quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Para abordar o papel do jornalismo na efetivação dos objetivos de desenvolvimento sustentável, meu artigo resgata reportagens dos anos 1970 e 1980

Lídia Maria de Melo

O movimento popular dos anos 1980 em Atibaia, para preservar a Pedra Grande; a mobilização liderada pelo ecologista Ernesto Zwarg, contra a instalação de usinas nucleares em Peruíbe; a poluição de Cubatão e o replantio da Serra do Mar, para que não desabasse; e os lixões químicos da Rhodia, na Baixada Santista.
Esses episódios, ocorridos em cidades do Estado de São Paulo nos anos 1970 e 1980, contaram com o engajamento da imprensa nacional e regional. Relembrei e pesquisei séries de reportagens sobre esses fatos para escrever o artigo "O Papel do Jornalismo na Efetivação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável", que publiquei da página 816 à 833 do e-book "Direitos Humanos e Vulnerabilidade e a Agenda 2030", desenvolvido pelo Grupo de Pesquisas Direitos Humanos e Vulnerabilidades da UniSantos, do qual faço parte.


Jornal da Tarde  de 1.3.1985,
capa de Rodrigo Mesquita
A Tribuna (Santos) de 18.12.1984
Reportagem de Manuel Alves Fernandes
e Lane Valiengo

























A pesquisa levou-me ao resgate das reportagens sobre meio ambiente e poluição elaboradas pelos colegas jornalistas Manuel Alves Fernandes, o saudoso Maneco, Lane Valiengo, querido professor e colega, e Leda Mendes Mondin, eficientíssima e parceira desde os tempos de colégio. Os três, com quem trabalhei no jornal A Tribuna, de Santos, conquistaram o Prêmio Esso de Jornalismo, Região Sudeste/1985.
Gosto de resgatar histórias e experiências. Com elas, reafirmo que o mundo não começou quando a gente nasceu. Antes de nós, outros abriram caminho. Organizado pelos pesquisadores Liliana Lyra Jubilut, Rachel de Oliveira Lopes, Gabriela Soldano Garcez, Ananda Pórpora Fernandes e João Carlos Jarochinscki Silva, e-book "Direitos Humanos e Vulnerabilidade e a Agenda 2030" foi publicado pela Editora da Universidade Federal de Roraima. Pode ser baixado gratuitamente no link https://ufrr.br/editora/index.php/ebook-novo. Repetindo, meu artigo pode ser lido da página 816 às 833. O projeto do livro digital teve como tema os objetivos e princípios da Carta das Nações Unidas elaborada pelos Estados-membros da ONU durante a Cúpula do Milênio no ano de 2000. O documento sintetizou acordos internacionais assinados na década de 1990, com o intuito de formular o novo pacto global denominado Declaração do Milênio, que contém os 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM).






sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Pelé, 80 anos.

                                                  Fotos e texto: Lídia Maria de Melo   


Eu e Pelé na sede da TV Tribuna
em 5 de fevereiro de 2004

Publico estas duas fotografias para marcar o aniversário de 80 anos de Pelé.
O Atleta do Século (XX) jogou no Santos Futebol Clube, de 1956 a 1974, no Cosmos (EUA), de 1975 a 1977, e na Seleção Brasileira de Futebol, de 1957 a 1971.
Eu o entrevistei em 5 de fevereiro de 2004, para obter informações que foram incluídas no livro "Rosinha Viegas, A Garra de Uma Leoa", que escrevi e publiquei em 2004.
A entrevista foi realizada na antiga sede da TV Tribuna, na cidade de São Vicente.

Entrevistei e fotografei Pelé,
que também autografou uma
camiseta do Santos Futebol Clube 
para mim
 

domingo, 18 de outubro de 2020

Meu romance "O Acaso Não Usa Relógio" está à venda no site da Amazon no formato e-book Kindle

 Lídia Maria de Melo

O Acaso Não Usa Relógio.
Esse é o título do romance que comecei a rascunhar na década de 1990.
Um dos personagens é músico. A ele, emprestei músicas compostas por mim.
Como tive outros planos, escrevi contos, pelos quais recebi prêmios, publiquei livros, escrevi reportagens, artigos científicos, uma dissertação de mestrado, poesias... Meu romance ficou de lado.
Tempos depois,  rascunhei outro livro do mesmo gênero e não publiquei. Até que decidi juntá-los e fazer um só. Gostei do resultado. Mesmo assim, mantive-o inédito.
Este ano, decidi que era hora de deixá-lo voar. Porém, intercorrências atrasaram a publicação.
No dia 13 de outubro,  ele saiu. Está à venda como e-book no site da Amazon.com.br e tem uma capa bonita, idealizada e produzida pelo querido amigo #Seri (Sergio Lemos ou @seriilustrador).
Vá até lá e leia a sinopse neste link:  https://www.amazon.com.br/gp/product/B08L62843V/ 
O enredo envolve temas que dizem respeito a todas as pessoas: amor, paixão, traição, morte, luto, aborto, transplante de órgãos, política, espionagem, tortura, costumes, religião, experiência de vidas passadas. Tudo pontuado por músicas e pela imponderabilidade do acaso.


domingo, 30 de agosto de 2020

Vivos, como Sherazade

LÍDIA MARIA DE MELO              

Artigo foi publicado no jornal  A Tribuna, de Santos, em  30 de agosto de 2020, na página Marcas da Pandemia.
Artigo foi publicado no jornal 
A Tribuna, de Santos, em
 30 de agosto de 2020,

na página Marcas da Pandemia.

Somos mortais. Uma espécie de marca d’água biológica atesta nossa finitude. Ainda assim, encaramos a morte como uma abstração. Algo para o futuro, que é sempre um tempo distante. A morte presente e concreta é a dos outros. Esse mecanismo de defesa deve ter sido o jeito que a natureza encontrou para nos livrar de uma eterna angústia.
       Então, surge a covid-19. De supetão, a nova doença reafirma a verdade absoluta: somos realmente efêmeros! O fim pode ser daqui a pouco. E o inimigo não usa foice, nem capuz. Sequer expõe sua face. Tampouco lembra o macabro corvo do poema de Edgar Allan Poe, que repete insistente: nunca mais! É um ser mil vezes mais fino que um fio de cabelo. Um vírus que zomba dos limites de nossos olhos. Pode estar em qualquer lugar e nos tomar de assalto, como numa brincadeira de esconde-esconde.
       É claro que há pessoas que desdenham, não se importam, ignoram as normas de segurança, são imunes à dor alheia. Essas não têm empatia, palavra um tanto batida, mas que nomeia uma
habilidade ausente em egoístas e sociopatas. 
       A Organização Mundial da Saúde decretou a pandemia em 11 de março deste estranho 2020, ano em que o mundo se tornou, de fato, a aldeia global prevista por McLuhan e testemunhou descobertas linguísticas curiosas. Quarentena, por exemplo, designa um período que pode durar 14 dias, seis meses ou alguns anos. O produto eficaz para esterilizar as mãos, além de água e sabão, pode ser álcool gel ou álcool em gel. Tanto faz. Ainda não há regra exata. Importante é ser 70%.
       Em 13 de março, dei aula presencial na universidade. No dia seguinte, fomos informados de que migraríamos para mediação digital. Rapidamente, superamos os desafios, com vídeos, podcasts, e-books, conversas pelo celular e computador. Virei professora remota. Até uma revista, eu e meus alunos produzimos e editamos à distância nas aulas de Jornalismo. Os benefícios da tecnologia se inseriram na maioria das áreas.

Marcas da Pandemia, 
de A Tribuna, publica
artigos de autores convidados
.

           Tornei-me assídua fotógrafa da Lua e do pôr do Sol, além de atenta observadora do mar e do crescimento das orquídeas cultivadas por minha mãe no terraço do apartamento. Estamos juntas em reclusão, mas temos saudade dos membros da família apartados de nós. Diariamente, sem eles, saboreamos, com remorsos, a comida que ela faz. Se ela imaginasse que o distanciamento seria tão longo, teria proposto que ficássemos um a um sob suas asas.

       Permanecer em casa não é um problema, principalmente, para quem, como nós, sempre passou muitas horas fora dela, devido ao trabalho. Agora, o trabalho ocupa um considerável espaço em nosso lar. Problema é perder a liberdade, por imposição de um vírus. É viver com medo. Por nós e por quem amamos.
       As notícias sobre as milhares de mortes me fazem sofrer. As chamas na Amazônia e no Pantanal machucam o pedaço tupi-guarani de meu DNA. A boiada que pisoteia as leis de proteção ambiental e de reservas indígenas agride minha alma.
       Cuido do corpo e da mente, mas não consigo tocar violão, nem cantar. Até compus uma nova canção, mas só a Literatura, que leio e escrevo, consegue me socorrer. 
       Rezo todos os dias. Peço pelos meus, por mim, pelos cientistas. A ciência é nossa única tábua de salvação. Somos efêmeros, finitos, mortais, mas ainda é cedo para morrer. Meu sonho de consumo é a vacina. Até que ela chegue, sigo a receita: máscara, água e sabão, álcool em gel e isolamento. Por ora, como Sherazade, diante das ameaças do sultão Shariar, n’As Mil e Uma Noites, só precisamos nos manter vivos. 

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(Artigo publicado originalmente no jornal A Tribuna, na edição de 30 de agosto de 2020, na página Marcas da Pandemia)