei o telefone no viva-voz e gravei. A ligação caiu. Fiz um novo contato e mantivemos uma conversa não muito longa. Embora fosse santista, morava no Rio de Janeiro desde que voltara do exílio. "Eu já estava enraizada no mundo", ela me justificou na entrevista concedida em 2005. Parte de sua família se mantém em Santos. Por isso, entrevistei um de seus irmãos.
Em 4 de maio de 2005, ela recebeu homenagem da Câmara Municipal de Santos e passou na Redação do jornal A Tribuna. Acabamos nos conhecendo pessoalmente e fomos fotografadas juntas na sala do editor-chefe (foto acima). Infelizmente, não tenho certeza do nome do fotógrafo. Uma vaga lembrança me traz à mente o colega Alberto Marques. Talvez tenha sido ele. No dia seguinte ao de sua morte, um equívoco fez o jornal A Tribuna registrar a foto como sendo de 11 de março de 2005, data da publicação de minha matéria.
Em 7 de novembro de 2011, publiquei de novo no jornal A Tribuna o comentário intitulado Uma mulher apaixonada por política, que está reproduzido aqui no blog (clique no link marrom ou leia a transcrição abaixo).
Zuleika Alambert não deixou filhos. Seu legado é histórico e de outra natureza.
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(Reproduzido do jornal A Tribuna - 7/11/2011 - página A-7)

Comentário
DE LÍDIA MARIA DE MELO

Uma mulher apaixonada por política          

    Entrevistei  Zuleika  Alambert em 2005.  A reportagem foi publicada em A Tribuna no dia 11 de março daquele ano.  Na abertura do texto, incluí uma frase dela que sintetiza a força motriz de sua trajetória: “Eu não admitia ser igual às outras moças de minha época”.
    Zuleika estava com 82 anos, tinha o cabelo tingido de amêndoa e se embrenhava no universo da Física Quântica. Tudo combinava com sua biografia.
    Ela nasceu em 1922, o mesmo ano em que a geração modernista abalou as estruturas das artes brasileiras. Sua terra natal? Santos, uma cidade à beira do Atlântico, aberta às vanguardas culturais e políticas. Sob essa égide, ela não poderia mesmo cumprir a sina das mulheres de sua geração.
    Aos 12 anos, já escrevia para jornais. Na escola, dividiu bancos com Cleide Yáconis e Cacilda Becker, que não tardaram a despontar nas artes dramáticas. Tornou-se amiga de Miroel Silveira, mais tarde um respeitado jornalista e diretor teatral.
    Zuleika até encenou peças, mas não queria interpretar para sempre. Tinha atração pela política. Mas essa área era, e ainda é, mais povoada por homens. Sem problemas. Ela foi atrás de seu sonho. “Eu nasci para ser política".
    E tinha razão. Antes de completar 23 anos, em 1945, ajudou o estivador Oswaldo Pacheco da Silva a se eleger deputado federal constituinte pelo PCB. Em 1946, apoiou os estivadores no boicote aos navios espanhóis, em protesto contra a ditadura de Franco.
    Desse movimento, também participou o então presidente do Sindicato da Administração Portuária, Leonardo Roitman. Mas ela levou vantagem. Venceu-o na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB). Com o apoio da estiva, obteve 4.043 votos e ele, 2.122.
    Tornou-se a primeira mulher da Baixada Santista e a segunda no estado de São Paulo a ser deputada estadual. Apesar dessa conquista, da prisão, do exílio durante a ditadura militar e dos livros que escreveu, sua história caiu no esquecimento entre as gerações santistas posteriores. Principalmente, porque se fixou no Rio de Janeiro quando retornou ao Brasil em 1979.
    Em 2005, A Câmara de Santos decidiu homenageá-la. Como editora, fiz questão de entrevistá-la. Conversamos por telefone em 6 e 8 de março de 2005. Também ouvi seu irmão Paulo Alambert. O resultado foi uma página de informações valiosas que são muito consultadas e estão disponíveis em meu blog (http://lidiamariademelo.blogspot.com).
    Em 4 de maio de 2005, quando a homenagem da Câmara se consolidou, Zuleika veio a Santos e visitou A Tribuna. Enfim, nos conhecemos. Além de Física Quântica e questões sociais, interessava-se por meio ambiente. E rejeitava o rótulo de feminista. “As mulheres devem fazer parte e não, estar à parte”, disse ela, que se casou duas vezes, mas não teve filhos.
    Zuleika Alambert me fez reforçar o alerta que costumo repetir, quando ressalto a importância dos feitos de gerações passadas: “O mundo não começou quando nós nascemos”. Antes de nós, alguém abriu caminho.
  * LÍDIA MARIA DE MELO, jornalista, professora universitária e escritora
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sábado, 20 de outubro de 2012

As palavras transportam todos os nossos segredos. A defesa de José Genoino e o parquet

Após tomar conhecimento da carta da filha de José Genoíno a respeito das acusações que pesam contra o pai no esquema do Mensalão, busquei mais informações na internet. Fico sempre tentada a ouvir as pessoas que se dizem acusadas injustamente.
Na terça-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Genoíno por corrupção ativa. A carta de Miruna Genoíno foi lida, ontem, pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP) na tribuna do Senado.
Neste momento, como jornalista, o que mais gostaria era de poder entrevistar o ex-deputado e ex-presidente do PT. Não para acusá-lo ou tomar partido. Para, quem sabe, poder decifrar histórias e fatos que não se revelam com facilidade, que passam despercebidos aos olhos comuns.
Acho que este anseio surgiu em mim durante a ditadura militar, quando a verdade dos perseguidos se ocultava nos vãos das palavras, nas entrelinhas, como charadas a serem decifradas somente por quem fosse capaz de alcançar os sentidos invisíveis e flutuantes das linguagens.
No site do jornal O Globo, encontrei um infográfico intitulado Saiba quem são os acusados do mensalão. Cliquei no nome de Genoíno e achei sua defesa apresentada ao Supremo Tribunal Federal.
Vou me debruçar sobre ela. Quem sabe eu consiga analisar mais em silêncio, longe da influência de meus colegas da imprensa e dos holofotes das câmeras de TV, as ponderações da defesa. Se um dia eu tiver a oportunidade de conversar com ele, estarei preparada.
Assinado pelos advogados Sônia Cochrane Ráo, Luiz Fernando Pacheco, Sandra Gonçalvez Pires e Marina Chaves Alves, o documento de 115 páginas é datado de 8 de setembro de 2011.
Além dos argumentos da defesa, oferece oportunidade secundária de estudo do léxico. Não pude escapar desta outra tentação, que pode parecer supérflua, diante da gravidade do tema em pauta. Mas asseguro que não é. As palavras transportam todos os nossos segredos (desconfio que essa frase seja o embrião de um poema).
Para entender, acompanhe um exemplo. Logo de início, os advogados empregam a palavra francesa "parquet" (lê-se parquê). O termo é muito comum  nos meios judiciários, embora pudesse ser substituído por ministério público ou pelo cargo ocupado por um de seus membros.
Pois bem, "parquet", em francês, significa "assoalho". Na época dos reinados franceses, nas salas de audiência, os procuradores dos monarcas ficavam no assoalho (parquet) e não, no tablado ocupado pelo juiz. Com o tempo, no Direito, esse termo passou a designar o Ministério Público ou o representante dele, indicando que a instituição é o sustentáculo, a base, do sistema jurídico.
Vou me debruçar sobre essa defesa e, claro, sobre a acusação. Certamente, depreenderei muito mais.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Zuleika Alambert, uma mulher apaixonada por política que se tornou a 1ª. deputada santista

A edição de hoje do jornal A Tribuna (Santos) traz um comentário que escrevi sobre Zuleika Alambert. Ela foi a primeira mulher eleita deputada estadual pela Baixada Santista. No Estado, foi a segunda. Em 2005, entrevistei-a e publiquei uma reportagem também em A Tribuna (11/3/2005), que está republicada no site Novo Milênio. O comentário de hoje faz parte  da matéria "Intuição. Pioneirismo. Visão feminina" (página A-7).
Clique na imagem para ler o comentário de hoje:

domingo, 31 de outubro de 2010

Dia D: de Dilma, de democracia, de direito

Hoje é o Dia D. Como escreveu meu amigo Dirceu Cateck em seu blog, tomara que seja D de Dilma Rousseff.
Vivemos em uma democracia, graças às pessoas que tiveram coragem de lutar por ela durante 21 anos de nossa História recente. Cada um tem o direito de votar no candidato que achar melhor para comandar o Brasil por quatro anos.
No primeiro turno, não pude ir votar. Hoje, dia 31, poderei apertar as teclas da urna eletrônica.
Vou digitar 13 e aparecerá a foto de Dilma Rousseff. Então, apertarei a tecla verde, confirmando minha escolha.
Mas este ato não terminará depois que eu sair da seção eleitoral. Minha participação na vida política do País seguirá, mesmo sem militância partidária. Não me filio a partidos.
Continuarei me informando, como cidadã e jornalista, e transmitindo informações, para ter condições de avaliar  a atuação de minha candidata. Assim, também continuarei ajudando o Brasil a crescer e a ir em frente. E, em 2014, poderei votar de novo com argumentos, sem me deixar levar por boatos ou falsas notícias. É lamentável ver tantas pessoas com nível superior de escolaridade tão mal-informadas sobre a realidade do País e baseando seus votos em mentiras que leram ou ouviram.
Boa votação.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Para não perder a referência histórica

 Esta semana, voltei a utilizar a expressão: ''falta de referência histórica''. Estava comentando o absurdo que é chamar de ''terrorista'' uma pessoa que combateu a ditadura militar, como a candidata à presidência da República Dilma Rousseff (PT), por exemplo.
 Para não repetir as mesmas coisas que já escrevi a respeito, vou postar abaixo um comentário que publiquei no jornal A Tribuna e em meu antigo blog em novembro de 2008.
 A situação era outra, mas os argumentos valem do mesmo jeito para o contexto atual.
 Falta referência histórica para os que classificam os opositores do governo militar (1964 a 1985) de guerrilheiros.
 De 1964 a 1985, o Brasil viveu um regime de exceção, em que a Constituição foi rasgada, o Congresso foi fechado e os ditadores faziam e aprovavam leis a seu bel-prazer, suprimindo os direitos dos cidadãos brasileiros.
 Até hoje não se sabe com exatidão o número de prisões ilegais, de pessoas torturadas, mortas e desaparecidas nesse período em que a imprensa ficou sob censura. Quem combateu a ditadura militar não agiu contra um governo legítimo e eleito pelo povo. Não. Combateu um governo autoritário que derrubou um presidente eleito legalmente.
É preciso que cada ato cometido naquele período pelos opositores do governo seja analisado nesse contexto. Do contrário, o julgamento será também arbitrário.

Para não perder a referência histórica
Análise de Lídia Maria de Melo publicada no jornal  
A Tribuna - 18 de novembro de 2008 - página A-4

Martin Luther King
A eleição de Barack Obama fez o mundo relembrar a luta de Martin Luther King contra a segregação racial nos Estados Unidos nos anos 60 e o discurso que ele proferiu em agosto de 1963, sob o mote ‘‘I have a dream’’ (Eu tenho um sonho).
Na Espanha, por exemplo, o jornal catalão El Periódico estampou na capa um pôster de Luther King com a frase ‘‘Ya no es mas um sueño’’ (Já não é mais um sonho).
A lembrança evidenciou que, mesmo 45 anos depois, a importância do líder negro assassinado em 1969 não se dirimiu. A essa remissão se dá o nome de referência histórica.
Já, quando alguém nega as atrocidades cometidas pelo regime nazista de Adolf Hitler durante a Segunda Grande Guerra, ou as torturas aplicadas aos presos políticos durante a ditadura militar no Brasil, ocorre o inverso. Tenta-se apagar a História e, com isso, ao passar dos anos, as referências das gerações.
Em janeiro de 1942, o Brasil rompeu relações diplomáticas com a Alemanha nazista e a Itália fascista. A partir daí, navios mercantes brasileiros e da Marinha passaram a ser torpedeados por submarinos alemães na costa do País, com perdas de centenas de tripulantes. Esses ataques motivaram protestos populares nas ruas e fizeram o governo de Getúlio Vargas declarar guerra aos países do Eixo.
Dos integrantes da Força Expedicionária Brasileira (FEB), quem não foi combater na Itália e ajudar a vencer a Batalha de Monte Castelo ficou na defesa do litoral brasileiro.
Com o fim do conflito, em 1945, e a vitória dos países aliados, entre os quais estava o Brasil, todos os que vestiram farda foram considerados heróis. A Nação aclamou.
Quando os integrantes da FEB passaram a se aposentar, lá por meados da década de 60 e início dos anos 70, receberam vencimentos considerados especiais. Afinal, eram heróis. E de guerra! Ninguém contestou.
Agora, em 2008, cerca de 35, 40 anos depois da concessão dos benefícios, com a História já apagada da memória nacional, a Previdência Social perdeu a referência. O resultado é que pessoas com mais de 80 anos de idade e já debilitadas fisicamente têm seus vencimentos reduzidos e ainda são consideradas devedoras.
Um dia, 2008 poderá ser chamado de ano dos contrastes. Enquanto os norte-americanos tornam concreto o sonho de Martin Luther King, ao eleger um negro para a Presidência do país, no Brasil, aqueles que lutaram por um mundo melhor, agora, vivem um pesadelo.
Talvez seja a hora de se reforçar as aulas de História do Brasil. Principalmente, nos órgãos federais, como a Controladoria Geral da União (CGU). Do contrário, corremos o risco de perder nossas referências. E de negar de vez nossa História.
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O que motivou a análise acima:
Parecer do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), datado de 2003 e referente a proventos de ex-combatentes da Segunda Guerra Mundial e pensionistas, determinou a redução de benefícios concedidos pela Lei 5.315, de 12 de setembro de 1967 e garantidos no Inciso V do Artigo 53 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias de 1988. Na Baixada Santista, 663 aposentados e pensionistas podem ser prejudicados pela decisão. Desses, 438 são de Santos.
Reportagem da jornalista Andréa Rifer, intitulada ''INSS reduz a aposentadoria de ex-combatentes da 2ª Guerra'', mostra o exemplo da pensionista Amélia Machado da Silva, de 83 anos, que recebia R$ 2.398,93 e teve o benefício reduzido para R$ 1.263,63. Porém, 30% desse valor foi descontado para quitar dívida de R$ 76 mil, acumulada dos valores recebidos a mais, segundo cálculos da Previdência Social. Com isso, os benefícios realmente pagos são de R$ 884,00. Ela e outros ex-combatentes, que se aposentaram há 35, 40 anos, recorreram à Justiça e conseguiram garantir seus direitos por meio de liminar.

Leia também: 1. Dilma Rousseff  e 2. ditadura militar

sábado, 23 de outubro de 2010

Pesquisas favoráveis a Dilma Rousseff
motivam onda de denuncismo

Foto Wilson Dias/ABr
Dilma Roussef vota no 1º turno
Mais uma revista semanal chega às bancas com capa espalhafatosa, anunciando denúncia contra Dilma Rousseff.
Como jornalista e cidadã, deixei de ler essa revista desde que ela, para mim, perdeu a credibilidade, há cinco anos, publicando uma reportagem sobre o Marcos Valério (lembram dele?), no chamado escândalo do Mensalão, sem apresentar uma fonte primária sequer.
Para quem não sabe, fonte primária é uma pessoa que passa informação ao jornalista, mas que estava presente ao fato que relata, ou que participou da ação relatada.  É um dos envolvidos no fato.Também pode ser um documento que comprove a notícia. Algo nessa linha.
Pois a revista publicou páginas e páginas somente baseada em disse-me-disse. No final, admitia que não havia conseguido falar com nenhum dos envolvidos naquela suposta denúncia.
Fiquei chocada e me senti ludibriada. A reportagem não se sustentava. Ninguém podia afirmar que os diálogos reproduzidos eram fiéis e haviam ocorrido. E, se as três pessoas citadas não deram entrevista e não falaram com ninguém a respeito do relatado pela revista, como ela mesma afirmava, tudo não passava de suposição ou boato.
Pois bem, neste fim de semana, a reportagem de capa da revista faz nova denúncia contra a candidata Dilma Rousseff, do PT. Ora, logo depois de os institutos Ibope e DataFolha apontarem queda de Serra e crescimento de Dilma na pesquisa de intenção de votos para o dia 31.
Só quem é muito ingênuo para engolir mais essa. Não vou perder meu tempo lendo. Ainda mais porque o autor das gravações que embasam as denúncias é Romeu Tuma Jr, que foi demitido do governo do PT.
Continuarei definindo meu voto pela comparação entre o Governo FHC e o Governo Lula. Por isso, votarei em Dilma Rousseff, 13. Nos dois governos Lula, o Brasil cresceu economicamente, enfrentou a crise econômica mundial muito melhor do que países ricos, passou a ser respeitado internacionalmente e as classes menos favorecidas conquistaram poder aquisitivo etc etc etc. Eu poderia enumerar uma série de melhorias.
O Brasil ainda precisa resolver muitos problemas nas áreas de Educação, Saúde, Segurança Pública e Habitação, por exemplo? Precisa. O governo Lula cometeu erros? Cometeu. Mas, colocando na balança os prós e os contras dos governos FHC e Lula, o resultado é mais favorável a Lula. Votarei em Dilma e isso não significa que assinarei um cheque em branco. Continuarei acompanhando as decisões presidenciais e defendendo sempre a democracia. Como eleitora, cobrarei. Assim, toda a população deveria proceder.
Neste momento, torno a publicar artigo que escrevi em março sobre a candidata do PT à Presidência da República. Clique aqui E-mail veicula falsa informação sobre a ministra Dilma Rousseff .
Numerologia
No dia 31 é 13 de qualquer jeito. Até de trás para a frente.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Votar não é assinar cheque em branco

Foto divulgação TSE
Votar não se resume em apertar as teclas da urna eletrônica.
É preciso acompanhar os atos dos eleitos e cobrar.
Votar não é assinar um cheque em branco.

Leia também o post  intitulado: