terça-feira, 21 de julho de 2020

Há 36 anos, entrevistei Adélia Prado em sua casa, em Divinópolis, e ela autografou um livro para mim

Há 36 anos, Adélia Prado autografou para mim
o livro Os Componentes da Banda.
Lídia Maria de Melo

No capítulo de ontem da novela Fina Estampa, a professora Letícia, interpretada pela atriz Tania Khalill, leu para seus alunos o poema "Casamento".
Quando ouvi as primeiras palavras, logo reconheci os versos de Adélia Prado, publicados originariamente em seu livro "Terra de Santa Cruz" (1981). (Leia o poema no final da postagem).
Hoje, decidi folhear de novo seus livros.
Quando abri "Os Componentes da Banda" (1984), me surpreendi ao rever a dedicatória que Adélia Prado me fez quando a entrevistei em sua casa em Divinópolis (MG). A data registrada por ela é 21 de julho de 1984.
Ou seja, hoje faz exatamente 36 anos.
Seria coincidência?
Dizem que ela não existe. Não sei.
Quando entrevistei Adélia, eu estava no terceiro ano do curso de Jornalismo.
O tempo corre ligeiro demais.
A coincidência talvez seja um recado da vida.
Já passou da hora de publicar todos os livros que escrevi e ainda mantenho inéditos.
Leia a matéria que publiquei sobre Adélia Prado no jornal A Tribuna, de Santos, em 3 de novembro de 1990. Clique aqui.
A dedicatória data de 21 de julho de 1984. 




















Entrevista com Adélia Prado e análise de sua obra estão
em reportagem que publiquei no jornal A Tribuna
em 3 de novembro de 1990.






















Casamento
                   (Adélia Prado)

Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como ‘este foi difícil’
‘prateou no ar dando rabanadas’
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.

sexta-feira, 3 de julho de 2020

Cuidado com a pronúncia das palavras gratuito e fortuito

Lídia Maria de Melo (texto e ilustração)

Jornal da maior rede de televisão do Brasil, veiculado à tarde, marcou duas vezes gol contra durante a edição de quarta-feira. Primeiro, uma conhecida repórter de Recife disse, sobre o morte do menino Miguel, que o delegado considerou um acidente “fortuíto”. Erroneamente, pronunciou a palavra como se houvesse um acento no "i". Meu ouvido doeu. Pouquíssimos minutos depois, foi a vez da apresentadora. Sobre a greve de entregadores de diversas empresas que atendem aos clientes por meio de aplicativos, ela disse que algo foi “gratuíto”. Do mesmo modo que a colega da capital de Pernambuco, pronunciou a palavra como se houvesse um acento no "i".
Não! Na escrita, nenhuma das duas palavras tem acento gráfico. Porém, na pronúncia, ambas são acentuadas no “u”. Em termos orais, a forma correta é: “fortUito” e “gratUito”, com pronúncia forte do “u” e não do “i”. Sem mais.

domingo, 21 de junho de 2020

Seleção Brasileira do Futebol de 1970: a melhor de todos os tempos. Eu eu entrevistei Pelé, Leão e Clodoaldo


Lídia Maria de Melo (texto e fotos)
Entrevistei e fotografei o Rei do Futebol em 5 de fevereiro de 2004. 
Foi há 50 anos.
O Brasil vivia sob uma ditadura. As famílias atingidas pelo regime sabiam muito bem.
Mesmo assim, em 1970, a Seleção Brasileira de Futebol deu uma oportunidade ímpar aos que tiveram o privilégio de testemunhar seu desempenho pelos campos do México.
Até quem era criança, como eu, nunca mais se esqueceu.
As jogadas e os lances memoráveis, narrados por Geraldo José de Almeida e televisionados pela primeira vez em uma Copa do Mundo, nem o tempo foi capaz de apagar.
Vestidos em uniforme que lhes valeu o apelido de Seleção Canarinho, dez homens, correndo atrás de uma bola, enquanto um outro defendia o espaço entre duas traves e um travessão, mostraram que arte também se produz com os pés. Mesmo em gramado estrangeiro.
Pelé deu sombreiro do México para professora.
Imagem reproduzida do livro que escrevi em 2004.

A partir de então, a Seleção Brasileira que disputou e venceu a Copa do Mundo de 1970, conquistando o título inédito de Tricampeã Mundial e a Taça Jules Rimet, passou a ser definitivamente meu parâmetro em termos de futebol.

Pelé, já endeusado como o rei desse esporte, estava lá no esquadrão convocado por João Saldanha e treinado por Zagallo.
Mas não era a única estrela.
A Seleção de 70 era uma constelação inteira.
Pelé, Tostão, Jairzinho (o Furacão camisa 7), Rivelino, Gérson, Clodoaldo, Carlos Alberto Torres (capitão do time), Brito, Piazza, Everaldo, Félix. Os goleiros reservas eram: Ado e Leão. 
Era tanto jogador de talento, que os reservas faziam inveja a qualquer outra seleção. Paulo César, Marco Antônio, Baldocchi, Rildo, Edu, Dirceu Lopes, Djalma Dias, Zé Maria, Fontana, Joel, Roberto e Dario.  Não me lembro de todos. Nem sei quem era realmente reserva ou titular, a não ser aqueles mais óbvios.
Além da vitória por 4 a 1, contra a Itália, naquela final no Estádio Azteca, na Cidade do México, em 21 de junho de 1970, quando eu tinha somente 12 anos, foi emocionante acompanhar as cenas protagonizadas pelos mexicanos.
Pelé coloca o sombreiro da Copa de 1970 na cabeça
da professora Rosinha Viegas. Reprodução do livro
que escrevi e publiquei em 2004. 
Eles torceram em massa para o Brasil, já que o México tinha sido desclassificado logo no início da competição. E essa torcida se deu desde Guadalajara, cidade onde a Seleção Brasileira se hospedou.
Confirmada a vitória do Brasil e a conquista do tricampeonato, o público mexicano invadiu o campo e ergueu Pelé nos ombros, para comemorar e colocar em sua cabeça um sombreiro, símbolo daquele país.
Esse sombreiro, por sinal, Pelé doou à educadora Rosinha Viegas, fundadora da Faculdade de Educação Física de Santos (FEFIS), onde o Rei do Futebol e Leão estudaram. A FEFIS originou a atual Universidade Metropolitana de Santos (Unimes).
Sei disso, porque escrevi o livro  “Rosinha Viegas, A Garra de Uma Leoa”, publicado em 2004. Para essa tarefa, entrevistei, além da biografada, diversos esportistas, que foram alunos dela na FEFIS.
Consegui a entrevista com Pelé em 5 de fevereiro de 2004, no intervalo de uma gravação de um anúncio comercial, na sede da TV Tribuna, na época situada na Avenida Jacob Emmerick, em São Vicente. Dessa gravação, participou o barbeiro Didi, que cuida do topete de Pelé desde o início de sua carreira no Santos Futebol Clube e tem um salão em frente ao portão 6 do Estádio Urbano Caldeira, na Vila Belmiro, em Santos.
Apesar do pouco tempo (15 minutos), pude também fotografar o Atleta do Século XX e obter dele um autógrafo em uma camiseta para meu sobrinho.
Um outro fotógrafo, cujo nome não me recordo, registrou esse meu encontro com Pelé, a pedido da filha de Rosinha Viegas, a dentista e educadora Renata Viegas. Dias depois, recebi de presente a fotografia na Redação do jornal A Tribuna, onde eu era editora do caderno Local.
Nessa mesma ocasião, fotografei o técnico e ex-jogador Carlos Roberto Ferreira Cabral (Cabralzinho), outro egresso da FEFIS, que eu havia entrevistado por telefone, para o mesmo livro
Em outro dia, também entrevistei Clodoaldo Santana, morador da cidade de Santos, e o ex-goleiro Emerson Leão, que, na época, era treinador do Santos Futebol Clube. Nosso encontro foi no Centro de Treinamento Rei Pelé, ao lado da Santa Casa de Santos.
Pena que não tenho fotos desse momento, somente os áudios.

De todo modo, posso confessar que me sinto honrada por ter entrevistado três integrantes da Seleção Brasileira de Futebol de 1970, a Seleção dos Sonhos. A melhor de todos os tempos.
  

Taça Jules Rimet: posse definitiva do Brasil

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Anvisa faz teste de coronavírus em 75 tripulantes do navio Costa Fascinosa, no Porto de Santos, e permite desembarque

 Lídia Maria de Melo   (Texto, Fotos e Vídeo)
                                                                                                                                                          
Costa Fascinosa segue da barra para o Porto de Santos, às
17h30 do dia 28 de março de 2020. Entre os mais de
 750 tripulantes a bordo, 35 apresentavam sintomas 
de contaminação  pelo coronavírus. 
Foto: Lídia Maria de Melo
Neste domingo (5/4/2020), 75 tripulantes brasileiros receberam autorização da Anvisa para desembarcar do navio Costa Fascinosa, de bandeira italiana, que está no Porto de Santos, no litoral do Estado de São Paulo.
De 17 a 28 de março, a embarcação permaneceu ancorado na barra de Santos, com mais de 750 tripulantes a bordo.
Nove já tinham sido retirados do navio, porque apresentaram sintomas mais graves de covid-19, por contaminação do coronavírus, e foram internados em hospital da cidade.
No dia 28 de março, às 17h30, o Costa Fascinosa atracou no cais do Porto, mas os tripulantes não tiveram permissão de desembarcar.
Passaram a ser monitorados pela Anvisa, porque havia 35 contaminados a bordo. (assistam ao vídeo).



A Anvisa realizou testes rápidos em 75 tripulantes. Em função do resultado, todos foram liberados para o desembarque.
Segundo o jornal Folha Santista, a empresa Costa Cruzeiros , responsável pelo Costa Fascinosa, alguns desses tripulantes tiveram resultado positivo para o fator que indica a presença de anticorpos contra o vírus no organismo.
Esse dado é um indicativo de que superaram o contágio e estão imunes. Já outros apresentaram resultado negativo. Ou seja, não foram contaminados.    
Ainda continuam a bordo 679 tripulantes, sem poder desembarcar. Entre eles, 30 estão com a covid-19.
Uma outra embarcação se alterna entre o porto e a barra de Santos. É o MSC Seaview.

O MSC Seaview transita entre o Porto de Santos e a barra, até
 que  possa retornar para a Europa. 30 de março de 2020, às 11h30.
Foto: Lídia Maria de Melo