Direitos Autorais

Não reproduza textos, fotos e vídeos deste blog sem autorização da autora. Lei 9.610/98.


sábado, 11 de fevereiro de 2012

Sob o chão da Colômbia: minas e explosivos

A maior incidência de acidentes e mortes causadas por minas terrestres e explosivos remanescentes de guerra, no mundo, ocorre na Colômbia.
A informação consta no documentário "América Minada", produzido em 2007 pelos jornalistas Vinícius Souza e Maria Eugênia Sá e divulgado pelo site da Pública, agência de reportagem e jornalismo investigativo.
Abandonados após guerras civis ou plantados recentemente por grupos armados, os artefatos vitimam três pessoas por dia na Colômbia e tornaram-se um problema de saúde pública. (texto adaptado do site da Pública).
Assista ao documentário dos jornalistas Vinícius Souza e Maria Eugênia Sá (republicado com autorização do Pública, licença creative commons):

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Cândido Portinari


"Café", de Cândido Portinari, foi exposto nos Estados Unidos em 1935. Nessa ocasião, foi adquirido pelo Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro.

File:Discovery of the Land1.jpg

"A descoberta da terra", pintura mural de Portinari, datada de 1941, está exposta no edifício da Biblioteca do Congresso, em Washington, DC (EUA).

A obra do artista brasileiro (Brodósqui, 29/12/1903 - Rio, 6/2/1962) pode ser vista até 21 de abril no Memorial da América Latina, em São Paulo, na exposição Guerra e Paz. Os painéis que levam esse nome foram emprestados pela Organização das Nações Unidas ao Brasil até 2013. Eles foram pintados por Portinari a pedido do Governo Brasileiro, que os deu de presente à sede da ONU, em Nova Iorque.
Saiba mais em: http://www.guerraepaz.org.br/ e http://www.portinari.org.br/

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Tropa de Elite 2, um filmaço nota dez

Fotos: Divulgação
Gosto de assistir a filmes mais de uma vez.  Por isso, costumo comprar DVD. Mas só DVD original.
Em 2007, no entanto, caí em tentação. Infringi a regra. Todo mundo já tinha visto "Tropa de Elite", menos eu. Não tive como resistir.
Quem se ofereceu para comprar uma cópia paralela para mim foi um repórter que trabalhava na equipe que eu comandava naquela ocasião. Disse que custava R$ 5,00 no camelô da esquina. Paguei.
Segundo o instituto de pesquisa Ibope, cerca de 11 milhões de pessoas viram o filme de maneira ilegal.
Adorei "Tropa de Elite" e não o considerei uma apologia à violência cometida por policiais.
A interpretação de Wagner Moura é fantástica. Ele se transforma na pele do capitão Roberto Nascimento, do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais). A cena de treinamento de novos integrantes do batalhão impressiona e deixa o espectador alerta. André Ramiro, como André Mathias, também está impecável.
Fiquei entusiasmada com o filme. Então, o mínimo que pude fazer para valorizar o trabalho desenvolvido pela equipe liderada pelo cineasta José Padilha foi comprar um DVD original de "Tropa de Elite".
Assim, posso dizer que expiei minha culpa.
Ontem, assisti  pela primeira vez a "Tropa de Elite 2" em um canal de TV a cabo.
Não tinha visto no cinema, nem em DVD.
Não consegui desgrudar da televisão um instante sequer.
A história é ótima e muito bem-contada. As sequências estão perfeitamente amarradas. Fluem com um ritmo de tirar o fôlego. Trabalho admirável.
O filme nem tinha terminado e eu me peguei expressando em voz alta: _ Filmaço! Não perde para nenhum filme bom de Hollywood. Nem para "O Poderoso Chefão".
Muitos filmes de ação têm como defeito exporem muitas cenas de tiroteio e matança, às vezes gratuitas, e deixarem a história em segundo plano. Não raro, fica difícil de entender o enredo.
Com "Tropa de Elite 2" isso não acontece. A história (que, logo no início um letreiro adverte, é fictícia) é narrada de maneira cristalina.
Valem destaque duas cenas. Aquela em que o policial militar Russo (Sandro Rocha), integrante da milícia, comanda uma festa no morro para apoiar a campanha do governador do Rio de Janeiro e o tempo todo  empunha uma arma. A outra é a do restaurante, onde está sendo tramada a expulsão do agora coronel Nascimento do Bope. Assim que ele entra no estabelecimento, porém, é aplaudido pelos clientes, que apoiaram a invasão ao presídio Bangu I durante uma rebelião. Os políticos, então, o abraçam e tiram proveito da situação.
As interpretações são irreparáveis.
Toda a equipe do filme está de parabéns. Dá gosto de ver "Tropa de Elite 2".   É nota dez. 

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

O apito dos navios e o canto da sereia dão
as boas-vindas na noite de ano-novo

                                      Foto de Lídia Maria de Melo (clique nela para ampliar)
O apito dos navios tem mesmo o dom de encantar. Na tarde ensolarada de 13 de janeiro de 2007, um sábado, o apito do Costa Fortuna, na saída da barra de Santos, empolgou tanto meu pequenino companheiro que ele se embrenhou no mar, de roupa e tudo (tênis e meias), como se pudesse seguir a branca e bela embarcação que partia para alto-mar.
Nas noites de 31 de dezembro, juntamente com os fogos que a população solta, os navios costumam acionar seus apitos, poooommmm, poooommmm, a recepcionar o novo ano que chega.
Quando eu era pequena, lembro-me de que, em nossa casa, meus pais diziam que à meia-noite a sereia iria cantar, ou tocar, não sei bem direito. Mas era a sereia. E nós, crianças, tentávamos distinguir o som entre tantos ruídos que anunciavam o romper do ano-novo.
Faz pouco tempo, bem poucos anos mesmo, descobri que antigamente "sereia" era uma palavra que denominava também o som estridente de alarme, ou de uma fábrica, ou de um veículo, como ambulâncias e carros de bombeiros. Folheando edições antigas de A Tribuna, para responder à pergunta de um leitor, encontrei uma matéria mencionando que a "sereia" do jornal tocava todos os dias ao meio-dia, como ainda hoje acontece.
Ou seja, "sereia" era "sirena" ou "sirene". Talvez por isso os adultos dissessem que a "sereia ia cantar (ou tocar)" na noite do ano-novo.
Nesse caso, embora nós, crianças, não soubéssemos, não seria preciso apurar o ouvido. Os sons das sereias eram aqueles audíveis em qualquer lugar da Baixada Santista. O apito em coro dos navios. Mas, em nossa imaginação, era aquele ser mitológico com rabo de peixe que cantava no fundo do mar enquanto os navios faziam ecoar seu característico som: poooommmm, poooommmm.
Amanhã à noite, certamente, os sons mais uma vez vão me envolver com essas reminiscências.

sábado, 17 de dezembro de 2011

A ditadura não começou com o AI-5,
mas em 1º. de abril de 1964

Em 16 de dezembro de 2008, escrevi em meu antigo blog um texto sobre o ato institucional nº 5 (AI-5), que foi assinado em 13 de dezembro de 1968, e a insistência de parte da imprensa e de determinado setor da sociedade brasileira em afirmar que a ditadura militar começou naquele dia.
Fico incomodada com essa distorção da História, porque em minha casa, assim como na de muitos brasileiros e santistas (centenas e centenas deles), a ditadura arrombou a porta no dia 1º de abril de 1964.
Reproduzo abaixo meu texto de 2008.
Seria bom que os membros da Comissão de Anistia pudessem ler.
Assim, não afirmariam que os sindicalistas depostos na instalação do golpe militar somente perderam os cargos. Poderiam aprender que os sindicalistas santistas, linha de frente do movimento sindical e de resistência, lutaram, e muito, pela redemocratização do Brasil, mas antes perderam emprego, foram presos, cassados, torturados, processados e julgados pela Justiça Militar, embora fossem civis.
Muitos deles, como meu pai, ficaram confinados no navio Raul Soares, de onde podiam ver a movimentação do Porto de Santos, o mesmo porto que eles ajudaram a construir e de onde tiravam, antes do golpe, o seu sustento.


Ato Institucional n° 5
No último dia 13, fez 40 anos que o Ato Institucional n° 5 foi assinado pelo ditador-presidente marechal Artur da Costa e Silva. Conforme escrevi em meu livro ''Raul Soares, Um Navio Tatuado em Nós''(Pioneira/Uniceb-1995), na página 19, ''O Ato permite ao presidente: fechar o Congresso, as Assembléias e Câmaras; decretar intervenções em Municípios, Territórios e Estados; suspender direitos políticos por dez anos e cassar mandatos eletivos federais, estaduais e municipais; anular garantias de vitaliciedade, estabilidade e irremovibilidade; declarar o Estado de Sítio e prorrogá-lo; confiscar bens; baixar Atos Complementares necessários à execução do Ato Institucional e suspender a garantia do habeas-corpus''. Além disso, a censura estende suas garras pelos setores culturais e meios de comunicação.
Naquele momento, como também escrevi, ''a ditadura tira a máscara e se impõe''.
As medidas foram extremamente rigorosas e deram margem para a tortura sem limites e ao surgimento da guerrilha como forma de resistência ao regime. Mesmo assim, não se pode pensar que nesse momento é que a ditadura começou, de fato, a existir no País. Não. A ditadura começou exatamente no dia 1° de abril de 1964, embora oficialmente ela tenha como data o 31 de março. A partir do momento em que o presidente João Goulart (Jango), legitimamente eleito, foi deposto pelo golpe militar, o País estava sob um regime autoritário. 
Antes do AI-5, outros quatro atos foram editados e estavam em vigor. Todos cancelavam direitos civis dos cidadãos e da Nação. O presidente foi deposto, parlamentares foram cassados, sindicalistas foram destituídos de seus cargos. Todos perderam seus direitos políticos por dez anos. Inúmeros foram presos. Em 1964, houve mortes e torturas, ao contrário do que se admite.
Com isso, quero lembrar que em 1968 a ditadura estendeu seus tentáculos a muitos que ainda não tinham sido atingidos pelo golpe militar e ignoravam o que já ocorria no País desde 1964.
Embora eu, assim como minhas irmãs,  fosse muito criança quando o golpe ocorreu, nunca tive dúvidas de que a ditadura teve início em 1° de abril de 1964. Foi nesse dia que meu pai foi preso pela primeira vez e perdeu o cargo de diretor sindical no então Sindicato dos Operários Portuários. Esse mesmo golpe atingiu muitos de seus companheiros de trabalho no Porto de Santos e do sindicato (hoje, Sintraport).
  A segunda prisão se deu também em 1964 no navio Raul Soares, embarcação que    
conheci junto com minhas irmãs e minha mãe. Quando saiu de lá, meu pai perdeu o    
emprego na Companhia Docas de Santos e foi processado, sob acusação de ser subversivo e contrário ao governo militar. Respondeu a inúmeros processos durante dez anos. E foi julgado pela Justiça Militar, embora fosse um civil. Mas naquele tempo o cidadão não tinha direitos. Era obrigado a engolir as imposições dos ditadores.
Quando o AI-5 foi assinado, em nossa casa já estávamos cansados de sofrer as consequências dos desmandos dos militares, que tomaram o poder à força, desrespeitando a Constituição Brasileira.
Na verdade, só em 1968, os jornais passaram a prestar atenção ao que estava ocorrendo, porque a partir daí sentiram de perto. O mesmo se deu com muitos dos que se rebelaram. Enquanto eram sindicalistas e políticos da chamada velha guarda que estavam presos e sendo perseguidos, poucos se envolveram. Talvez tenha sido por isso que o regime se fortaleceu.
A professora-doutora Maria Aparecida de Aquino, do Curso de História da USP, também não considera que a ditadura teve início em 1968. Para ela, tudo começou com a deposição de João Goulart em 1° de abril de 1964.
Outro dia ainda escreverei mais sobre o assunto.

sábado, 26 de novembro de 2011

A Sangue Frio, uma pequena análise do
livro-reportagem de Truman Capote

                                                                  Lídia Maria de Melo


Em 1983, na disciplina de Estética, na Faculdade de Comunicação Social (Jornalismo) da Universidade Católica de Santos (UniSantos), apresentei uma análise ampla do livro-reportagem A Sangue Frio, do norte-americano Truman Capote. A obra marcou época em 1965, seis anos após múltiplo homicídio cometido por uma dupla que tinha a intenção de se tornar milionária. Em 17 de abril de 2006, publiquei em meu antigo blog uma pequena análise do livro. Reproduzo abaixo:

A Sangue Frio, de Truman Capote, é o relato de um múltiplo crime ocorrido em 14 de novembro de 1959, na cidade de Holcomb, no Kansas (EUA), que teve como consequência o enforcamento de Perry Smith e Richard Hickock, os assassinos, em 1965.
Trata-se de uma reportagem em que o autor, valendo-se de um senso de observação permanentemente apurado, expõe a transcendência dos fatos, das pessoas e das coisas e envolve o leitor numa narrativa mesclada de descrições e dissertações.
No primeiro capítulo, Capote apresenta cada um dos membros da família Clutter, com seus hábitos e características: “Sempre seguro do que pretendia no mundo, o Sr. Clutter em grande parte o conseguira. Na mão esquerda, no que restara de um dedo mutilado por máquina, usava uma aliança de ouro, símbolo de um quarto de século de casamento com a pessoa com quem sonhava casar...” (p. 13).
Também prende a atenção do leitor pelos sentidos: “Situada ao fim de uma estreita e longa alameda de frondosos olmos chineses, a bela casa branca, ao centro de um amplo relvado de grama das bermudas, impressionava Holcomb./ Era um lugar que o povo gostava de mostrar. Quanto ao interior, ostentava manchas de tapetes de um castanho-avermelhado, quebrando alternadamente o brilho do chão encerado e rangente ; um imenso sofá moderno na sala de estar, coberto por um tecido encaracolado e entremeado de fios cintilantes de metal prateado; na copa uma banqueta forrada de plástico azul e branco” . ( p.16).
Para criar um clima de expectativa e suspense, próprio das narrativas de crimes, o autor alterna cenas do cotidiano da família Clutter com os preparativos da dupla para o assassinato, como se fossem tomadas cinematográficas.
E, ao descrever os lances da viagem dos criminosos, torna o leitor um passageiro do carro deles.
Exs.: “A pequena cidade de Holcomb está situada nas altas planícies de trigo do oeste de Kansas (...) A terra é plana e as paisagens assustadoramente vastas. Cavalos, manadas de gado, um amontoado branco de silos erguendo-se graciosos como templos gregos, são vistos pelo viajante, muito antes de a eles chegar” (p.9).
... “Depois de tomar um copo de leite e colocar um boné de lã, o Sr. Clutter saiu de maçã em punho para examinar a manhã. Era o tempo ideal para comer maçãs”(p. 18).
... “Assim como o Sr. Clutter, o rapaz sentado na lanchonete não tomava café. Preferia root beer.(...) Bebericando e fumando, estudava um mapa aberto à sua frente, no balcão (um mapa Phillips 66 do México), mas era difícil concentrar-se, pois esperava um amigo e o amigo estava atrasado” (p. 22).
O clímax é atingido com a narração, recheada de descrições, dos últimos atos dos personagens antes do crime: “O quarto de Nancy era o menor de todos, e também o de mais personalidade: um quarto de menina, claro e engomado como um saiote de bailarina...” (p.72).
Anotações no diário: “Jolene K. apareceu e eu mostrei como é que se faz torta de cereja. Ensaiei com Roxie. Bobby esteve aqui e vimos TV. Foi embora às 11 horas” (p.74).
Os assassinos: “_ É aqui, é aqui, tem que ser aqui, tá ali a escola, a garagem, agora a gente pega o sul” (p.74).
Até que o crime se concretize, Capote é um narrador onisciente (aquele que conhece todos os acontecimentos, até mesmo os pensamentos dos personagens).
A partir daí, o leitor toma conhecimento das cenas monstruosas protagonizadas por Perry Smith e Richard Hickock, por meio das confissões dos próprios assassinos, já que o autor lança mão do discurso direto, e torna-se testemunha das confissões e do caráter controvertido da dupla.
“_ Tem ele. Ela. O garoto. A garota. Talvez até os outros dois.
Mas é sábado. Talvez tenham hóspedes. Oito digamos. Talvez até doze. A única coisa certa é que todos têm que ‘empacotar’.
_ Não é como te prometi, queridinho, miolo por tudo quanto é parede?
_ Cem metros de fio: o bastante para doze pessoas”
“_ Acendi as luzes (...). Vi uma caixa de papelão enorme na parede. Uma caixa de colchão. Achei que não devia pedir que ele se deitasse no chão frio; então arrastei a caixa achatei-a e falei para que se deitasse”.
Para obter o resultado que esperava, ou seja, a composição de um romance-reportagem, o autor utiliza técnicas estruturais literárias, conjugando-as com as jornalísticas.
Com isso, abre a possibilidade de novas abordagens estéticas no jornalismo.
Com o tema, Capote levanta polêmica sobre a pena de morte, as leis em vigor no Kansas e o resultado e a eficácia de exames psicológicos requisitados pela Justiça.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Diário de bordo (*)

            Lídia Maria de Melo
                          (*) poema de um tempo
                                        um tanto quanto distante
A preguiça própria de agosto
me leva a considerar
que alguma coisa invisível
une os mortos a seus vivos.
Os jornais não têm notícias,
o mês se arrasta comprido
sem feriados, vulcões ou queda de aeronaves
sobre os pelados chapéus-de-sol.
A verruga cancerígena
do presidente do planeta
consome o grama maior da ação do dia
e a raiva ainda ameaça a fidelidade de nossos cães.
Independentemente da aids,
o mundo cambaleia sem tesão ou filosofia,
anulando corpos e metas.
Na exata hora da tarde,
as explosões das pedreiras
põem dezenas de aves em revoada de espanto,
enquanto estrelas supernovas e cadentes
escapam da dimensão de meus olhos,
permitindo a fluência de minha ignorância:
_ Como respiram as árvores
no período de queda das folhas?

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Zuleika Alambert, uma mulher apaixonada por política que se tornou a 1ª. deputada santista

A edição de hoje do jornal A Tribuna (Santos) traz um comentário que escrevi sobre Zuleika Alambert. Ela foi a primeira mulher eleita deputada estadual pela Baixada Santista. No Estado, foi a segunda. Em 2005, entrevistei-a e publiquei uma reportagem também em A Tribuna (11/3/2005), que está republicada no site Novo Milênio. O comentário de hoje faz parte  da matéria "Intuição. Pioneirismo. Visão feminina" (página A-7).
Clique na imagem para ler o comentário de hoje:

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Retifica ou ratifica? Médica não sabia a diferença. E pacientes correram riscos

O fato aconteceu na minha presença.
Dois pacientes correram risco duplo.
Um estava com infecção alta e o outro, não. Mas os exames deles foram trocados pelo laboratório. O paciente saudável saiu do PS medicado com o remédio que o portador de infecção deveria tomar. O que estava doente foi embora como se sua saúde estivesse perfeita.
Quando a médica percebeu o engano e quis consertar, quase pôs tudo a perder. Ela desconhecia a diferença entre duas palavras: retificar e ratificar.
Quem salvou a situação foram duas recepcionistas.
Em 1º. de agosto de 2000, publiquei na coluna Campus, na página A-7 do jornal A Tribuna, umas notas relatando o episódio.
Para ler, clique na imagem ao lado.
Se não conseguir ampliar, você pode ler abaixo a reprodução:
---------------------------------------------

CAMPUS
Lídia Maria de Melo
  Editora Local

Dúvida I
O fato ocorreu em um pronto-socorro particular da Cidade.
Aflita com a troca de exames de dois pacientes, uma jovem médica perguntou às duas recepcionistas de plantão: "Quando se quer corrigir um engano, a gente retifica ou ratifica?" A resposta da dupla foi rápida e em uníssono: "Retifica!"

Dúvida II
O episódio traz à baila algumas questões.
Por que foi extinta a obrigatoriedade do ensino de Língua Portuguesa em todos os cursos universitários? Será que os estudantes de Exatas e Biológicas podem prescindir das aulas de Português? Qual a razão de, mesmo na área de Humanas, com poucas exceções, o estudo da nossa língua ter sido relegado a segundo plano?

Dúvida III
Que os especialistas apresentem as respostas. Sejam elas quais forem, uma coisa é certa: se, em vez de retifica (corrige), a médica tivesse escrito ratifica (confirma) em seu relatório, as consequências poderiam ter sido desastrosas para os dois pacientes.

Dúvida IV
Consultar gramática e dicionário sempre ajuda em casos como esse. Isso parece óbvio, mas ainda existem universitários que não adquiriram o hábito. Explicações sobre parônimos (termos que têm forma parecida, como retifica e ratifica) podem ser encontradas no capítulo Significação das palavras, na gramática de Celso Cunha. Já a de Rocha Lima aborda o assunto no de Estilística léxica.

sábado, 8 de outubro de 2011

Liberadas as partes finais da entrevista sobre censura e ditadura, concedida a projeto da USP






Projeto de videoentrevistas do Núcleo de Pesquisa em Comunicação e Censura (NPCC) da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP), coordenado pela profa. dra. Maria Cristina Castilho Costa.

Veja a Parte 1 e a Parte 2, clicando nos números ou no post anterior.

Entrevistada: Lidia Maria de Melo
Profissão: jornalista, escritora e professora universitária
Data: 18/06/2011
Categoria: Ciência e tecnologia
Palavras-chave: Censura, Ditadura Militar, Comunismo, Sindicato, Repressão, NPCC, ECA, USP, Santos
Licença padrão do YouTube.
Entrevistador: César Bargo Perez.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Lídia Maria de Melo fala sobre censura e ditadura em entrevista concedida à ECA/USP


Este vídeo faz parte do projeto de videoentrevistas sobre censura desenvolvido pelo Núcleo de Pesquisa em Comunicação e Censura (NPCC) da Escola de  Comunicações e Artes da USP (ECA/USP) (http://npcc.vitis.uspnet.usp.br/?q=videoentrevista).


Entrevistada: Lidia Maria de Melo
Profissão: jornalista, escritora e professora universitária

Data: 18/06/2011
Categoria: Ciência e tecnologia
Palavras-chave: Censura, Ditadura Militar, Comunismo, Sindicato, Repressão, NPCC, ECA, USP, Santos
Licença padrão do YouTube.
Dei esta entrevista a uma equipe coordenada pelo roteirista e professor Ms. Cesar Bargo Perez, doutorando na ECA/USP.
O poema que declamo no início da Parte 1 é  Filho de Um Estupro e está publicado em meu livro Raul Soares, Um Navio Tatuado em Nós. 
O nome de meu pai é Iradil Santos Mello.
A equipe do NPCC está fazendo um trabalho muito importante ao preservar a memória de uma geração brasileira.
Os demais vídeos podem ser vistos no Youtube ou no site do NPCC.

domingo, 18 de setembro de 2011

Com que autoridade estão mudando os ditados populares? Por que agora se "vaia" Roma?

Não há novidade em se dizer que a língua é dinâmica e passa, ao longo dos tempos, por um processo de alteração, tanto na forma das palavras, quanto nos sentidos. De tempos em tempos, muitos vocábulos surgem e outros morrem. Essas mudanças ocorrem sempre a partir de uma necessidade dos falantes do idioma.
Primeiro, as alterações costumam se dar no plano oral. Depois, no escrito. E normalmente ficam registradas em documentos, na imprensa, na literatura... Só a partir de uma ocorrência acentuada é que linguistas e dicionaristas procedem ao registro oficial nas gramáticas, nos estudos linguísticos e nos dicionários.
Desde que a internet tornou-se ambiente comum aos povos, passaram a circular entre os usuários informações nem sempre fundamentadas ou assinadas por alguém idôneo. Mesmo assim, são aceitas como corretas pela maioria que não questiona a procedência delas.
No rol de exemplos estão textos falsos, atribuídos a pessoas respeitadas em seu campo de atuação, como jornalistas, escritores, poetas, professores de português, políticos.
Em espanhol, em francês e italiano, quem tem boca vai a Roma. Por que não em português?
Já há algum tempo, chama a atenção uma lista de ditados populares que, supostamente, teriam sido concebidos há séculos com estrutura diferente da que utilizamos agora. Com "agora", quero dizer há mais de 100 anos. Faço esse cálculo porque meus avós, se vivos fossem, teriam ultrapassado um século de existência. Meus pais aprenderam com eles ditados que hoje ainda ouço. Se alguém decide atualmente que eles surgiram com outro sentido, essa correção deve remontar a um período superior a um cento de anos.
Entre os ditados, está o mais que conhecido "Quem tem boca vai a Roma".
Em agosto do ano passado, na revista Língua Portuguesa, o professor e escritor Sírio Possenti, do Departamento de Linguística da Unicamp e autor do livro Os Humores da Língua - Análises Linguísticas de Piadas, comentou sobre esse modismo de se alterar certas expressões, com o argumento de que elas não fazem sentido.
Além de outros exemplos, ele citou "Quem tem boca vai a Roma", que a lista da internet corrige para "Quem tem boca vaia Roma".
"Boca", como explicou o professor, é uma metonímia para "perguntar", "sabe falar" etc. Ele lembrou também que o mesmo ditado tem correspondente em outras línguas. Em francês, Qui langue a, à Rome vá (numa tradição livre, Quem tem língua, vai a Roma); em espanhol, Preguntando se va a Roma (Perguntando se vai a Roma); e, em italiano, Chi língua há, a Roma va (Quem tem língua, vai a Roma).
Ou seja, nesses idiomas de origem latina, como o português, o ditado quer dizer exatamente o que o nosso expressa: "Quem tem boca vai a Roma" (Quem tem boca pergunta e chega ao lugar procurado). Por que somente no Brasil a cidade que foi sede de um império seria vaiada?
Na tal lista que circula na internet, consta também a expressão "bicho-carpinteiro" como errada e corrigida para "bicho no corpo inteiro". Basta uma consulta aos dicinários, como o de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira (Aurélio Século XXI), para ver a expressão "bicho-carpinteiro" registrada com o sentido relacionado "a quem não consegue ficar quieto, não para em lugar nenhum".
Utilizada há séculos no arquipélago de Açores, a expressão é mencionada também pelo frei português Francisco Rei de Abreu Mata Zeferino em seu livro Anatômico Jocoso, de 1755, no capítulo 1, nas páginas 155 e 204. Ou seja, há 256 anos.
Alterar dito popular equivale a trocar risco de vida por risco de morte. Modismo sem fundamento
Essa ânsia de correção, sem base científica, é semelhante à que envolve a expressão idiomática "risco de vida", há séculos consagrada pelo uso, no português, no francês (risque de vie), no espanhol (riesgo de vida), no inglês (risk of life), mas que, agora, alguém no Brasil cismou de mudar para "risco de morte".
Escritores renomados da língua portuguesa registraram-na em suas obras: Aluísio de Azevedo, em O Cortiço ("Delporto e Pompeo foram varridos pela febre amarela e três outros italianos estiveram em risco de vida"); José de Alencar, em O Guarani ( "Não há dúvida, disse D. Antônio de Mariz, na sua cega dedicação por Cecília quis fazer-lhe a vontade com risco de vida"); Machado de Assis, em Quincas Borba ("Salvar uma criança com o risco da própria vida...").
As leis brasileiras falam em "gratificação por risco de vida", assim como o Código de Ética Médico menciona "iminente risco de vida".
Isso não quer dizer que a expressão "risco de morte" não possa ser usada. O que causa estranheza é empregá-la no lugar de "risco de vida", como se essa estivesse errada.
O uso de "risco de morte" é registrado também em nossa literatura, mas a expressão está sempre acompanhada de um adjetivo. Exemplos: risco de morte súbita, risco de morte por afogamento, risco de morte por parada cardíaca, como cita o professor Cláudio Moreno no blog Sua Língua.

Então não se poderia usar a expressão "ao pé da letra". Afinal, letra não tem pé!
Volto a repetir, como a língua é dinâmica, alterações podem ocorrer nas expressões, nas palavras. Mas só as aceito de bom grado se surgirem espontaneamente entre a população. 
No caso dos ditados populares e de "risco de vida", as mudanças têm sido impostas pela imprensa e por usuários da internet que não questionam as mensagens que recebem por e-mails.
Se alguém trouxer a público documentos que comprovem que os ditos populares incluídos na listagem surgiram de forma diferente há séculos e séculos, então darei minha mão à palmatória. Opa, essa expressão quer dizer que me renderei aos argumentos. Quando foi criada, fazia referência ao castigo aplicado nas escolas ou nas casas, com o uso da palmatória, um instrumento que servia para castigar uma pessoa, aplicando-lhe golpes na palma da mão. Como a palmatória foi abolida, pode ser que alguém queira encontrar uma outra explicação para ela.
Vale lembrar que as expressões idiomáticas não têm sentido literal. A maioria está impregnada de sentidos expressos por figuras de linguagem ou de pensamento, ou faz referência a uma realidade que já se modificou. Retratam a cultura do povo que as criou.
Uma mesma palavra ou expressão pode assumir conotação diferente, dependendo do contexto. Se assim não fosse, jamais poderíamos dizer, por exemplo, "ao pé da letra". Afinal, letra não tem pé!
Verificar a autenticidade é ato necessário
Ah, aqui também cabe um alerta: antes de disseminar tudo o que aparece em mensagem enviada por e-mail, ou acreditar no que está escrito, é preciso verificar a autenticidade. Durante a campanha eleitoral à Presidência da República, um e-mail denegria a imagem da então candidata Dilma Rousseff, atribuindo-lhe ações das quais ela jamais participou.
A tal lista alterando os ditados populares foi conferida ao professor Pasquale Cipro Neto. Indignado, ele negou a autoria em artigo publicado na Folha de S. Paulo de 13 de maio de 2010. Nesse link, você pode ver o título no índice do jornal. O texto só é aberto para assinante. Encontrei-o transcrito no blog Algumas Palavras. Leia.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Ataques de 11 de setembro de 2001. Onde eu estava e o que fazia. Jamais vou me esquecer

Coluna que eu assinava em
A Tribuna. Clique nela para ampliar

Nunca me esquecerei do que eu fazia em 11 de setembro de 2001.
Já escrevi sobre isso em 2006, no meu antigo blog, e em 2009, neste atual. Mas sempre me emociono, como se fosse a primeira vez.
Naquele dia, assim que acordei, telefonei para o jornal A Tribuna. Precisava avisar que eu não iria trabalhar, porque não me sentia bem.
Em seguida, procurei notícias sobre o assassinato ocorrido na noite anterior. O do prefeito de Campinas, Antônio da Costa Santos, mais conhecido como Toninho do PT.
Pedi a meu sobrinho de  2 anos e 11 meses para me deixar sintonizar a televisão na Band News. Ele brincava na sala e assistia a uma programação infantil em um canal a cabo.
Mudei e o senador Eduardo Suplicy dava entrevista sobre a morte do prefeito. Assim que ele acabou de falar, entraram imagens de Nova Iorque ao vivo. A primeira torre do World Trade Center havia acabado de ser atingida por um avião. O que se supunha era que tinha sido um acidente. Imediatamente, mudei para a TV Globo. Mania de jornalista. Queria ver se a programação normal havia sido interrompida. Afinal, a notícia era trágica.
Não deu outra. Visivelmente nervoso e espantado, Carlos Nascimento já narrava o que estava acontecendo nos Estados Unidos.

Seattle Post, 12 de setembro de 2001
Clique na imagem para ampliar
 A primeira coisa que me passou pela cabeça foi telefonar para minha irmã, na assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Educação.
Enquanto digitava os números, Carlos Nascimento disse, sem muita convicção, que um segundo avião parecia ter batido no outro prédio do World Trade Center.
Duvidei da informação. ''Ele bebeu'', eu disse.
Nem bem acabei de falar, apareceram imagens do segundo avião surgindo de trás da segunda torre, fazendo uma curva e entrando com tudo no prédio. Não restavam mais dúvidas: aquilo não era acidente, mas um atentado sem precedentes na história do planeta.
Quando consegui falar com minha irmã, ela ligou a televisão na sala da assessoria de imprensa e comentou: ''Quem será que fez isso?!''
Voltei a telefonar para o jornal A Tribuna e o contínuo que atendeu me disse: ''Agora vai estourar a terceira guerra mundial''.
Passei o dia diante da TV. Eu queria acompanhar tudo.
Uma das imagens que mais me impressionaram foi a de um homem agitando a camisa branca em um dos últimos andares da Torre Norte em chamas. Decerto, o nome dele consta na relação de mortos. Ele não teria como sair vivo dali.
Os equipamentos do Corpo de Bombeiros não seriam suficientes para atingir aquela altura. O calor em torno dos prédios não permitiria a aproximação de helicópteros. Pensava nisso tudo por me lembrar de incêndios como o do Edifício Andraus e o do Joelma, em São Paulo.
Uma semana depois, no dia 18 de setembro de 2001, mencionei na coluna Campus, que eu assinava em A Tribuna (ver imagem acima), a cena do rapaz sacudindo a camisa branca.
''Quando vocês forem construir suas torres, lembrem-se de nos consultar''.
Relacionei com Inferno na Torre, filme que narra o incêndio em um edifício de 138 andares no dia da inauguração. O prédio fictício, chamado de Torre de Vidro, era mais alto que as torre gêmeas de Nova Iorque.
Em uma das cenas finais, o bombeiro Michael O'Hallorhan, interpretado por Steve McQueen, chama a atenção do arquiteto Doug Roberts, vivido por Paul Newman: ''Quando vocês forem construir suas torres, lembrem-se de nos consultar''. O alerta feito em 1974 pelo personagem tem sentido ainda hoje porque a escada Magirus dos bombeiros só alcança cerca de 30 metros de altura. Mesmo assim, os edifícios estão cada vez mais altos.
The Telegraph, 11 de setembro de 2006
Clique na imagem para ampliar
Os atentados às torres gêmeas também me trouxeram à mente a música Nostradamus, de Eduardo Dusek. Principalmente os trechos em que ele canta: "Alguns edifícios explodiam/ pessoas corriam (...) De repente,/ na minha frente/ a esquadria de alumínio caiu/ junto com o vidro fumê,/ o que fazer?/ tudo ruiu,/ começou tudo a carcomer,/ gritei,/ ninguém ouviu (...)/ O dia virou noite/ o sol foi pro além (...)".
As lembranças dos ataques às torres são mais chocantes porque acompanhamos ao vivo pela TV. Mas não suavizam o que aconteceu no prédio do Pentágono, onde morreram 189 pessoas, nem  a história do voo 93, que foi impedido pelos passageiros de atingir a Casa Branca ou o Capitólio e caiu em um campo da Filadélfia, matando todos que estavam a bordo. Também não nos fazem esquecer das vítimas de outros atos bárbaros que aconteceram depois, como as explosões em trens de Madri (11 de amrço de 2004) e no metrô e em um ônibus em Londres (7 de julho de 2005) e as próprias guerras contra o Afeganistão e o Iraque.
Hoje, diante de tantos interesses e insanidades que movem o mundo, rezar pela paz entre os homens e nos apegar à fé, à solidariedade, ao amor, à esperança podem parecer atitudes tolas. Mas o que nos resta a não ser essas ações e esses sentimentos tidos como abstratos e que nesses momentos são tão acolhedores?
None of us will ever forget that day

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Na Tarrafa Literária, Fernando Morais conta casos de ACM; Isabel Lustosa fala de Lampião


João Gabriel (à esq), Isabel Lustosa e Fernando Morais
Clique na imagem para ampliar
A plateia foi ao Teatro Guarany na tarde do sábado, 27 de agosto, para ver e ouvir Fernando Morais.
Autor de livros consagrados, como A Ilha, Chatô, Olga, Corações Sujos e o mais recente, Os Últimos Soldados da Guerra Fria, o jornalista-escritor encantou o público. Como sempre!

Durante o debate A Vida dos Outros _ Biografia, na 3ª Tarrafa Literária - Encontro Internacional de Escritores de Santos, promovida pela Realejo Livros & Edições, Fernando Morais contou histórias sobre seus personagens e seus métodos de pesquisas. Arrancou risadas quando lembrou casos de Antônio Carlos Magalhães e o roubo de seu computador com entrevistas de José Dirceu.
                                 Clique: Fernando Morais fala sobre ACM e Brizola
  video
A outra convidada, Isabel Lustosa, não deixou por menos.
Historiadora e doutora em Ciências Políticas pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), Isabel  envolveu a plateia com sua voz firme e cativante, enquanto falava sobre seu novo livro, Lampião – Violência e Esperteza.

Discorreu sobre sua sistemática de pesquisa e desmentiu inverdades a respeito de Lampião. Ela esclareceu que o cangaceiro ganhou fama de Robin Hood devido à onda cultural dos anos 50 e 60, na esteira do Cinema Novo.

De fato, como acrescentou, o rei do cangaço e seu bando eram cruéis e violentos. Chegavam às cidades provocando arruaças e cometendo crimes bárbaros. Castravam homens, violentavam mulheres. "Lampião não difere em nada de um bom mafioso".

                                         Clique:  Isabel Lustosa fala sobre Lampião
video

Sobre o processo de escrita de uma biografia, Isabel Lustosa disse ainda que, embora o pesquisador fique envolvido e até obcecado pelo personagem em estudo, é preciso jamais perder o distanciamento, a isenção.

Ela lembrou que alguns colegas seus se apaixonam tanto pelo pesquisado que ficam tentando encontrar o lado bom do personagem, quando muitas vezes não há.

Autora de uma biografia de Dom Pedro I, Isabel disse que seguiu a ordem cronológica para redigir seu livro sobre o ex-imperador do Brasil. "Figura fascinante, um personagem contraditório", classificou, lembrando que Dom Pedro foi capaz de bater na mulher, dona Leopoldina, mas era amoroso com a amante, Maria Domitila de Castro Canto e Melo, a Marquesa de Santos.
Os dois escritores deixaram um gosto de quero mais na boca da plateia
Fernando Morais contou que o ex-todo-poderoso-baiano, ex-senador e ex-governador Antônio Carlos Magalhães gravava todos os telefonemas que recebia desde que chegou a Brasília. As transcrições das gravações foram entregues pelo próprio ACM a Fernando Morais.

Sobre a biografia do falecido político, Morais disse que não tem pressa de escrever. "Essa ninguém tira de mim. Gravei centenas de horas com ele. Digitalizei o célebre arquivo dele. Ele me deu".

                                       Clique: Fernando Morais fala de ACM e seu advogado
video
 
Na primeira edição de Chatô, Morais incluiu que o então general Ernesto Geisel, ex-presidente militar do Brasil, tinha sido sócio de Assis Chateaubriant e do banqueiro carioca Don Ernani em uma empresa de petróleo na Paraíba, em 1930.

Geisel reclamou a um jornalista amigo de Morais: "Esse sujeito cometeu um equívoco".
Quando foi informado, Morais viajou até a junta comercial paraibana e constatou: a informação que lhe fora passada pelo próprio Don Ernani não era verdadeira. "Mudei o livro na segunda edição. Depois, mandei um exemplar para Geisel, com um cartão e um pedido de desculpas".

Sempre me interesso pelas misérias e grandezas de meus personagens. Sobretudo as misérias.
            Fernando Morais
                                                  Clique: Morais fala sobre assalto e dados de Zé Dirceu
video
Processado pelo deputado federal e agropecuarista Ronaldo Caiado e condenado pela Justiça de Goiás a lhe pagar R$ 500 mil, Morais disse que existe uma contradição entre o artigo da Constituição que garante a liberdade de imprensa e o que estabelece que o direito de imagem é do proprietário dela e de seus herdeiros.
“Se a pessoa é uma figura pública, não há por que ter restrições, obviamente mantendo a veracidade das investigações. A sociedade tem o direito de se informar sobre as pessoas públicas”, enfatizou.
                                                        Clique na imagem para ampliar
A Tarrafa Literária foi realizada no Teatro Guarany, em Santos
 A mediação do encontro, que durou uma hora e meia, ficou a cargo do jornalista João Gabriel de Lima, redator-chefe da Revista Bravo. Gabriel foi simpático e competente. Não falou nem menos, nem mais do que deveria. Foi exato.
.........................................................................

Leia sobre a 1ª Tarrafa Literária, de 2009, clicando aqui.
E ainda mais informações aqui.

sábado, 27 de agosto de 2011

Há 31 anos, bomba matava secretária da OAB

Em 27 de agosto de 1980, três bombas explodiram no Rio de Janeiro.
Uma dessas bombas foi lançada na sede da Ordem dos advogados do Brasil (OAB) e matou a secretária Lida Monteiro da Silva.
Uma outra explosão se deu no gabinete do vereador carioca Antônio Carlos de Carvalho. Seis pessoas ficaram feridas.
No jornal Tribuna Operária, também na Cidade Maravilhosa, a bomba danificou as instalações do prédio onde estava instalado o periódico.
O motivo das detonações?
Naquela época, o Brasil ainda vivia sob o regime de ditadura militar, mas o processo de reabertura política começava a se desenhar nos bastidores.
Forças de direita favoráveis à manutenção do regime de exceção promoviam atentados para intimidar as institituições que apoiavam a volta da democracia.
Essas forças queriam provar que o País não estava preparado para a liberdade.

(Fonte: Banco de Dados da Folha de S. Paulo e meu livro Raul Soares, Um Navio Tatuado em Nós)
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...