domingo, 19 de setembro de 2021

Neste centenário de Paulo Freire, leia a história do dia em que o entrevistei

Pernambucano de nascimento e reconhecido em todo o mundo, pela metodologia de ensino que associava a teoria à prática e à vivência dos estudantes, o educador Paulo Freire, patrono da Educação brasileira, completaria 100 anos hoje. 
Como já contei algumas vezes, cresci ouvindo falar nele e tive o privilégio de entrevistá-lo quando me tornei jornalista. 
O texto que postei em 2019 pode ser acessado neste link:   
 https://lidiamariademelo.blogspot.com/2019/04/ja-entrevistei-paulo-freire-um.html


sábado, 11 de setembro de 2021

11 de setembro de 2001. Onde estávamos naquele dia?

Lídia Maria de Melo

As imagens estão soterradas sob 20 anos, mas nunca nos esqueceremos daquele dia.
Meu relato sobre 11 de setembro de 2001 está registrado neste link. Clique:
https://lidiamariademelo.blogspot.com/2011/09/ataques-de-11-de-setembro-de-2001-onde.html



terça-feira, 24 de agosto de 2021

Morte de Charlie Watts me faz lembrar do show dos Rolling Stones em S. Paulo, no Pacaembu, em 1995

 Lídia Maria de Melo
Fotos do meu acervo

Hoje, acordei muito cedo, mas só no início da tarde ouvi a notícia. "Charlie Watts morre aos 80 anos". Logo, pensei: os Rolling Stones nunca mais serão os mesmos. Imediatamente, lembrei-me do show Voodoo Lounge, a que tive o privilégio de assistir, junto com minha irmã, no Estádio do Pacaembu, em 28 de janeiro de 1995, um sábado, que começou chuvoso, mas terminou estrelado, ao som do rock da banda mais aclamada da história.

O público aplaudiu cada um dos Stones, mas o baterista Charlie Watts foi ovacionado por longos minutos. Os aplausos eram contínuos. Emocionado, ele se levantou, curvou-se, em reverência, e fez um gesto com as mãos e uma expressão facial, como se perguntasse: “Por que eu?”. A banda inglesa tinha quatro estrelas de primeira grandeza, mas Charlie Watts encarnava a elegância dos lordes.

Em 18 de abril de 2020, também um sábado, quando o mundo começava a tentar sobreviver ao coronavírus, os Rolling Stones marcaram presença no festival virtual Together at Home. Dessa vez, cada um em sua casa, cantando e tocando You Can’t Always Get What You Want. De novo, Charlie Watts foi destaque. Quando apareceu no quadrado destinado a sua imagem, tinha duas baquetas nas mãos, mas atuou como um menino que sonha um dia ser baterista. Tocou um instrumento imaginário, fazendo do braço de uma poltrona o grande prato de sua batera. Um gentleman! Um verdadeiro lorde!

Em outras ocasiões, escrevi sobre o show de 1995. Hoje, não há como deixar de repetir.

O show Voodoo Lounge, dentro da programação Hollywood Rock, seria no Morumbi, mas o estádio não foi liberado. Então, transferiu-se para o Pacaembu, que é menor. Assim, em vez de duas apresentações, houve necessidade de três, nos dias 27, 28 e 30 de janeiro de 1995. O ingresso deveria ser trocado. Quem não fez isso, como eu e minha irmã, foi obrigado a comprar outro, ou deixou de ver o show.

Nós compramos outros ingressos. Fomos no segundo dia. Minha irmã havia perdido a oportunidade de assistir ao show dos Stones em Praga. Dessa vez, ela não admitia perder de novo. Por nada, neste mundo.

Fomos cedo para São Paulo, em um ônibus de uma agência de turismo. Pegamos fila e chuva. Compramos capas de plástico transparente e com capuz. Quando abriram os portões, tivemos que depositar o ingresso na catraca. Não havia devolução. Como eu e minha irmã tínhamos os que deveriam ser trocados, pudemos guardar esses de lembrança.

O primeiro show em São Paulo foi realizado na sexta-feira, mas a chuva atrapalhou. Testemunhamos o da noite de sábado. Para nós, o melhor.

Antes dos #Stones nos encantarem indescritivelmente, subiram ao palco Barão Vermelho, Spin Doctors e Rita Lee, o tempo todo maravilhosa e surpreendente. Na execução de "Miss Brasil 2000", a roqueira brasileira teve a companhia de uma modelo, com cetro, coroa e um manto, que, aberto, exibiu rapidamente a total nudez da moça sob a veste.

Houve fogos de artifícios, telões, o dirigível da Pepsi sobrevoando-nos e artistas brasileiros entre o público, como Arnaldo Antunes, Paulo Ricardo e Luciana Vendramini. E, óbvio, muito, mas muito rock 'n' roll, por conta do rebolante e simpático Mick Jagger, do psicodélico Keith Richards, do caçula Ron Wood e do elegante Charlie Watts.

Não temos fotos, nem gravações da turnê Voodoo Lounge, porque máquinas eram proibidas. O melhor, como costuma dizer minha irmã, está registrado na memória. E eu digo, no coração também. Valeu, Charlie Watts. Muito obrigada. Para sempre. 


#therollingstones   #charliewatts  #mickjagger  #keithrichards  #ronwood  #rocknroll 

sábado, 5 de junho de 2021

No Dia dio Meio Ambiente, descobri que a primavera de Cecília Meireles era a planta e não, a estação

Texto e fotos de Lídia Maria de Melo
















Hoje, fiz uma descoberta. É poética, mas relacionada à natureza. Pura coincidência, por ser Dia do Meio Ambiente.
Cecília Meireles escreveu cinco poemas intitulados Desenho.
Busquei por eles e nos livros que tenho dela não encontrei todos.
Porém, após muita insistência, achei o que desejava.
É justamente o composto por sete estrofes. Pouco conhecido, mas muito belo, para o meu gosto, ele se encerra com dois versos muito repetidos: "Levai-me aonde quiserdes! - Aprendi com as primaveras/ a deixar-me cortar e a voltar sempre inteira".

Até agora, acreditava piamente que ela falava da estação.
Pois acabo de descobrir, por experiência propiciada por meu jardim de terraço de apartamento, que Cecília aprendeu com a planta denominada primavera.
Como em seu poema aparecem elementos bastante caseiros, creio que minha interpretação não está errada.
Ela cita, lado a lado, sua compleição, seus gostos frutíferos, animais peçonhentos, aves, plantas e predileções familiares.
Pois bem, mas o que me fez chegar a essa conclusão foi algo particular. Empírico.
Há alguns anos, minha mãe plantou uma primavera em nosso jardim suspenso. Entre tantas espécies menores, como orquídeas, avenca, roseira, violetas, antúrios, samambaias, renda portuguesa, a primavera vingou e se tornou uma árvore de pequeno porte.
Floriu várias vezes, mas um dia ficou feia. Seus espinhos se sobressaíam muito mais.
Depois do falecimento de minha mãe, em janeiro, decidi tirar a primavera de nosso jardim.
Cortei todos os galhos. Só não tive forças para arrancar o tronco de dentro da terra do vaso.
Até fotografei o  toco que restou bem preso
.
Como a terra era boa, plantei dois pés de alecrim ao redor do tronco seco.
Isso ocorreu em 13 de fevereiro.
Em pouco tempo, o tronco me surpreendeu, enquanto eu regava os alecrins.
Na foto datada de 4 de março, aparecem uns galhinhos com folhas bem viçosas.
No dia 12 de março, já era uma pequena árvore.
No dia 27 do mesmo mês, os galhos escalavam parede e vidraça do terraço.
Em 29 de maio, registrei o nascimento da primeira flor. 
Hoje, 5 de junho, a flor chegou ao ápice.
Então, ocorreu-me o insight. Cecília Meireles inspirou-se na planta de nome primavera, não, na estação, quando escreveu: "Aprendi com as primaveras/ a me deixar cortar e a voltar sempre inteira".
Quem me ensinou foi esta que tentei exterminar, mas vejo renascer. Viçosa!



Leia o poema Desenho, de Cecília Meireles

                                                 DESENHO

Fui morena e magrinha como qualquer polinésia,
e comia mamão, e mirava a flor da goiaba.
E as lagartixas me espiavam, entre tijolos e as trepadeiras,
e as teias de aranha nas minhas árvores me entrelaçavam.
 
Isso era num lugar de sol e nuvens brancas,
onde as rolas, à tarde, soluçavam mui saudosas...
O eco, burlão, de pedra em pedra ia saltando,
entre vastas mangueiras que choviam ruivas horas.
 
Os pavões caminhavam tão naturais por meu caminho,
e os pombos tão felizes se alimentavam pelas escadas,
que era desnecessário crescer, pensar, escrever poemas,
pois a vida completa e bela e terna ali já estava.
 
Como a chuva caía das grossas nuvens, perfumosa!
E o papagaio como ficava sonolento!
O relógio era festa de ouro; e os gatos enigmáticos
fechavam os olhos, quando queriam caçar o tempo.
 
Vinham morcegos, à noite, picar os sapotis maduros,
e os grandes cães ladravam como nas noites do Império.
Mariposas, jasmins, tinhorões, vaga-lumes
moravam nos jardins sussurrantes e eternos.
 
E minha avó cantava e cosia. Cantava
canções de mar e de arvoredo, em língua antiga.
E eu sempre acreditei que havia música em seus dedos
e palavras de amor em minha roupa escritas.
 
Minha vida começa num vergel colorido,
por onde as noites eram só de luar e estrelas.
Levai-me aonde quiserdes!  aprendi com as primaveras
a deixar-me cortar e a voltar sempre inteira.
 

MEIRELES, Cecília. Mar absoluto e outros poemas. Porto Alegre: Livraria do globo, 1945.