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terça-feira, 24 de agosto de 2021

Morte de Charlie Watts me faz lembrar do show dos Rolling Stones em S. Paulo, no Pacaembu, em 1995

 Lídia Maria de Melo
Fotos do meu acervo

Hoje, acordei muito cedo, mas só no início da tarde ouvi a notícia. "Charlie Watts morre aos 80 anos". Logo, pensei: os Rolling Stones nunca mais serão os mesmos. Imediatamente, lembrei-me do show Voodoo Lounge, a que tive o privilégio de assistir, junto com minha irmã, no Estádio do Pacaembu, em 28 de janeiro de 1995, um sábado, que começou chuvoso, mas terminou estrelado, ao som do rock da banda mais aclamada da história.

O público aplaudiu cada um dos Stones, mas o baterista Charlie Watts foi ovacionado por longos minutos. Os aplausos eram contínuos. Emocionado, ele se levantou, curvou-se, em reverência, e fez um gesto com as mãos e uma expressão facial, como se perguntasse: “Por que eu?”. A banda inglesa tinha quatro estrelas de primeira grandeza, mas Charlie Watts encarnava a elegância dos lordes.

Em 18 de abril de 2020, também um sábado, quando o mundo começava a tentar sobreviver ao coronavírus, os Rolling Stones marcaram presença no festival virtual Together at Home. Dessa vez, cada um em sua casa, cantando e tocando You Can’t Always Get What You Want. De novo, Charlie Watts foi destaque. Quando apareceu no quadrado destinado a sua imagem, tinha duas baquetas nas mãos, mas atuou como um menino que sonha um dia ser baterista. Tocou um instrumento imaginário, fazendo do braço de uma poltrona o grande prato de sua batera. Um gentleman! Um verdadeiro lorde!

Em outras ocasiões, escrevi sobre o show de 1995. Hoje, não há como deixar de repetir.

O show Voodoo Lounge, dentro da programação Hollywood Rock, seria no Morumbi, mas o estádio não foi liberado. Então, transferiu-se para o Pacaembu, que é menor. Assim, em vez de duas apresentações, houve necessidade de três, nos dias 27, 28 e 30 de janeiro de 1995. O ingresso deveria ser trocado. Quem não fez isso, como eu e minha irmã, foi obrigado a comprar outro, ou deixou de ver o show.

Nós compramos outros ingressos. Fomos no segundo dia. Minha irmã havia perdido a oportunidade de assistir ao show dos Stones em Praga. Dessa vez, ela não admitia perder de novo. Por nada, neste mundo.

Fomos cedo para São Paulo, em um ônibus de uma agência de turismo. Pegamos fila e chuva. Compramos capas de plástico transparente e com capuz. Quando abriram os portões, tivemos que depositar o ingresso na catraca. Não havia devolução. Como eu e minha irmã tínhamos os que deveriam ser trocados, pudemos guardar esses de lembrança.

O primeiro show em São Paulo foi realizado na sexta-feira, mas a chuva atrapalhou. Testemunhamos o da noite de sábado. Para nós, o melhor.

Antes dos #Stones nos encantarem indescritivelmente, subiram ao palco Barão Vermelho, Spin Doctors e Rita Lee, o tempo todo maravilhosa e surpreendente. Na execução de "Miss Brasil 2000", a roqueira brasileira teve a companhia de uma modelo, com cetro, coroa e um manto, que, aberto, exibiu rapidamente a total nudez da moça sob a veste.

Houve fogos de artifícios, telões, o dirigível da Pepsi sobrevoando-nos e artistas brasileiros entre o público, como Arnaldo Antunes, Paulo Ricardo e Luciana Vendramini. E, óbvio, muito, mas muito rock 'n' roll, por conta do rebolante e simpático Mick Jagger, do psicodélico Keith Richards, do caçula Ron Wood e do elegante Charlie Watts.

Não temos fotos, nem gravações da turnê Voodoo Lounge, porque máquinas eram proibidas. O melhor, como costuma dizer minha irmã, está registrado na memória. E eu digo, no coração também. Valeu, Charlie Watts. Muito obrigada. Para sempre. 


#therollingstones   #charliewatts  #mickjagger  #keithrichards  #ronwood  #rocknroll 

terça-feira, 9 de março de 2021

Meu poema Apenas Um Navio virou música na voz de Julinho Bittencourt

Lídia Maria de Melo

Em maio de 1982, quando eu fazia o primeiro ano do curso de Comunicação Social, habilitação Jornalismo, na UniSantos, escrevi o poema Apenas Um Navio. Na mesma época, fiz um outro, intitulado Filho de Um Estupro.
Ambos remetem às memórias de quando eu tinha 6 anos de idade e meu pai, Iradil Santos Mello, foi preso pelo regime militar em 1964, logo após o golpe de estado, simplesmente porque era sindicalista. Marcam também a atuação de minha mãe, Mercedes Gomes de Sá, para proteger e sustentar a família, materialmente e emocionalmente.
Primeiro, meu pai ficou na sede do Dops. Depois, no navio Raul Soares, que serviu de presídio político no canal do estuário do Porto de Santos, de abril a novembro de 1964. 
Acabei incluindo os dois poemas no meu trabalho de conclusão de curso (TCC), intitulado Para Não Ser Pego de Surpresa, em 1985. Dez anos depois, ou seja, em 1995, o trabalho virou livro e publiquei com o título de Raul Soares, Um Navio Tatuado em Nós. 
Em 2013, esses dois poemas foram comentados no livro Esquinas do Mundo, ensaios sobre História e Literatura a partir do porto de Santos, do jornalista e historiador Alessandro Atanes, que também os espalhou em blogs e sites (http://revistapausa.blogspot.com/2012/08/apenas-um-navio-poesia-em-estado-de.html).
Agora, em 2021, recebo a notícia de que o jornalista e músico Julinho Bittencourt criou uma melodia para meu poema Apenas Um Navio. Dessa forma, nós nos tornamos parceiros.
Quando você escutar a música Apenas Um Navio, saiba que se trata de mais um filhinho meu que escapa de meus cuidados e ganha o mundo.
Não é a primeira vez que faço uma parceria, mas é sempre como se fosse.
Se você não conhece os poemas, leia a seguir. Se já conhece, relembre:

Apenas Um Navio
   (Lídia Maria de Melo - maio de 1982)

No ano de meia quatro,
no meio do estuário,
em frente ao Porto de Santos,
o porto de minha infância,
das barcas e das catraias,
dos navios e rebocadores,
dos trens e dos armazéns,
onde os botos,
às cinco e meia da tarde,
viravam cambalhotas
enquanto as gaivotas
fisgavam peixes no mar,
avistava-se um navio
velho, preto,
ancorado
próximo à Ilha Barnabé,
que os menos informados
confundiam com um navio comum.
Mas eu e muitas crianças,
que ansiavam
para verem os pais
(confinados),
sabíamos que ele era bem mais
que um navio qualquer
e o culpávamos
pela ausência paterna
nos almoços de domingo,
pela angústia disfarçada nos olhos de nossas mães,
pela melancolia que abraçava
todas as nossas brincadeiras,
pela vontade de chorar
sem saber bem o porquê.
Nós já sentíamos tudo
e éramos tão crianças!
Só o que não entendíamos
é que o Raul Soares
era apenas um navio
e não tinha culpa de nada.
Não tinha culpa de ter virado
Instrumento repressivo
no ano de meia quatro.

.....

Filho de Um Estupro

   (Lídia Maria de Melo - maio de 1982)

O pai deste meu medo de agora
veio montado no nariz vermelho
de minha mãe
que forçava um sorriso
para ocultar
de suas crianças
no pátio da escola
o peso da repressão
(não saberia traduzir-nos
que há horas certas
para falar, pensar e discordar).
No entanto, não pôde impedir
que o montador de seu nariz
violentasse meus olhos
e me engravidasse o coração
com um pavor pulsante
que jamais poderei abortar...
E carrego comigo
cravado nos gestos
enterrado nos olhos,
com o incômodo
de uma mãe que carrega no ventre
o filho de um estupro.
 

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Mosaico de vivências. Ney Matogrosso me deu um autógrafo em 1985. Roberto Drummond também.

       Lídia Maria de Melo
Ingresso do show de Ney Matogrosso no Rio, em 17/1/1985.
Tenho paixão pela preservação da memória. Para mim, o mundo é um mosaico de vivências, assim como cada um de nós.
Somos compostos pelos pedacinhos do caminho que percorremos e construímos ao longo da vida.
 Em 17 de janeiro de 1985, no Circo Tihany, no Rio de Janeiro, assisti ao show Destino de Aventureiro, de Ney Matogrosso, acompanhado pela banda Placa Luminosa. A direção era de Jorge Fernando e a cenografia, de Américo Issa.
O ingresso, em frente e verso, está reproduzido em fotos aqui nesta página. Reparem no preço do ingresso: Cr$ 15.000,00 (quinze mil cruzeiros).
No ingresso, de número 97, aparecem também os nomes dos patrocinadores e o número do portão de entrada: 3.
O show de duas horas começou com a música Rei das Selvas. Ney apareceu se equilibrando em trapézio, bastante alto, e vestido de Tarzan, ou seja, apenas com uma tanga minúscula e uma pena de gavião enfeitando a cabeça. Quando entoou Cobra Manaus, ele fazia movimentos com o corpo, dançando, que parecia uma cobra mesmo.
Uma música atrás da outra, o público cantava junto. Entre elas, Coração Civil e Rosa de Hiroshima fizeram a emoção falar alto. O espetáculo terminou, com bis, ao som de Pro Dia Nascer Feliz. 
Após a apresentação, eu e minhas colegas congressistas (estávamos em um congresso de literatura) fomos ao camarim de Ney.
Autógrafo de Ney Matogrosso no verso do ingresso. 1985
Fiquei surpresa com ele, que de perto, envolto em uma toalha pela cintura, era tão miúdo. No palco, parecia um gigante.
Quem estava no camarim, também para cumprimentá-lo, era a atriz Tânia Alves.
Acabamos ganhando um autógrafo e outro ingresso para um show dele em Curitiba, no Teatro Guaíra, em 23 de março.
Não fui, mas guardei para sempre, em uma lata estilizada do perfume e sabonete Acqua Fresca, do Boticário.
Esse mesmo show foi apresentado na abertura do Rock in Rio no dia 11 de janeiro, na semana anterior.
Ingresso para o show em Curitiba.
A ditadura militar chegava ao fim.
Dois dias antes, em 15 de janeiro de 1985, o colégio eleitoral do Congresso Nacional havia escolhido Tancredo Neves para substituir o general João Batista de Oliveira Figueiredo na Presidência da República. O candidato vencido foi Paulo Maluf, candidato do governo militar.
No dia 16, conheci o jornalista e escritor Roberto Drummond, que autografou o exemplar de seu livro Sangue de Coca-Cola, que comprei no congresso de literatura do qual eu participava em uma faculdade de Bonsucesso.
Drummond me convidou para almoçar com ele em Belo Horizonte, quando eu voltasse a Minas Gerais, durante minhas viagens a Ouro Preto.
Infelizmente, nunca concretizei esse convite.
Ele esteve em Santos, para lançar seu último livro, O Cheiro de Deus. Escrevi sobre sua obra, mas não o encontrei dessa vez.
Seu livro mais famoso foi Hilda Furacão, que acabou virando minissérie da Globo.
Drummond morreu em 21 de junho de 2002, após escrever uma crônica sobre o jogo Brasil X Inglaterra na Copa do Brasil, que aconteceria de madrugada. Era um apaixonado por futebol. Escrevi sobre isso neste blog e em um artigo publicado no jornal A Tribuna.
Leia e veja a foto do autógrafo que ele me deu, clicando aqui.

domingo, 16 de abril de 2017

Sob o sol, na areia da praia, na beira do mar, o ritmo da felicidade

Sábado de Aleluia, Praia das Astúrias, Guarujá.
Sol a pino, o som de um samba se sobrepõe ao barulho das ondas e às conversas das pessoas sentadas sob guarda-sóis, bebericando ou petiscando.
Um grupo entra no ritmo com palmas. Um casal dança, em trajes de banho, como em um salão.
Ele, um negro gordo, de meia idade, sorridente.
Ela, uma mulher branca, gorda, também sorridente e idade em torno de 60 anos.
Ambos dão show, sob aplausos.
A música sai ampliada de uma caixa de som portátil.
Depois que vão embora, levando a caixa, um outro equipamento exatamente igual entra em ação na barraca de uma família.
Quando toca um samba sobre mulheres dançando, uma senhora começa a se requebrar, sendo seguida por outras três, bem mais jovens. Todas, descontraídas e risonhas, também recebem aplausos do público ao redor.
Observo que são do interior e felizes. Felizes, por estarem na praia, por estarem perto do mar.
Nós, que somos do litoral, temos que aprender com eles.
Viver ao lado do mar deveria ser motivo mais do que suficiente para ser feliz, agradecer, cantar e dançar.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Música "Alouette", de Denise Emmer,
retrata o amor de Romeu e Julieta

Na Cena V de Romeu e Julieta, de William Shakespeare, a jovem e bela filha dos Capuletos tenta impedir que seu amado, da família Montecchio, arqui-inimiga da sua, parta para o exílio e a deixe só em seu quarto, depois de terem se casado secretamente e vivido uma noite de amor.
Quando Romeu desperta com o canto de um pássaro, Julieta insiste que o gorjeio fora de um rouxinol. Ela argumenta que todas as noites a ave canta na romãzeira do jardim. Romeu rebate: "Era a cotovia, mensageira da aurora, e não o rouxinol".
O jovem amante, que se esconde da guarda, mostra que a claridade já aponta no horizonte. Ela nega que aquela luz longínqua anuncie o raiar do dia.
Essa passagem do trágico romance do casal de Verona é retratada na música Alouette, da compositora e escritora Denise Emmer, filha de Janet Clair e Dias Gomes. A letra da canção, tema da novela Pai Herói, da Rede Globo, foi escrita em francês.
Sem mencionar os personagens shakespearianos, a música fala de um amor que está além do entendimento do mundo. Os indicativos de que se trata do diálogo entre Romeu e Julieta são: o título que, na tradução do francês para o português, significa cotovia; a menção ao rouxinol; a citação de que a noite ainda reina, como forma de argumento para que ele não se vá; e a menção à claridade do dia.
A letra é uma intertextualidade bastante poética, mas, mesmo conhecendo a obra de Shakespeare, nem todos fazem a associação imediata entre a música e a peça, que foi representada pela primeira vez em 1596.
Ei-la com a tradução:

Alouette (Cotovia)


Mon amour (Meu amor,)
Je vois la lune briller ( eu vejo a lua brilhar)
Pourquoi tu vas maintenant partir? (Por que você vai partir agora?)
Là-bas la nuit encore (Ali adiante a noite ainda)

C'est la reine du monde (é a rainha do mundo)
Reste plus une seconde  (Fique mais um segundo)
Reste plus une seconde  (Fique mais um segundo) 
Viens avec moi    (venha comigo)

La lumière du jour (A luz do dia)
Nous découvrira     (nos descobrirá)
et seulement la nuit nous cachera (e somente a noite nos protegerá)
C'est l`amour impossible (É o amor impossível)

Que le monde n'entend rien (sobre o qual o mundo não entende nada)
Reste plus un moment, reste plus un moment (fique mais um momento, fique mais um momento)
Reste avec moi (fique comigo.)
Alors tu t'es trompé (Então, você está enganado) 

Il a eté le rossignol (Foi o rouxinol)
Qui t'a fait réveiller (que o fez despertar)
Mais non l'allouette (mas não a cotovia)
Que porte pour nous le jour (que traz para nós o dia)

Reste plus une seconde (Fique mais um segundo)
Oublie le monde, (Esqueça o mundo)
Viens avec moi. (Venha comigo)

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Vida longa ao Chico, um patrimônio nacional

Hoje, um brasileiro chamado Chico Buarque de Hollanda completa 70 anos.
Ele fez parte de nossas vidas e falou por nós em um período crucial para o Brasil. 
Desde que eu era uma menininha, aprendi a admirar sua música. Escrevia as letras em uma cadernetinha, para poder cantar aquelas letras quilométricas e belas. Literatura pura. 
Publico aqui a página 31 de meu livro "Raul Soares, Um Navio Tatuado em Nós", onde retrato a importância desse patrimônio nacional. 
Vida longa ao Chico! Embora ele já seja imortal.

sábado, 19 de outubro de 2013

Melodia de "Aquarela" foi emprestada de
uma outra música de Vinícius e Toquinho

Lídia Maria de Melo
Quando  "Aquarela" foi  lançada em 1982, pensei que Vinícius de Moraes (morto em 1980) e Toquinho tinham plagiado a si mesmos.
Assim que ouvi a música, achei que a melodia era igual à de "Uma rosa em minha mão", de 1974.
Nunca li ou ouvi nada a respeito na imprensa. Nunca vi nenhuma entrevista, mencionando a semelhança. Nenhuma pessoa do meu convívio fez qualquer tipo de comentário a esse respeito.
Então, deixei para lá.
"Aquarela" fez muito sucesso e ainda se mantém no acervo musical ativo. Merecidamente, porque é uma obra-prima. Já "Uma rosa em minha mão" foi aos poucos deixando de ser executada e caindo no esquecimento. Parece até que nunca existiu.
Hoje, finalmente, descobri que meu ouvido tinha razão. 
Em seu site, Toquinho conta que usou mesmo a melodia de "Uma rosa em minha mão" (trilha da novela Fogo sobre terra, da Rede Globo) na composição da primeira parte de "Aquarela", que, além de Vinícius, teve também a parceria dos italianos Maurizio Fabrizio e Guido Morra.
Como é bom comprovar que intuição é muito mais que um simples palpite!
Ouça Aquarela:




E perceba Uma Rosa em Minha Mão:




quinta-feira, 18 de abril de 2013

Monteiro Lobato, esta canção eu lhe ofereço de todo coração. Assim cantou Meire Pavão

Lídia Maria de Melo
Há 131 anos, nascia o pai da Emília, do Pedrinho, da Narizinho, da Dona Benta, da Tia Nastácia, do Visconde de Sabugosa e do Marquês de Rabicó. O sobrancelhudo José Bento Renato Monteiro Lobato.
Quando eu era pequena, o maestro Theotônio Pavão compôs a música "Monteiro Lobato" em homenagem ao escritor e criador do Sítio do Pica-pau Amarelo. Teve como parceiro o seu filho Albert Pavão, cujo nome verdadeiro é Carlos Alberto.
A canção foi gravada em 1968 pela filha do maestro, Meire Pavão (Taubaté, 2/6/48- Santos, 1º./12/2008), que é citada na música Festa de Arromba, de Roberto e Erasmo Carlos, e que passou a viver em Santos, após ter feito muito sucesso como cantora.
Abaixo, estão aqui a letra da música e o vídeo que editei com a gravação de Meire Pavão, de 1968, gentilmente cedida por Albert Pavão.


Monteiro Lobato

(Composição de Theotônio Pavão e Albert Pavão; Interpretação de Meire Pavão)

Certa noite eu tive um sonho
Foi um sonho muito belo
Eu sonhei que estava no Sítio
do Pica-pau Amarelo.
Numa casa toda branca
entre o Ribeirão e o mato
encontrei os personagens
das histórias de Lobato.

Refrão
Monteiro Lobato esta canção
eu lhe ofereço
de todo coração.

Encontrei a bonequinha
que se chamava Emília.
Muito alegre e bonitinha,
era parte da família.
E aquela menininha
Narizinho arrebitado
que esteve de namoro
com o Príncipe Escamado.

Refrão...

O porquinho assanhado
que andava rococó
tinha o nome engraçado
de Marquês de Rabicó.
Era feito de sabugo
aquele contador de prosa,
magro, feio e narigudo,
Visconde de Sabugosa.

Refrão...

Que saudade do Pedrinho
que montava o Pangaré,
do Besouro de Bengala
que fazia cafuné.
Tinha até Burro Falante
e Aranha Costureira,
Gato Félix imigrante,
Carochinha fofoqueira.

Refrão...

Conheci Tia Nastácia
a fazer pé de moleque,
Dona Benta costurando
e os demais pintando o sete
acordei muito contente
e prometi de coração
ao Lobato onipresente
oferecer esta canção.

Veja mais sobre Meire Pavão neste link.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Análise: anúncio publicitário fala de Jimi Hendrix e Janis Joplin em alerta contra drogas

(Atenção:  Na análise abaixo,  foi mantida a grafia da época, 1970, nas citações aspeadas do texto da Agência Alcântara Machado. Por isso, algumas palavras recebem acentos que não fazem parte das regras ortográficas atuais)
                                                                               Lídia Maria de Melo

Anúncio da agência Alcântara Machado
publicado em outubro de 1970 nos veículos
brasileiros de  circulação nacional
Em outubro de 1970, a Agência Alcântara Machado publicou em jornais e revistas de circulação nacional um anúncio em que lamentava a morte de Jimi Hendrix, “gênio da guitarra”, e da cantora Janis Joplin, a “estrêla do soul”. Ambos, vítimas das drogas.
 O texto era um alerta para o perigo do vício que matava cada vez mais naqueles finais de anos 60 e início dos 70. Na época, os jovens rejeitavam o mundo dos negócios e, ao mesmo tempo, exaltavam o lema “paz e amor” e a filosofia “sexo, drogas e rock ‘n’ roll”.
A agência queria sensibilizar a juventude, para que não se iludisse com as falsas sensações provocadas pelos entorpecentes (“fuja dos traficantes”) e não alimentasse “o mais sujo negócio do mundo”.
Com ritmo ligeiro, devido às frases curtas e, quando longas, bem-pontuadas, o anúncio assume um discurso emotivo e confessional desde o início. Essa característica fica evidente pelo emprego da primeira pessoa:  “Estamos chorando por eles”; “Somos uma emprêsa ìntimamente ligada à comunicação”.
Depois, com linguagem referencial, enaltece as qualidades da juventude (“Porque eles são um sôpro de vida no cansaço do mundo”; “Porque eles são côres, vida, amor, liberdade”)  e propõe uma aliança (“...estamos colocando nossa arma  - o anúncio – a serviço de todos os Jimmys e Janis dêste País”).
Na sequência, utiliza a função conativa ou apelativa, para aproximar-se dos jovens leitores e aconselhar: “Não deixem que as drogas os levem para sempre do mundo que vocês querem esquecer”. Mas explica: “Sem vocês, êsse mundo fica ainda maior”.
As justificativas prosseguem nos parágrafos seguintes, em tom argumentativo:  “...você, que tem um sereno desprezo pelo ‘mundo dos negócios’, estará alimentando o mais sujo negócio do mundo: drogas”. Até que um desafio é lançado: “Viva o suficiente para tentar mudar o mundo que lhe demos”.
Embora volte à função referencial, o texto disfarça um tom apelativo, usando um eufemismo, para evitar mencionar de novo  a palavra morte: “Ninguém faz nada nem muda nada embaixo de um túmulo”.
Numa tentativa de aliança e linguagem compreensiva, a agência barganha: “Preferimos ver você levantando os braços na ilha de Wight, do que baixá-los para morrer”.
No final, surgem os verbos no imperativo, característicos da função conativa, mas não como ordens, que os jovens rejeitariam, mas como conselho  e apelo definitivos: “Não morra por nada. Não vale a pena. Ou, para usar nossa linguagem: é um mau negócio”. Ou seja, o texto coloca o jovem em pé de igualdade com o mundo que ele rejeita: o dos negócios. Só que os maléficos.

Durante todo o tempo, o anúncio contrapõe a linguagem e a ideologia do jovem da época com a dos mais velhos, para reafirmar sua mensagem aos primeiros.
Além do eufemismo mencionado mais acima, a agência emprega outras figuras de linguagem, como a metáfora  (“..seríamos um punhado de cifras, alienado e sem calor”, “Porque eles são côres, vida, amor, liberdade”); a aliteração (“vazio de vida”), a metonímia (“Porque o mundo só é rico no coração dos jovens”), a antítese (“Preferimos ver você levantando os braços na ilha de Wight, do que baixá-los para morrer”) e a prosopopeia (“Não deixem que as drogas os levem para sempre que vocês querem esquecer”).
Alguns erros também são observados.  O nome do guitarrista, por exemplo, está escrito como Jimmy, quando o correto é  Jimi. A idade dele e a de Janis aparecem como  24 anos e 26, respectivamente. Os dois, no entanto,  tinham 27 e já se aproximavam dos 28. Atualmente, eles são mencionados como integrantes do Clube dos 27, ou seja, dos ídolos do universo musical que morreram com essa idade. A mais recente foi a cantora Amy Winehouse, encontrada morta em 23 de julho de 2011, em Londres.

Quando menciona a Ilha de Wight, a correlação entre verbo e  preposição não é adequada. Se o verbo "erguer" é conjugado no gerúndio, o "baixar" também deveria ser flexionado nessa forma. Assim: “Preferimos ver você levantando os braços na Ilha de Wight do que os baixando para morrer”. 
Como o verbo "preferir", pela norma culta da linguagem, é regido pela preposição "a" e não pela locução conjuntiva "do que", a agência deveria recorrer a outra frase. Pode ser que ela tenha assumido a locução, porque é mais coloquial e o modo formal soaria distante do receptor jovem.
Na frase “Sem vocês, êsse mundo fica ainda pior”, o pronome demonstrativo está errado. O correto seria “este”, do mesmo modo como foi usado “deste” em outra frase: “... a serviço de todos os Jimmys e Janis dêste País”.
Quanto à acentuação, aparecem os circunflexos diferenciais (“êles”, “êsse”, “côres”, “emprêsa”, “estrêla”) e o acento grave na palavra derivada “ìntimamente”. Em outubro de 1970, data da publicação do texto, ainda vigoravam as regras de 1942. Somente em dezembro de 1971 foi assinada reforma ortográfica que extinguiu os acentos diferenciais e o grave (quando usado nos vocábulos derivados de outros acentuados com o agudo). Essas regras passaram a valer em  janeiro de 1972.

Em termos de apresentação, a agência substituiu o título por fotos de Jimi Hendrix e Janis Joplin, porque as imagens têm mais apelo, já que ambos eram ídolos de uma geração.
Não fosse pela rejeição que os jovens dos anos 60 tinham pelo mundo dos negócios e que os de hoje não têm, esse texto da Agência Alcântara Machado seria totalmente atual. Bastaria trocar os nomes de Jimi e Janis pelos de Michael Jackson e Amy Winehouse, por exemplo, e corrigir a acentuação.
Ninguém diria que foi escrito há mais de quatro décadas.
Leia mais em:

sábado, 4 de agosto de 2012

O drama de ter um familiar esquizofrênico.
O que fazer em um momento de crise?

A sexta-feira, 3, dia de Santa Lídia, não foi de proteção para a família de André Canônico, integrante da banda de forró Falamansa. O irmão do músico, Mauro Canônico, de 37 anos e portador de esquizofrenia, matou a mãe, Ana Sudária Canônico, de 59 anos, com um golpe no pescoço.
A tragédia me trouxe à mente o artigo "Uma lei errada", do poeta Ferreira Gullar, publicado na Folha de S. Paulo, em 12 de abril de 2009, e a entrevista que ele concedeu à revista Época de 29 de maio de 2009.
O desabafo do poeta contra a lei da reforma psiquiátrica (nº 10.216/2001), de autoria do deputado Paulo Delgado e que impede a internação de doentes mentais em manicômios, causou polêmica entre profissionais que lidam com pacientes portadores dessa doença e defendem o tratamento domiciliar em vez do manicomial.
Em 2009, a TV Globo exibia a novela Caminho das Índias, de Glória Perez, que apresentava dois personagens esquizofrênicos: Tarso Cadore (vivido por Bruno Gagliasso) e Ademir (interpretado por Sidney Santiago). Por isso, o tema estava mais em voga entre a população em geral.
Ferreira Gullar, no entanto, não abordou o assunto por causa da novela. Mas porque teve sua vida e a de sua família afetadas pela doença. Ele é pai de dois esquizofrênicos. Um deles, falecido há 20 anos. O outro, que ainda enfrenta crises recorrentes.
A reportagem publicada na Época traz também o relato de uma mãe que insistentemente tentou internar a filha de 15 anos no Hospital das Clínicas, por orientação da médica dela. As tentativas foram vãs. Não havia vagas. Um dia, a menina conseguiu pôr fim à vida.
Os comentários à matéria publicada no site da revista expõem dramas diários de pessoas que convivem com portadores da doença. Alguns criticam quem faz as leis, afirmando que os autores não conhecem suficientemente essa realidade. Outros argumentam que não basta se pautar por teorias contra os manicômios, como as importadas de Bolonha, na Itália.
Eles defendem a implantação de um sistema eficiente de atendimento. Assim, o paciente mental terá assistência médica necessária quando estiver em crise, porque nem sempre a família é capaz de lidar com essa situação ou impedir que ele atente contra a própria vida ou a de outra pessoa.
Também em 2009, Alessandro Aleixo, considerado esquizofrênico, agrediu o designer Henrique de Carvalho Pereira, de 22 anos, com taco de golfe dentro de uma livraria na Avenida Paulista, em São Paulo. Após dez meses em coma, o rapaz morreu.
Ontem de manhã, a mãe de Mauro Canônico telefonou para o ex-marido, dizendo que temia a agressividade excessiva do filho. Às 14 horas, o pai do rapaz chegou à casa deles. Era tarde. A ex-mulher já estava morta.
O que é preciso fazer para evitar uma situação dessas?
*Leia matérias citadas acima nos seguintes links:
Irmão de músico do Falamansa mata a mãe;
Artigo de Ferreira Gullar publicado na Folha;
Entrevista de Ferreira Gullar à Época link1;
Ferreira Gullar - revista Época link2;
Mãe tenta em vão internar a filha link3;
Caminho das Índias - esquizofrenia;
Homem agride rapaz em livraria;

sábado, 23 de julho de 2011

Amy Winehouse, idade macabra: 27 anos.
Hoje começa a nascer um mito

Amy Winehouse em 2007
Wikipédia/David Shankbone
Em 1970, quando eu tinha apenas 13 anos de idade, um texto publicitário no Jornal da Tarde me chamou a atenção.
Começava mais ou menos assim: "Jimi Hendrix, gênio da guitarra, 27 anos, morto por drogas. Janis Joplin, rainha do soul, 27 anos, morta por drogas".  
Era um manifesto de alerta para o perigo do vício que matava cada vez mais os jovens daqueles finais de anos 60 e início dos 70. (Leia abaixo matéria da revista Veja de 14 de setembro de 1970).
A vida seguiu em frente e outros nomes famosos, além de Janis (19/1/1943 - 4/10/1970) e  Jimi (27/11/1942 - 18/9/1970), entraram para o rol dos mortos aos 27 anos: Jim Morrison (8/12/1943 - 3/7/1971) e Kurt Cobain (20/2/1967 - 5/4/1994).
Revista Veja - 14/10/1970
Clique na imagem para  ler
Um ano antes de Janis e Jimi, o ex-rolling stones Brian Jones (28/2/1942) também teve morte misteriosa em 3 de julho de 1969. A mesma idade. 
Hoje, em Londres, mais uma personalidade do mundo da música foi incorporada à lista macabra: Amy Winehouse, 27 anos, um dos maiores talentos do pop recente, morta, muito provavelmente, por drogas.
A causa exata ainda não foi oficialmente confirmada. Apesar do uso de drogas, a cantora sofria também de arritmia cardíaca.
Amy nasceu em 14 de setembro de 1983. Trazia a bebida no nome. Wine é vinho. House, casa. Vinho da casa. Casa de vinho. Adega.
Revista Veja - 14/10/1970
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A moça de visual excêntrico e de voz marcante, que mereceu elogio da nossa Gal Costa no Twitter (ver reprodução abaixo) e era filha de uma mulher coincidentemente chamada Janis, fez show no Brasil em janeiro deste ano.
No Rio, hospedou-se em um hotel de Santa Tereza, ao contrário das outras estrelas que costumam vir ao Brasil e marcam presença no Copacabana Palace.
Na minha cabeça, ficou a imagem dela passeando com Ronnie Wood, guitarrista dos Rolling Stones, nas dependências do hotel e debruçada num terraço.
Do lado de fora, fãs com os olhos pintados ao estilo da cantora e compositora. Na semana passada, esse mesmo hotel foi assaltado e me lembrei dela.
Veja - 14/10/1970
Apesar de ser considerada uma das maiores revelações do pop moderno, Amy não conseguiu produzir mais que dois álbuns (ouça abaixo). 
O primeiro foi lançado em 2003 e o segundo, em 2008. Por esse último trabalho, ela conquistou cinco Grammy (Canção do Ano, Gravação do Ano, Artista Revelação, Melhor Álbum Vocal Pop, Melhor Performance Vocal Pop Feminina), embora não tenha chegado a  viajar aos Estados Unidos para receber os prêmios.
Gal elogia Amy no Twitter
2/12/2010-clique para ampliar 
Seus problemas com o álcool e com as drogas a impediram de terminar o terceiro disco. Muitos de seus shows foram cancelados porque ela não tinha condição física de subir ao palco.
Imagino que agora, com sua morte, comece a nascer o mito Amy Winehouse.
Sobre a coincidência do 27 na vida dos artistas citados, a numerologia diz que esse número significa transição para uma próxima fase. 
Já o 9 (soma dos dois algarismos) é considerado o número de Deus, múltiplo da Santíssima Trindade, dos iniciados e dos profetas.
Simboliza tanto o céu quanto o inferno.

                                            Vídeo  de Faderfort/ youtube

terça-feira, 31 de maio de 2011

Harder than easy, trilha sonora de
personagens de Grey´s Anatomy

Na série Grey´s Anatomy, Harder than Easy é tema da cardiocirurgiã Teddy Altman e do paciente Henry Burton, com quem a médica do Seattle Grace Hospital se casou, para que o rapaz tivesse um plano de saúde e pudesse ser submetido a tratamento cirúrgico.
Linda música de Jack Savoretti. Os acordes são simples, mas harmônicos. O dedilhado acústico encanta.



A canção é executada na cena do episódio 12, da7ª temporada de Grey´s Anatomy, em que Henry Burton (interpretado por Scott Foley) e a dra. Teddy Altman (vivida por Kim Raver) conversam após a cirurgia a que ele foi submetido.
Assista:


Já no último episódio (nº 22) da 7ª temporada de Grey´s Anatomy, quando Teddy e Henry finalmente se beijam, a cena é embalada pela música Anything But You, de Civalias.
Para ver a cena, clique no vídeo abaixo.
Para ouvir a música na íntegra, clique no vídeo seguinte.


Ouça a música completa, clicando neste vídeo:

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Música, uma bênção que opera milagres


Quando o povo diz que ''quem canta seus males espanta'', está mais do que certo.
A gente se habitua a ver noticiário e só recebe uma carga negativa de informações. Assaltos, mortes, acidentes, brigas, afogamentos, desabamentos, doenças... Ufa!
De repente, muda de canal e se depara com pessoas cantando, de braços erguidos, sorriso nos lábios e alma leve, acompanhando músicos tocando violão, guitarra, baixo, bateria, flauta, atabaque, bongô e outros instrumentos de percussão.
Participar de um show de música é como viver uma paixão. Lava a alma. Renova as energias.
Assisti agora à tarde, no Canal Brasil, a um show de Geraldo Azevedo, realizado no Rio de Janeiro. Eu me senti lá. Que bom!
Geraldo Azevedo executou músicas que há décadas fazem parte de nosso repertório, como Dia Branco (Se você vier/ pro que der e vier/ comigo/ eu te prometo o sol/ se o hoje sol sair/ e a chuva/ Se a chuva cair/ se você vier/ até onde a gente chegar...), Canta, Coração (Canta, canta, passarinho/canta, canta miudinho/ na palma da minha mão...), Estação Lunar (Apenas apanhei à beira-mar/ um táxi pra estação lunar. Pela sua cabeleira vermelha...), Caravana (Corra não pare, não pense demais/ Repare essas velas no cais/ Que a vida cigana/ É caravana é pedra de gelo ao sol...), Canção de Despedida (Já vou embora/ mas sei que vou voltar/ Amor, não chora, que a hora é de deixar...), Coqueiros (Por entre as palmas deste lugar/ Por coqueiros de beira-mar...), Bicho de Sete Cabeças (Não dá pé não tem pé nem cabeça/ Não tem ninguém que mereça ...) e outras e outras e outras.
Em alguns momentos, ele deixava o canto para a plateia e tocava sua viola elétrica embalando-se.
Um ritmo só. O coral perfeito. Durante uma hora, Geraldo Azevedo ajudou a espantar males.
A música também faz milagres. É uma bênção dos céus.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Voa, Bicho.

Fiz parte desta paisagem durante anos de minha vida.
Saudade de Ouro Preto.
A voz de Milton Nascimento (*) me transporta para lá.
( * aqui, acompanhado por Maria Rita)

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Eu, a música e meu violão

Sempre gostei muito de música.
Aos 13 anos, comecei a compor. Letra e música. Tinha violão em casa, mas quem tocava era meu pai. Fazia a música de cabeça, sem instrumento, e memorizava.
Tentei aprender a tocar violão aos 16, mas passei logo para o piano. Só que não tinha um em casa. Na teoria, cheguei ao 4° ano. Na prática, não fui além da fase inicial. Parei.
Um dia, decidi comprar uma escaleta (espécie de piano de sopro) e tirar a melodia de ouvido para não esquecer.
Também aos 13,  participei pela primeira vez de um festival de músicas na escola. Tinha composição minha e de minha irmã Laura, a mais velha, que morreu aos 16.
Na faculdade, continuei, mas antes fui aprender violão.

(Clique nas fotos para ampliar)

Ganhei um Giannini e com ele estou até hoje (foto). Foi comprado na Casa Vitoriana, instalada no andar térreo do Shopping Parque Balneário, no bairro do Gonzaga, em Santos. 

Primeira aula de violão 25.7.1981
Estudei seis meses no Sesc, quando ainda funcionava na Avenida Conselheiro Nébias, 309, no prédio do Senac. A primeira aula ocorreu em 25 de julho de 1981 (foto ao lado).  O professor era Paulo Damasceno, que também cantava e chegou a defender uma música minha em um festival.
Em 1983, fui aprender mais com Mia (Hélvio Duque), então baixista do grupo Manvantara, que me acompanhou em outro festival.
Festival 1983
Paulinho Damasceno morreu precocemente em fevereiro de 1996. 
Mia continua trabalhando com música no interior do Estado de São Paulo.
Aqui está um recorte de jornal (foto ao lado) que cita minha  participação em um dos festivais, no Sindicato dos Metalúrgicos. É de 18 de junho de 1983. A matéria saiu publicada no jornal Cidade de Santos, extinto em setembro de 1987. No terceiro parágrafo, menciona a música ''Luz'', que fiz para minha irmã caçula.  E, no último, o grupo Manvantara. Na foto, o cantor e compositor Décio Marques durante o show.
Atualmente, não toco, nem canto mais em público. Detesto situações que me deixam insegura e nervosa. Sinto-me mais à vontade fazendo palestras, dando aulas, falando diante de uma plateia. Mas cantando e tocando... Isso nunca mais. Minha autocrítica não permite. Música tem que ser lazer, não pode me deixar tensa.
Sempre que preciso me livrar do cansaço, das tensões diárias, pego meu violão, toco e canto, mas em casa. De preferência, sozinha.
Cantar em público, só se for assistindo a um show, no meio da multidão. Anonimamente. Isso é ótimo! 

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Música, uma bênção para ouvir,
cantar, dançar e fazer sorrir

A música é uma das bênçãos que a vida nos dá.
É como uma mão que se estende para impedir o tombo.
É um abraço gostoso de cumplicidade.
É um carinho que nos faz sorrir.
Estas todo mundo deveria ouvir, curtir, cantar e dançar.
Fazem esquecer as chatices, as deprês, o baixo astral.
Clique nos vídeos e diga se não tenho razão:

Black Eyed Peas canta I Gotta Feelling e bailarinos dançam para Oprah


Stand By Me interpretada por vários cantores em diversos lugares



I´m Yours - Jason Mraz


I´m Yours - menino japonês canta e toca ukelelê

sábado, 9 de outubro de 2010

John Lennon - 70 anos

9 de outubro de 1940. Nascia em Liverpool, Inglaterra, John Lennon, fundador do grupo de rock The Beatles, formado por ele, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Star.
Músico, escritor e ativista político, Lennon seguiu carreira-solo após o término oficial da banda, em 1969. As canções do grupo, no entanto, fazem sucesso no mundo todo até hoje.

Ouça Stand by me


Lennon foi casado com Cyntia Powell, com quem teve o filho Julian. Depois, casou-se com Yoko Ono. Dessa união, nasceu Sean.
Em 8 de dezembro de 1980, aos 40 anos, Lennon foi morto a tiros por Mark David Chapman, na porta do edifício Dakota, onde morava em Nova Iorque. Ele voltava do estúdio de gravação com Yoko. O mundo inteiro chorou sua morte.
Hoje, os fãs celebram os 70 anos de seu nascimento.

(Leia também: Meu aniversário sem lúpus e Lucy in the Sky.)

Ouça Lucy in the sky with diamonds

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Como eu, Lady Gaga também tem lúpus


Lady Gaga disse ao apresentador norte-americano Larry King que tem lúpus e a doença é recorrente em sua família.
Embora não apresente sintomas e nem esteja doente, a cantora pop, que tem pretensões de superar Madona, já fez teste e o resultado deu positivo.
O lúpus é uma doença autoimune, tratada pela reumatologia. Por um motivo que a medicina ainda não sabe precisar, ela provoca uma espécie de pane no sistema imunológico.
Com isso, a imunidade do portador não reconhece o próprio organismo e o ataca como se fosse um elemento estranho. O tratamento é feito com cortisona, que provoca uma série de efeitos colaterais.
Também sou portadora de lúpus e já escrevi algumas vezes sobre essa doença. Convivi com ela por 21 anos. Faz outros 17 que não tenho sintomas e não preciso tomar remédios. No meu caso, o lúpus entrou em remissão. Talvez definitivo.
Lady Gaga pode nunca chegar a desenvolver a doença que, por enquanto, não tem cura.
Leia o que já escrevi sobre o assunto:
1. Lúpus em remissão
2. Lúpus
3. Meu aniversário sem lúpus e Lucy in the sky

sábado, 7 de novembro de 2009

Maracatu Quiloa

Num domingo à tarde, um batuque forte me chamou a atenção. O ritmo que convidava à dança vinha da Praça Caio Ribeiro de Moraes e Silva, um lugar tomado por árvores gigantes.
Apanhei minha câmera digital e fui saciar minha curiosidade. Em poucos minutos estava diante de rapazes, moças e uma criança, que trajavam roupas coloridas. Uns dançavam desinibidos, enquanto outros tocavam instrumentos vários.
Era o Maracatu Quiloa, que fazia seu arrastão na praça em frente ao Sesc, no bairro Aparecida, em Santos. Ali, nas tardes de domingo, é montada uma feira de artesanatos.
Pois era nos estreitos corredores formados pelas barracas dos expositores que o Quiloa deslizava seu ritmo e entoava suas canções, denominadas loas.
Imediatamente coloquei a filmadora para funcionar. O resultado pode ser conferido no vídeo abaixo.




Fundado em 5 de outubro de 2003, o grupo tem por objetivo difundir o maracatu de baque virado, manifestação cultural originária de Pernambuco que utiliza instrumentos de percussão, como alfaias, agbés, gonguês, caixas, ilus, atabaques e mineiros.
O Quiloa tem sede no número 99 da Rua General Câmara, no Centro de Santos. Na esquina dessa rua com a Itororó, seus integrantes ensaiam às quartas-feiras, a partir das 19h30.

Entre suas canções, está ''Saia'': Bota a saia pra rodar/bota o corpo pra mexer/isso é maracatu/ de baque virado pra valer (bis)/ O caixeiro vai chamar/o bombo estremecer/toque agbê, mexe o ganzá/ esse é o quiloa pra você''.
O grupo foi alvo de matéria no jornal A Tribuna de ontem (texto de Vinícius Holanda, foto do Alberto Marques e edição minha) e no site do jornal, que exibiu ainda parte de meu vídeo.
Se desejar conhecer mais, acesse o blog do Quiloa.