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quarta-feira, 2 de abril de 2025

A verdadeira sede do DOPS_SANTOS


Artigo publicado no jornal santista A Tribuna, na
 coluna Tribuna Livre, em 31 de março de 1964.


Tropas do Exército rumaram de Juiz de Fora (MG) ao Rio de Janeiro, no dia 31 de março de 1964, para destituir o presidente da República, João Goulart. Em Santos, o golpe se concretizou em 1.º de abril, Dia da Mentira. Para que não nos esqueçamos e ninguém altere a História e desrespeite a memória dos que lutaram e resistiram em nossa cidade, escrevi e publiquei o artigo "A Verdadeira Sede do DOPS-Santos" no jornal santista A Tribuna, onde trabalhei por 23 anos, como repórter, subeditora e editora do primeiro caderno. Reproduzo a imagem da publicação e a transcrição do texto, para que todos os interessados possam ler. Boa leitura.

A VERDADEIRA SEDE DO DOPS-SANTOS

Lidia Maria de Melo, jornalista, escritora, professora e advogada.

O Dia da Mentira costumava ser marcado por sustos e risos. A intensidade da diversão dependia de quem soubesse inventar uma história melhor que a outra. Sem importar a idade, 1º de abril sempre foi uma data para se brincar.
Em 1964, a brincadeira acabou. De manhã, forças civis e militares, bem armadas, devassaram sindicatos ligados ao Porto de Santos. Dirigentes, associados e funcionários foram presos no Palácio da Polícia, na Rua São Francisco, junto com políticos, profissionais liberais e lavradores.
No prédio, funcionava a Cadeia Pública, a Delegacia Auxiliar da 7ª Região e a 4ª Delegacia de Ordem Política e Social, cuja sigla, DOPS, era usada no feminino e no masculino, por ser igual à do Departamento Estadual de Ordem Política e Social, identificado, em outro período, também como DEOPS.
As entidades classistas ficaram nas mãos de interventores nomeados pelo capitão dos Portos, Júlio de Sá Bierrenbach, por indicação da Companhia Docas de Santos.
A sequência dessa História já é pública: inquéritos, demissões, processos, desemprego, prisão no navio Raul Soares, torturas, doenças, mortes.
Acompanhei tudo de perto. Meu pai era diretor do Sindicato dos Operários Portuários (atual Sintraport), foi preso no DOPS e no navio-presídio, que conheci por dentro. Eu tinha 6 anos e fazia o 1.º ano do Curso Primário na escola do sindicato.
Essa História me segue pela vida. Publiquei o livro Raul Soares, Um Navio Tatuado em Nós e tenho outro na fila de edição. Fiz reportagens, palestras, dei entrevistas e testemunhei na Comissão Nacional da Verdade e na Municipal. Ouvi sindicalistas daquela geração repetir que ficaram presos no DOPS. Não havia dúvida sobre a localização.
Em 2024, surgiu a versão de que o antigo DOPS havia funcionado no ex-prédio da Ciretran, na Av. Conselheiro Nébias. Não questiono o fato de que, naquela delegacia, tenha havido tortura, mas isso não torna o local a sede do DOPS-Santos.
Apesar dos métodos escusos, o DOPS não era clandestino e funcionou no Palácio da Polícia até 1983. Em 2010, milhares de prontuários de investigados e presos foram localizados numa sala e entregues ao Arquivo Público do Estado de São Paulo.
Sobre a requisição do antigo imóvel da Ciretran, para fazer dele um lugar de memória, não sou contra. Porém, provas das alegações devem ser expostas, assim como se cobrou dos que foram à Justiça e à Comissão de Anistia reivindicar seus direitos.
Neste 1.º de abril de 2025, é preciso lembrar que, se queremos preservar a Memória e garantir a Justiça, para contar a História de luta e resistência de Santos, devemos priorizar a Verdade.



sábado, 1 de março de 2025

Além do santista Rubens Paiva, ditadura prendeu e torturou cerca de 500 pessoas em Santos

 Lídia Maria de Melo

Na esteira da torcida pela atriz Fernanda Torres e pelo filme Ainda estou aqui, na cerimônia do Oscar, amanhã (2/3/2025), o jornal Diário do Litoral publicou, na edição de hoje, uma matéria de página sobre a ditadura em Santos. Na condição de entrevistada, colaborei para esse trabalho do colega jornalista Nilson Regalado. Para quem não sabe, sou jornalista e autora do livro Raul Soares, um navio tatuado em nós, que relata, a partir de meu ponto de vista, as consequências do golpe de Estado de 1964 em minha família, após a prisão de meu pai, que era sindicalista e funcionário da Companhia Docas de Santos (CDS). Também narra as experiências dele na prisão efetuada pelo DOPS, no Palácio da Polícia, em Santos, e no navio Raul Soares, no Porto de Santos. Na época, eu tinha 6 anos de idade, e acompanhei tudo e também visitei meu pai dentro desse navio, sob a escolta de policiais marítimos e fuzileiros navais armados de fuzis e metralhadoras. Como vocês podem ver, Santos foi uma cidade bastante atingida pelo golpe militar de 1964 e pela ditadura, ao longo de 21 anos. Quem comandou a repressão em Santos, em 1964, foi o então capitão dos Portos do Estado de São Paulo, Júlio de Sá Bierrenbach, que tinha a patente de capitão de mar e guerra. Este ano, publicarei mais um livro sobre esse tema, mas com novas informações e enfoques, além de muita pesquisa. Nele, realizo um trabalho em que emprego as técnicas adquiridas em minhas áreas de formação: Letras (professora), Comunicação Social (jornalista), Ciências da Comunicação (pesquisadora) e Direito (advogada). Deixo aqui uma cópia da página do jornal. Acho que, para ler no computador, é melhor fazer download da imagem e salvar. Assim, fica mais fácil para ampliar. No celular, acredito que também é melhor salvar, ou ir ampliando com o dedo indicador e o polegar (rsrs). Vale a pena a leitura de reportagem. E também a torcida pela Fernanda e pelo filme. Nunca me canso de dizer que Walter Salles faz poesia em forma de filme, mesmo que seja um drama.


sábado, 14 de setembro de 2024

O golpe de 1964 e a invasão de sindicatos do Porto de Santos, em minha entrevista na Band Litoral


Para assistir, clique aqui.

Os 60 anos do golpe militar e a perseguição aos trabalhadores do Porto, organizados em sindicatos. Esse foi o tema de mais uma entrevista que concedi este ano e foi ao ar em 14 de setembro de 2024 no programa Porto e Baixada, veiculado pela Thathy TV - Band Litoral e também no canal da emissora no Youtube. Trato desse assunto no meu próximo livro sobre a ditadura no Porto de Santos. Para assistir e conhecer um pouco mais sobre esse tema histórico e tão importante, clique no link: https://youtu.be/UfUw_Wd8DyY.  

A equipe que me entrevistou foi a Naihara Carvalho - Naih Oliveira Carvalho (produção), Rafael Roncarati (cinegrafista) e Gabriel Ursini (produção e operação de drone). No roteiro e edição final, André Rittes; edição, Renan Sposito; apresentação, Felipe Folli; e direção, Ari Brito.

Obrigada a todos pela veiculação de um assunto tão importante para a História do Brasil, de Santos, do Porto, dos Trabalhadores Portuários e de outras áreas e do Sindicalismo Santista e Brasileiro.

Para assistir, clique  no link:     https://youtu.be/UfUw_Wd8DyY ,

#DitaduraNuncaMais #sindicalismo #Santos #PortoDeSantos #trabalhadores #companhiadocas

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Jornal A Tribuna publica nota a respeito de meu próximo livro sobre ditadura militar

Na sexta-feira, dia 9, a jornalista Cristina Guedes, em sua coluna do jornal A Tribuna, de Santos, deu uma nota sobre meu novo livro, a respeito da ditadura militar, que devo lançar em dois ou três meses.
Cristina me pôs em excelente companhia. Ninguém menos que mister Paul McCartney com sua Let it be (Deixe estar).
Ela também mencionou meu livro "Raul Soares, Um Navio Tatuado em Nós", que enfoca o navio que serviu de presídio político no Porto de Santos em 1964, após o golpe militar.
Meu pai foi um dos sindicalistas presos na embarcação.
Algumas pessoas têm me perguntado sobre esse livro.
Eu respondo: a edição está esgotada, mas ainda pode ser adquirido em sebos virtuais. Até mesmo na Amazon.
No dia 22, participarei de uma live que lembra a chegada do navio-presídio ao Porto de Santos em 1964.
Quando estiver mais perto do lançamento do meu novo livro, darei spoilers sobre ele.

terça-feira, 9 de março de 2021

Meu poema Apenas Um Navio virou música na voz de Julinho Bittencourt

Lídia Maria de Melo

Em maio de 1982, quando eu fazia o primeiro ano do curso de Comunicação Social, habilitação Jornalismo, na UniSantos, escrevi o poema Apenas Um Navio. Na mesma época, fiz um outro, intitulado Filho de Um Estupro.
Ambos remetem às memórias de quando eu tinha 6 anos de idade e meu pai, Iradil Santos Mello, foi preso pelo regime militar em 1964, logo após o golpe de estado, simplesmente porque era sindicalista. Marcam também a atuação de minha mãe, Mercedes Gomes de Sá, para proteger e sustentar a família, materialmente e emocionalmente.
Primeiro, meu pai ficou na sede do Dops. Depois, no navio Raul Soares, que serviu de presídio político no canal do estuário do Porto de Santos, de abril a novembro de 1964. 
Acabei incluindo os dois poemas no meu trabalho de conclusão de curso (TCC), intitulado Para Não Ser Pego de Surpresa, em 1985. Dez anos depois, ou seja, em 1995, o trabalho virou livro e publiquei com o título de Raul Soares, Um Navio Tatuado em Nós. 
Em 2013, esses dois poemas foram comentados no livro Esquinas do Mundo, ensaios sobre História e Literatura a partir do porto de Santos, do jornalista e historiador Alessandro Atanes, que também os espalhou em blogs e sites (http://revistapausa.blogspot.com/2012/08/apenas-um-navio-poesia-em-estado-de.html).
Agora, em 2021, recebo a notícia de que o jornalista e músico Julinho Bittencourt criou uma melodia para meu poema Apenas Um Navio. Dessa forma, nós nos tornamos parceiros.
Quando você escutar a música Apenas Um Navio, saiba que se trata de mais um filhinho meu que escapa de meus cuidados e ganha o mundo.
Não é a primeira vez que faço uma parceria, mas é sempre como se fosse.
Se você não conhece os poemas, leia a seguir. Se já conhece, relembre:

Apenas Um Navio
   (Lídia Maria de Melo - maio de 1982)

No ano de meia quatro,
no meio do estuário,
em frente ao Porto de Santos,
o porto de minha infância,
das barcas e das catraias,
dos navios e rebocadores,
dos trens e dos armazéns,
onde os botos,
às cinco e meia da tarde,
viravam cambalhotas
enquanto as gaivotas
fisgavam peixes no mar,
avistava-se um navio
velho, preto,
ancorado
próximo à Ilha Barnabé,
que os menos informados
confundiam com um navio comum.
Mas eu e muitas crianças,
que ansiavam
para verem os pais
(confinados),
sabíamos que ele era bem mais
que um navio qualquer
e o culpávamos
pela ausência paterna
nos almoços de domingo,
pela angústia disfarçada nos olhos de nossas mães,
pela melancolia que abraçava
todas as nossas brincadeiras,
pela vontade de chorar
sem saber bem o porquê.
Nós já sentíamos tudo
e éramos tão crianças!
Só o que não entendíamos
é que o Raul Soares
era apenas um navio
e não tinha culpa de nada.
Não tinha culpa de ter virado
Instrumento repressivo
no ano de meia quatro.

.....

Filho de Um Estupro

   (Lídia Maria de Melo - maio de 1982)

O pai deste meu medo de agora
veio montado no nariz vermelho
de minha mãe
que forçava um sorriso
para ocultar
de suas crianças
no pátio da escola
o peso da repressão
(não saberia traduzir-nos
que há horas certas
para falar, pensar e discordar).
No entanto, não pôde impedir
que o montador de seu nariz
violentasse meus olhos
e me engravidasse o coração
com um pavor pulsante
que jamais poderei abortar...
E carrego comigo
cravado nos gestos
enterrado nos olhos,
com o incômodo
de uma mãe que carrega no ventre
o filho de um estupro.
 

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Anvisa faz teste de coronavírus em 75 tripulantes do navio Costa Fascinosa, no Porto de Santos, e permite desembarque

 Lídia Maria de Melo   (Texto, Fotos e Vídeo)
                                                                                                                                                          
Costa Fascinosa segue da barra para o Porto de Santos, às
17h30 do dia 28 de março de 2020. Entre os mais de
 750 tripulantes a bordo, 35 apresentavam sintomas 
de contaminação  pelo coronavírus. 
Foto: Lídia Maria de Melo
Neste domingo (5/4/2020), 75 tripulantes brasileiros receberam autorização da Anvisa para desembarcar do navio Costa Fascinosa, de bandeira italiana, que está no Porto de Santos, no litoral do Estado de São Paulo.
De 17 a 28 de março, a embarcação permaneceu ancorado na barra de Santos, com mais de 750 tripulantes a bordo.
Nove já tinham sido retirados do navio, porque apresentaram sintomas mais graves de covid-19, por contaminação do coronavírus, e foram internados em hospital da cidade.
No dia 28 de março, às 17h30, o Costa Fascinosa atracou no cais do Porto, mas os tripulantes não tiveram permissão de desembarcar.
Passaram a ser monitorados pela Anvisa, porque havia 35 contaminados a bordo. (assistam ao vídeo).



A Anvisa realizou testes rápidos em 75 tripulantes. Em função do resultado, todos foram liberados para o desembarque.
Segundo o jornal Folha Santista, a empresa Costa Cruzeiros , responsável pelo Costa Fascinosa, alguns desses tripulantes tiveram resultado positivo para o fator que indica a presença de anticorpos contra o vírus no organismo.
Esse dado é um indicativo de que superaram o contágio e estão imunes. Já outros apresentaram resultado negativo. Ou seja, não foram contaminados.    
Ainda continuam a bordo 679 tripulantes, sem poder desembarcar. Entre eles, 30 estão com a covid-19.
Uma outra embarcação se alterna entre o porto e a barra de Santos. É o MSC Seaview.

O MSC Seaview transita entre o Porto de Santos e a barra, até
 que  possa retornar para a Europa. 30 de março de 2020, às 11h30.
Foto: Lídia Maria de Melo

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Santos, 474 anos: a cidade marítima em muitas imagens

Lídia Maria de Melo (fotos e texto)

Nasci com os pés no Oceano Atlântico, embalada pelo apito dos navios e pelos mistérios que envolvem suas chegadas e partidas.
Dona do maior porto da América Latina e do time que consagrou Pelé e Neymar, Santos Futebol Clube, e sob a proteção de sua padroeira, Nossa Senhora do Monte Serrat, Santos aniversariou no último dia 26 deste janeiro quente de verão.
Completou 474 anos.
Fundada por Braz Cubas no século XVI, ocupa o posto de capital da Baixada Santista, região metropolitana formada por nove cidades: Bertioga, Guarujá, Santos, São Vicente, Cubatão, Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe.
Muitas imagens podem representá-la.
Escolhi algumas para deixar marcada minha homenagem.

Hibisco amarelo ou graxa-de-estudante, em calçada da
Rua Oswaldo Cruz,
no bairro do Boqueirão, em Santos, a uma quadra da praia.
22 de janeiro de 2020.


Arbusto de hibisco amarelo ou graxa-de-estudante, em calçada
da  Rua Oswaldo Cruz,

no bairro do Boqueirão, em Santos, a uma quadra da praia.
22 de janeiro de 2020.
Mar, céu, nuvens, Sol e edifícios, no fim de tarde em Santos.
18 de fevereiro de 2017. 

Prosa de sanhaços no terraço de apartamento
de edifício alto a uma quadra da praia,
no bairro Aparecida, em Santos. 22 de maio de 2012.
No mar da Ponta da Praia, em Santos, monumento
ao infante português Dom Henrique.
Diante da mureta branca e do quebra-mar,
Edifício Enseada, na Av. Bartolomeu de Gusmão, 180.
2 de novembro de 2016.


Sabiá na calçada de mosaico português na Ponta da Praia,
em Santos. 14 de julho de 2014.


Museu de Pesca de Santos, na Avenida Saldanha da Gama,
na Ponta da Praia. 14 de julho de 2014

Navio de carga deixa o Porto de Santos, diante
da Fortaleza da Barra Grande, localizada
no lado oposto do canal do estuário,
em terras de Guarujá.  14 de julho de 2014.


A mureta branca, um dos símbolos santistas, emoldura a
chegada de mais um navio cargueiro
na tarde de 7 de julho de 2019. 

Ao cruzar com o cargueiro que chega
ao Porto de Santos, o veleiro branco dá
a dimensão gigantesca do navio.
 Domingo, 7 de julho de 2019.


Vista dos prédios da Ponta da Praia, em Santos,
a partir da travessia do canal do Porto, vindo de
Guarujá. 24 de fevereiro de 2009. 


Ver navios é um passatempo que
santista e turista não dispensam.
Este é o Costa Romântica, em
13 de janeiro de 2007.

Este é o Costa Mágica em 16 de fevereiro de 2008,
deixando o Porto de Santos.

Lá vai o MSC Ópera, rumo ao
alto-mar, em 27 de janeiro de 2008.

Em 24 de fevereiro de 2009, o Blue Dream deixa
o Porto de Santos.


Vista do Porto de Santos a partir de uma balsa
que faz a travessia entre Guarujá e Santos e vice-versa.
4 de maio de 2014. 


O Professor Besnard permanecia ancorado
em frente ao Armazém 7 do Porto de Santos, em
22 de maio de 2014. Antes de se deteriorar,
 era usado como embarcação de pesquisa.


O Cisne Branco, veleiro da Marinha, deslumbra
quem observa da janela ou do terraço.
6 de julho de 2011.

Garças aproveitam a tarde na Ponta da Praia, em Santos,
15 de julho de 2014



segunda-feira, 7 de maio de 2018

Navio carregado de contêiner bate em três balsas no Porto de Santos. Acidente afetará travessia

Lídia Maria de Melo
Foto da balsa FB-28. Divulgação.
O navio Santos Express, abarrotado de contêineres, chocou-se lateralmente com três balsas, FB-18, FB-19 e FB-28, que fazem a travessia entre Santos e Guarujá, pela Ponta da Praia. As embarcações  estavam atracadas no ancoradouro de Guarujá, na noite de ontem (6/5), quando foram atingidas pelo navio, que entrou no canal do estuário por volta das 20h30.
O acidente não causou vítimas, segundo a assessoria da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A), que administra os serviços de travessias litorâneas de São Paulo. A frota de balsas, no entanto, sofrerá redução a partir de hoje (7/5). Somente cinco embarcações operarão no sistema.
No momento da colisão,  a FB-18 e a FB-19 estavam atracadas no píer do estaleiro, fora de operação devido ao baixo movimento naquele horário. Já a FB-28 encontrava-se em uma das gavetas de atracação, porque havia acabado de desembarcar em Guarujá os veículos procedentes de Santos.
Santos Express é um porta-contêineres que ia para o terminal portuário administrado pela empresa DP World Santos, localizado na margem esquerda do Porto, ou seja, do lado de Guarujá.
A Dersa emitiu um comunicado oficial sobre o acidente, informando que "a frota estará reduzida nos próximos dias até que os reparos sejam concluídos".
No comunicado, a empresa pede a compreensão dos usuários e orienta para que acompanhem as informações em tempo real da Travessia Santos/Guarujá e programem a viagem antecipadamente pelos canais: site www.dersa.sp.gov.br, Twitter @travessiasdersa e telefone 0800 7733 711.
A Capitania dos Portos foi acionada imediatamente após o acidente e iniciou as investigações sobre a colisão.


PRÁTICO
O que causa estranheza nesse acidente, assim como em outros que já ocorreram nesse trecho de entrada e saída do Porto de Santos, é que os navios, quando adentram ou deixam o  canal do estuário, são conduzidos por práticos teoricamente experientes, que conhecem o ponto exato por onde as embarcações devem seguir.
Na noite de ontem, as condições de visibilidade eram boas, ao contrário do que costuma ocorrer em períodos de neblina na região.
Moradores de Santos e de Guarujá que fazem a travessia de balsas diariamente não deixam de ficar assustados com mais esse acidente, provocado por navios. O que se espera é que as causas da colisão sejam apuradas e que haja fiscalização rigorosa no setor da praticagem.

OUTROS ACIDENTES
O acidente de ontem à noite (registrado no vídeo acima) não foi o primeiro do gênero registrado naquele local.
Na madrugada de 31 de julho de 2010, sob forte neblina, o navio Nena A, de bandeira panamenha, chocou-se com a FB-23, que estava no atracada do lado de Guarujá,  danificando a embarcação e o atracadouro.
O mesmo local havia passado por reformas, que custaram R$ 36 milhões, em função de avarias causadas pela colisão do navio Zhen Hua 27, de Hong Kong,  no dia 23 de julho de 2009. Nessa ocasião, o acidente danificou, além da rampa de atracação, a balsa FB-24, um veleiro e dois barcos.
Em maio de 2009, o mesmo navio chocou-se com o navio graneleiro Kyla, destruindo parte do terminal onde estava atracado no Porto de Santos e de onde se soltou devido a um temporal.

NOTA
Recebi pelo WhatsApp o vídeo e a foto acima reproduzidos. Conferi as informações com a Assessoria de Imprensa da Dersa. Porém, desconheço o nome do autor das imagens. Por isso, não pude mencionar. Reproduzo aqui o material, por considerar  de interesse público. Se o autor se identificar e autorizar o uso, incluirei o crédito. Caso não autorize, as imagens serão retiradas da postagem.   

sábado, 4 de março de 2017

Aloha! Canoas havaianas partem de Santos para o 14.º Desafio Volta à Ilha de Santo Amaro

Lídia Maria de Melo
Antes da largada, equipes rezaram e soltaram gritos de guerra e aloha
(texto e fotos)
Hoje de manhã, levei minhas sandálias havaianas para assistirem à largada do 14.º Desafio Volta à Ilha de Santo Amaro de Canoas Havaianas, na Praia da Aparecida, em frente ao Colégio Escolástica Rosa, em Santos.
Os canoístas foram para o mar às 10 horas, depois que cada equipe deu seu grito de guerra e todos os participantes, de mãos dadas, formaram um círculo, rezaram em silêncio e, por fim, soltaram em uníssono um "aloha", saudação do povo havaiano, que tem significado de "amor", "afeto", "paz", "compaixão", "misericórdia" ou, simplesmente, "olá" e "tchau".
31 equipes participam do Desafio Volta à Ilha de Santo Amaro

Largada na Praia da Aparecida, em Santos
Durante a partida, o Porto de Santos permaneceu fechado. As embarcações de grande porte, como os navios, não puderam entrar ou sair do canal portuário, para permitir a passagem das canoas de 31 equipes participantes, além dos barcos e caiaques de apoio. 
As equipes são procedentes de vários estados brasileiros (Bahia tem cinco grupos) e de países estrangeiros, como Chile e Argentina. A prova inclui categoria masculina, feminina, mista e máster.
Largada na Praia da Aparecida, em Santos
O percurso da prova tem 75 Km, com trechos de mar e rio. Cada equipe é formada por nove atletas. Seis permanecem remando na canoa e três ficam em barco de apoio, para fazerem  revezamento com os remadores. A troca de atletas é realizada com as embarcações em movimento. As remadas são ininterruptas.
Ponto de partida e chegada, Praia da Aparecida
Depois da largada na Praia da Aparecida, as canoas seguiram costeando a Ilha de Santo Amaro, passando pelas praias de Guarujá, até conseguirem alcançar o Canal de Bertioga, depois o Canal do Estuário, no Porto de Santos, e, por fim, encerrarem no ponto de partida, em Santos.
A competição é organizada pelo canoísta Fábio Paiva e conta com um extenso rol de patrocinadores.
Durante a largada, uma cena chamou a atenção. Enquanto os canoístas desafiavam as ondas com remadas incessantes, na areia da praia, sob um sol já bastante forte, o ultramaratonista Valmir Nunes arrastava outros atletas para a corrida. Cada qual com seu esporte.
Ultramaratonista Valmir Nunes, sem camisa.

Outro ponto que não passou despercebido foi o uso de drones na cobertura da competição. Ainda na  na faixa de areia, o locutor chegou a advertir para o risco de acidente entre os equipamentos.
Na foto abaixo, é possível ver um dos drones.
Drone (dentro do círculo laranja) acompanha a largada

Fábio Paiva
O organizador do Desafio Volta à Ilha de Santo Amaro, o canoísta e multimedalhista Fábio Paiva, é introdutor da canoagem oceânica no Brasil.
Eu o conheci, profissionalmente, em 1990, quando o entrevistei para o jornal A Tribuna, de Santos, onde atuei por 23 anos, de 1988 a 2011, como repórter, subeditora e editora, e para o qual ainda colaboro esporadicamente.
Paiva, que também é engenheiro, havia projetado caiaques para dois fotógrafos publicitários, Vito D´Aléssio e Renato Dutra, que participaram da expedição pioneira batizada de Projeto Xingu, em 1989. As embarcações de fibra de vidro e resina de poliéster foram desenhadas e construídas na oficina Opium Competition Ltda., que na época Paiva mantinha no Bairro do Paquetá, em Santos.
Minha reportagem sobre o Projeto Xingu saiu publicada na edição de 8 de janeiro de 1990. Veja reprodução abaixo:

Fábio Paiva desenhou e construiu os caiaques
usados no expedição Projeto Xingu





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sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Anistiados de Santos, já falecidos e ex-presos do navio Raul Soares, recebem homenagem da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça

Três anistiados santistas já falecidos foram homenageados ontem, em Santos, pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, durante sessão pública da 91.ª Caravana da Anistia, nas dependências da Universidade Católica de Santos (UniSantos), Campus Dom Idílio José Soares.

Ex-presos do navio Raul Soares, que serviu de presídio político no Porto de Santos, de abril a outubro de 1964,  os homenageados foram: Iradil Santos Mello, meu pai, diretor do Sindicato dos Operários Portuários (atual Sintraport) de 1963 a 1964, que esteve preso no Dops e no Raul Soares, foi processado e, em 1980, anistiado; Waldemar Neves Guerra, presidente do Sindicato da Administração Portuária (atual Sindaport) em 1964, também preso no navio Raul Soares, processado e mais tarde anistiado; e  José Gomes, prefeito de Santos em 1964, deposto, preso no navio Raul Soares e cassado.

Meu pai, Iradil,  foi representado por mim; Guerra, por sua filha Wilma Guerra Maransaldi; e Gomes, por sua filha Betty Gomes.

Assinada pelo presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão, a homenagem consistiu em um diploma com os dizeres: "Na 91ª. Caravana da Anistia, a Comissão de Anistia presta homenagem àqueles que têm contribuído para a causa da reparação, memória, verdade e justiça no Brasil. Para que não se esqueça. Para que nunca mais aconteça".

Embora não estivesse previsto, fiz um pronunciamento em nome das três filhas e dos três homenageados. Lembrei a importância da cidade de Santos no cenário político, econômico, trabalhista e cultural do País, o que acabou  provocando uma reação repressora contundente dos arquitetos do golpe militar já no primeiro dia do regime ditatorial. Mencionei o uso do navio Raul Soares, como presídio político e como forma de repressão. Citei Júlio de Sá Bierrenbach, então capitão dos portos, que conduziu os inquéritos envolvendo trabalhadores santistas acusados de subversão e coordenou as prisões ilegais no navio. Disse que quase todos eram portuários e sindicalistas sem antecedentes criminais.   (Ver outros artigos neste blog sobre o assunto).

Como a plateia era composta, em sua maioria, por pessoas de Brasília ou residentes no ABC paulista, que acompanhavam o julgamento do pedido de anistia e reparação de trabalhadores da Volkswagen, minhas informações sobre o que ocorreu em Santos a partir de 1964 causou impacto entre os presentes. Constatei esse fato diante dos tantos que foram conversar comigo no final e me pediram para manter contato por e-mail ou lhes enviar meu livro "Raul Soares, Um Navio Tatuado em Nós".

A anistia de meu pai foi  aprovada pelo então ministro do Trabalho, Murillo Macêdo, após ter sido concedida em junho de 1980 pela Comissão Especial instituída pela Resolução 3.008, de janeiro de 1980, conforme estabelecia a Lei nº 6683, de 28 de agosto de 1979 (regulamentada pelo Decreto 84.143, de 31 de outubro de 1979).

No despacho publicado no Diário Oficial da União, em 12 de junho de 1980, o ministro aprovou a anistia, mas não apreciou o pedido de retorno ao trabalho na Companhia Docas de Santos (já denominada Companhia Docas do Estado de São Paulo), sob alegação de que não era competência de seu ministério. Esse direito foi obtido por meio de ação judicial.
............................................
Atualizando hoje, 21 de novembro de 2105, com recorte de publicação do jornal A Tribuna, de Santos, e com texto que publiquei no Facebook.

A homenagem da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça a três ex-presos políticos do navio-presídio Raul Soares (os sindicalistas Iradil Santos Mello (meu pai) e Waldemar Neves Guerra e o ex-prefeito José Gomes) foi registrada na edição de hoje de A Tribuna.
Os três já haviam sido anistiados na década de 1980. Agradeço publicamente à colega jornalista Arminda Augusto, editora-chefe do jornal, pela atenção e divulgação.
Aproveito esta postagem para expor umas reflexões, principalmente aos da terra, que já ouviram falar sobre estes episódios: a História de Santos, incluindo o caso do navio-prisão Raul Soares, em 1964, embora de grande relevância para o cenário político brasileiro, é pouco conhecida nacionalmente e mesmo aqui na Baixada Santista.
Se há décadas falo e escrevo repetidamente sobre o mesmo assunto, é porque acredito que o slogan "Para que não se esqueça. Para que nunca mais aconteça" vale também para nós, santistas. Não escrevo, nem falo para jornalistas e militantes que já sabem (mal!) esta História.
Escrevo e falo para que acontecimentos anteriores e posteriores a 1964, envolvendo Santos, não caiam no esquecimento, ou nem sejam conhecidos.
Escrevo e falo para quem tem interesse de conhecer mais, como a maioria dos que lotavam o auditório 310 do Campus Dom Idílio da UniSantos, quinta-feira. Eram pessoas de cidades do ABC paulista, de Brasília... Muitas vieram conversar comigo após meu pronunciamento, buscando mais informações.
Naquele momento, falei sobre o mesmo tema, para que fosse possível entender por que três homens de Santos, já falecidos, foram homenageados pelo Ministério da Justiça.
O contexto da homenagem precisava ser explicado.
Escrevo e falo, e continuarei escrevendo e falando, porque acredito na Memória, na História, na Verdade e na Justiça.

domingo, 21 de junho de 2015

A bem da História e do Jornalismo, almirante comandou prisões no navio Raul Soares em 1964. Minha carta no Painel do Leitor, da Folha

A bem da História e do Jornalismo.
No dia 14 de junho,  a Folha de S. Paulo publicou a coluna intitulada "Conversa com o almirante", na qual o jornalista Bernardo Mello Franco noticia a morte do ex-ministro do STM Júlio de Sá Bierrenbach e elogia seu empenho para que o Caso Ricentro, de 1981, fosse apurado. O artigo traça o perfil de um defensor da democracia. No entanto, nada menciona sobre sua atuação como capitão dos portos em Santos, em 1964, quando coordenou o uso do navio Raul Soares como presídio político durante seis meses.
Enviei e-mail ao Painel do Leitor e esperei por três dias. Como não foi publicado, mandei outro à ombudsman Vera Guimarães Martins. Funcionou. Imediatamente, Bernardo contatou-me. Disse-me que desconhecia a história do navio-prisão Raul Soares.
Hoje, minha manifestação foi publicada no Painel do Leitor, sob o título "1964".
A versão saiu reduzida, mas eu mesma resumi, a pedido do editor da seção, que estabelece o limite de 600 caracteres com espaço.
O importante é que, mesmo no pé da coluna, minha manifestação alcançará aqueles que ainda leem jornais, impressos ou digitais, e que prezam pelo bom Jornalismo e pela História.
É certo que o almirante teve posição louvável na apuração do Caso Ricentro, ocorrido em 1981, no Rio de Janeiro. Porém, não se pode omitir que, sob seu comando, de abril a outubro de 1964, o navio Raul Soares serviu de presídio político no Porto de Santos. Essa embarcação foi considerada pela Comissão Nacional da Verdade um dos centros de tortura no Estado de São Paulo.
Bierrenbach também chefiou os interrogatórios de portuários e outros profissionais no ano do golpe militar (dentro do Inquérito Policial Militar - IPM da Orla Marítima), além de intervenções em sindicatos ligados às atividades portuárias.
Nem todas as ações seguiam os ditames da lei e da Justiça.
Na versão impressa digital, com foto, o título foi: Leitora comenta coluna sobre morte do ministro do STM.
Para ler a coluna de Bernardo Mello Franco, clique aqui.
Neste blog há vários artigos e reportagem sobre o navio. Para ler, clique aqui.
Na coluna à direita, é possível acessar quatro vídeos em que faço um depoimento à Universidade de São Paulo.

sábado, 26 de abril de 2014

1964, ano que legou ao Porto de Santos e
ao Brasil o navio-prisão Raul Soares


No dia 31 de março, fui entrevistada pelo professor César Bargo Perez no programa Urbanidades, da TV UniSantos, afiliada do Canal Brasil, para falar sobre os 50 anos do golpe militar de 1964. A meu lado estava o historiador Reinaldo Martins. Quem não conseguiu assistir, tem a chance de ver os vídeos:
(Bloco 1).


(Bloco 2)


(Bloco 3)


Embora a data do golpe de fato tenha sido 1º de abril de 1964, no último dia 31 de março, tomei parte também de uma mesa-redonda cujo tema foi: Ditadura Militar: Os 50 anos do golpe de 1964. Antes, a plateia assistiu ao documentário "O Dia que Durou 21 Anos", de Camilo Tavares.
Idealizado pelo filósofo e professor Ricardo Galvanese, o encontro ocorreu no Campus Dom Idílio José Soares da Universidade Católica de Santos (UniSantos) e contou ainda com a participação da professora e assistente social Lígia Maria Castelo Branco Fonseca e do historiador Reinaldo Martins.
Alunos e professores de vários cursos compareceram.
Também dei entrevista para o jornal A Tribuna, de Santos, que publicou reportagem sobre o navio-prisão Raul Soares. Meu nome foi citado ainda em documentário do Canal Brasil. Isso se deu porque eu cedi uma foto do navio que serviu de presídio político no Porto de Santos em 1964.
No dia 24 de abril, para lembrar os 50 anos da chegada do navio-presídio Raul Soares a Santos, o jornal A Tribuna fez nova matéria sobre o tema.
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Quem não teve oportunidade de ver em 2010, deixo aqui o depoimento (dividido em quatro partes) que dei para a USP sobre o navio Raul Soares, que foi presídio político no Porto de Santos de abril a outubro de 1964:








Acesse ainda reportagens e comentários que escrevi no link abaixo:
Golpe militar de 1964: 5 décadas depois daquele dia de 1964.

domingo, 30 de março de 2014

Golpe militar: 5 décadas depois daquele dia de 1964


Nesta segunda-feira (pela versão oficial) ou nesta terça (pela versão real), completam-se 50 anos do golpe militar de 1964, que mudou a vida do Brasil e de milhares de famílias, como a do então presidente da República João Goulart e como a minha.
Não vou repetir a história que há anos escrevo: sobre as prisões que meu pai sofreu, na sede do Dops e no navio Raul Soares, que serviu de presídio político no Porto de Santos em 1964. Deixarei os links para que o leitor possa acessar os textos anteriores.
Também postarei o link do documentário "O dia que durou 21 anos", de Flávio Tavares e Camilo Galli Tavares, que expõe claramente a conspiração dos Estados Unidos contra um governo legitimamente eleito e referendado pelo povo. Depois da renúncia do então presidente Jânio Quadros, apesar das forças contrárias, Jango tomou posse com apoio político e popular. Quando se quis implantar um regime parlamentarista, para lhe tirar o poder, um plebiscito garantiu a manutenção do presidencialismo e devolveu-lhe o comando do País.
O documentário deve ser visto por quem deseja compreender o que realmente ocorreu no período que antecedeu o golpe.
Quanto a mim, nestes 50 anos que se completam, vejo com certo receio a atmosfera que se apresenta.
Há dez anos, quando foram lembrados os 40 anos do golpe, havia uma ânsia de saber. Fiz várias palestras como convidada (do Sesc, para abrir a exposição itinerante com documentos do DOPS; da UniSantos, na Semana de Serviço Social; da Secretaria de Justiça do Estado de São Paulo, para falar aos integrantes da Comissão Estadual de Ex-Presos Políticos), escrevi matérias no jornal, fui entrevistada.
Agora, continuo sendo solicitada. Mas ouço e leio absurdos em análises feitas por pessoas que se dizem historiadoras. Fico temerosa  em relação à versão que será legada à posteridade.
A exemplo do que ocorreu em relação aos crimes dos nazistas, praticados durante a Segunda Guerra Mundial (chegaram a ser negados por quem não admitia a existência do holocausto), agora está em voga um revisionismo da história da ditadura no Brasil. Primeiro, disseram que aqui a ditadura foi "branda". Agora, alguns têm a audácia de afirmar que a ditadura só durou dez anos.
Essas ideias são absurdas (para dizer o mínimo). Só podem partir de historiadores e jornalistas de gabinete, que não sentiram na pele o que aconteceu neste País, nem souberam ouvir fontes fidedignas. Além disso, não merecem exercer essas profissões. (Brevemente, escreverei sobre o tema).
Já me estendi por demais. Aqui está o link do documentário "O dia que durou 21 anos":  http://vimeo.com/75717915

Abaixo seguem minhas postagens anteriores sobre ditadura e o navio-prisão Raul Soares:
1. Minha entrevista sobre censura e ditadura à ECA/USP (partes 1 e 2):

2. Minha entrevista sobre censura e ditadura à ECA/USP (partes 3 e 4):

3. Comissão da Verdade inclui Raul Soares na relação dos centros de tortura do Estado de São Paulo:
http://lidiamariademelo.blogspot.com.br/2013/05/comissao-da-verdade-inclui-raul-soares.html

4. Ditadura não começou com o AI-5, mas em 1º de abril de 1964:

5. 41 anos do AI-5 e o navio Raul Soares:

6. Há 48 anos o navio Raul Soares virava prisão no Porto de Santos:

7. TV Tribuna exibe reportagem sobre navio Raul Soares, prisão flutuante da ditadura:


9. O arquivo secreto do Dops:

10. Ser omisso é ser cúmplice (entrevista que fiz com Celso Lungaretti):
http://lidiamariademelo.blogspot.com.br/2011/03/celso-lungaretti-ser-omisso-e-ser.html




13. Anistia:

14. Thomas Maack, médico e preso do Raul Soares:
http://movebr.wikidot.com/maackt:navio-prisao

15. Raul Soares, Um Navio Tatuado em Nós:
http://www.novomilenio.inf.br/santos/h0181b.htm

16. Comissão da Verdade investiga o navio-prisão Raul Soares:

17. A tortura no porto de santos:
18. As homenagens que Narciso de Andrade me fez:
http://lidiamariademelo.blogspot.com.br/2013/09/as-homenagens-que-narciso-de-andrade-me.html

19. Assassinato de Vladimir Herzog completa 38 anos:
http://lidiamariademelo.blogspot.com.br/2013/10/assassinato-de-vladimir-herzog-completa.html

20. Vladimir Herzog: a justiça nas mãos de dois juízes chamados Márcio:
http://lidiamariademelo.blogspot.com.br/2012/09/vladimir-herzog-justica-nas-maos-de.html

21. Ditadura militar: uma história invertida
http://lidiamariademelo.blogspot.com.br/2010/01/ditadura-militar.html

22. As abomináveis ditaduras
http://lidiamariademelo.blogspot.com.br/2010/02/as-abominaveis-ditaduras.html

23. Para não perder a referência histórica:
http://lidiamariademelo.blogspot.com.br/2010/10/para-nao-perder-referencia-historica.html

24. E-mail veicula informação falsa sobre a ministra Dilma Rousseff
http://lidiamariademelo.blogspot.com.br/2010/03/e-mail-veicula-falsa-informacao-sobre.html

25. Vinte anos da anistia:
http://lidiamaria.melo.zip.net/arch2006-08-01_2006-08-31.html#2006_08-28_13_34_23-102131659-27

26. Raul Soares (Parecer atestou tortura)

27. O que vivemos hoje é fruto do que aconteceu antes
http://lidiamariademelo.blogspot.com.br/2011/05/o-que-vivemos-hoje-e-fruto-do-que.html