sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Pelé, 80 anos.

                                                  Fotos e texto: Lídia Maria de Melo   


Eu e Pelé na sede da TV Tribuna
em 5 de fevereiro de 2004

Publico estas duas fotografias para marcar o aniversário de 80 anos de Pelé.
O Atleta do Século (XX) jogou no Santos Futebol Clube, de 1956 a 1974, no Cosmos (EUA), de 1975 a 1977, e na Seleção Brasileira de Futebol, de 1957 a 1971.
Eu o entrevistei em 5 de fevereiro de 2004, para obter informações que foram incluídas no livro "Rosinha Viegas, A Garra de Uma Leoa", que escrevi e publiquei em 2004.
A entrevista foi realizada na antiga sede da TV Tribuna, na cidade de São Vicente.

Entrevistei e fotografei Pelé,
que também autografou uma
camiseta do Santos Futebol Clube 
para mim
 

domingo, 18 de outubro de 2020

Meu romance "O Acaso Não Usa Relógio" está à venda no site da Amazon no formato e-book Kindle

 Lídia Maria de Melo

O Acaso Não Usa Relógio.
Esse é o título do romance que comecei a rascunhar na década de 1990.
Um dos personagens é músico. A ele, emprestei músicas compostas por mim.
Como tive outros planos, escrevi contos, pelos quais recebi prêmios, publiquei livros, escrevi reportagens, artigos científicos, uma dissertação de mestrado, poesias... Meu romance ficou de lado.
Tempos depois,  rascunhei outro livro do mesmo gênero e não publiquei. Até que decidi juntá-los e fazer um só. Gostei do resultado. Mesmo assim, mantive-o inédito.
Este ano, decidi que era hora de deixá-lo voar. Porém, intercorrências atrasaram a publicação.
No dia 13 de outubro,  ele saiu. Está à venda como e-book no site da Amazon.com.br e tem uma capa bonita, idealizada e produzida pelo querido amigo #Seri (Sergio Lemos ou @seriilustrador).
Vá até lá e leia a sinopse neste link:  https://www.amazon.com.br/gp/product/B08L62843V/ 
O enredo envolve temas que dizem respeito a todas as pessoas: amor, paixão, traição, morte, luto, aborto, transplante de órgãos, política, espionagem, tortura, costumes, religião, experiência de vidas passadas. Tudo pontuado por músicas e pela imponderabilidade do acaso.


domingo, 30 de agosto de 2020

Vivos, como Sherazade

LÍDIA MARIA DE MELO              

Artigo foi publicado no jornal  A Tribuna, de Santos, em  30 de agosto de 2020, na página Marcas da Pandemia.
Artigo foi publicado no jornal 
A Tribuna, de Santos, em
 30 de agosto de 2020,

na página Marcas da Pandemia.

Somos mortais. Uma espécie de marca d’água biológica atesta nossa finitude. Ainda assim, encaramos a morte como uma abstração. Algo para o futuro, que é sempre um tempo distante. A morte presente e concreta é a dos outros. Esse mecanismo de defesa deve ter sido o jeito que a natureza encontrou para nos livrar de uma eterna angústia.
       Então, surge a covid-19. De supetão, a nova doença reafirma a verdade absoluta: somos realmente efêmeros! O fim pode ser daqui a pouco. E o inimigo não usa foice, nem capuz. Sequer expõe sua face. Tampouco lembra o macabro corvo do poema de Edgar Allan Poe, que repete insistente: nunca mais! É um ser mil vezes mais fino que um fio de cabelo. Um vírus que zomba dos limites de nossos olhos. Pode estar em qualquer lugar e nos tomar de assalto, como numa brincadeira de esconde-esconde.
       É claro que há pessoas que desdenham, não se importam, ignoram as normas de segurança, são imunes à dor alheia. Essas não têm empatia, palavra um tanto batida, mas que nomeia uma
habilidade ausente em egoístas e sociopatas. 
       A Organização Mundial da Saúde decretou a pandemia em 11 de março deste estranho 2020, ano em que o mundo se tornou, de fato, a aldeia global prevista por McLuhan e testemunhou descobertas linguísticas curiosas. Quarentena, por exemplo, designa um período que pode durar 14 dias, seis meses ou alguns anos. O produto eficaz para esterilizar as mãos, além de água e sabão, pode ser álcool gel ou álcool em gel. Tanto faz. Ainda não há regra exata. Importante é ser 70%.
       Em 13 de março, dei aula presencial na universidade. No dia seguinte, fomos informados de que migraríamos para mediação digital. Rapidamente, superamos os desafios, com vídeos, podcasts, e-books, conversas pelo celular e computador. Virei professora remota. Até uma revista, eu e meus alunos produzimos e editamos à distância nas aulas de Jornalismo. Os benefícios da tecnologia se inseriram na maioria das áreas.

Marcas da Pandemia, 
de A Tribuna, publica
artigos de autores convidados
.

           Tornei-me assídua fotógrafa da Lua e do pôr do Sol, além de atenta observadora do mar e do crescimento das orquídeas cultivadas por minha mãe no terraço do apartamento. Estamos juntas em reclusão, mas temos saudade dos membros da família apartados de nós. Diariamente, sem eles, saboreamos, com remorsos, a comida que ela faz. Se ela imaginasse que o distanciamento seria tão longo, teria proposto que ficássemos um a um sob suas asas.

       Permanecer em casa não é um problema, principalmente, para quem, como nós, sempre passou muitas horas fora dela, devido ao trabalho. Agora, o trabalho ocupa um considerável espaço em nosso lar. Problema é perder a liberdade, por imposição de um vírus. É viver com medo. Por nós e por quem amamos.
       As notícias sobre as milhares de mortes me fazem sofrer. As chamas na Amazônia e no Pantanal machucam o pedaço tupi-guarani de meu DNA. A boiada que pisoteia as leis de proteção ambiental e de reservas indígenas agride minha alma.
       Cuido do corpo e da mente, mas não consigo tocar violão, nem cantar. Até compus uma nova canção, mas só a Literatura, que leio e escrevo, consegue me socorrer. 
       Rezo todos os dias. Peço pelos meus, por mim, pelos cientistas. A ciência é nossa única tábua de salvação. Somos efêmeros, finitos, mortais, mas ainda é cedo para morrer. Meu sonho de consumo é a vacina. Até que ela chegue, sigo a receita: máscara, água e sabão, álcool em gel e isolamento. Por ora, como Sherazade, diante das ameaças do sultão Shariar, n’As Mil e Uma Noites, só precisamos nos manter vivos. 

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(Artigo publicado originalmente no jornal A Tribuna, na edição de 30 de agosto de 2020, na página Marcas da Pandemia) 

terça-feira, 21 de julho de 2020

Há 36 anos, entrevistei Adélia Prado em sua casa, em Divinópolis, e ela autografou um livro para mim

Há 36 anos, Adélia Prado autografou para mim
o livro Os Componentes da Banda.
Lídia Maria de Melo

No capítulo de ontem da novela Fina Estampa, a professora Letícia, interpretada pela atriz Tania Khalill, leu para seus alunos o poema "Casamento".
Quando ouvi as primeiras palavras, logo reconheci os versos de Adélia Prado, publicados originariamente em seu livro "Terra de Santa Cruz" (1981). (Leia o poema no final da postagem).
Hoje, decidi folhear de novo seus livros.
Quando abri "Os Componentes da Banda" (1984), me surpreendi ao rever a dedicatória que Adélia Prado me fez quando a entrevistei em sua casa em Divinópolis (MG). A data registrada por ela é 21 de julho de 1984.
Ou seja, hoje faz exatamente 36 anos.
Seria coincidência?
Dizem que ela não existe. Não sei.
Quando entrevistei Adélia, eu estava no terceiro ano do curso de Jornalismo.
O tempo corre ligeiro demais.
A coincidência talvez seja um recado da vida.
Já passou da hora de publicar todos os livros que escrevi e ainda mantenho inéditos.
Leia a matéria que publiquei sobre Adélia Prado no jornal A Tribuna, de Santos, em 3 de novembro de 1990. Clique aqui.
A dedicatória data de 21 de julho de 1984. 




















Entrevista com Adélia Prado e análise de sua obra estão
em reportagem que publiquei no jornal A Tribuna
em 3 de novembro de 1990.






















Casamento
                   (Adélia Prado)

Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como ‘este foi difícil’
‘prateou no ar dando rabanadas’
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.