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sábado, 20 de outubro de 2012

As palavras transportam todos os nossos segredos. A defesa de José Genoino e o parquet

Após tomar conhecimento da carta da filha de José Genoíno a respeito das acusações que pesam contra o pai no esquema do Mensalão, busquei mais informações na internet. Fico sempre tentada a ouvir as pessoas que se dizem acusadas injustamente.
Na terça-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Genoíno por corrupção ativa. A carta de Miruna Genoíno foi lida, ontem, pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP) na tribuna do Senado.
Neste momento, como jornalista, o que mais gostaria era de poder entrevistar o ex-deputado e ex-presidente do PT. Não para acusá-lo ou tomar partido. Para, quem sabe, poder decifrar histórias e fatos que não se revelam com facilidade, que passam despercebidos aos olhos comuns.
Acho que este anseio surgiu em mim durante a ditadura militar, quando a verdade dos perseguidos se ocultava nos vãos das palavras, nas entrelinhas, como charadas a serem decifradas somente por quem fosse capaz de alcançar os sentidos invisíveis e flutuantes das linguagens.
No site do jornal O Globo, encontrei um infográfico intitulado Saiba quem são os acusados do mensalão. Cliquei no nome de Genoíno e achei sua defesa apresentada ao Supremo Tribunal Federal.
Vou me debruçar sobre ela. Quem sabe eu consiga analisar mais em silêncio, longe da influência de meus colegas da imprensa e dos holofotes das câmeras de TV, as ponderações da defesa. Se um dia eu tiver a oportunidade de conversar com ele, estarei preparada.
Assinado pelos advogados Sônia Cochrane Ráo, Luiz Fernando Pacheco, Sandra Gonçalvez Pires e Marina Chaves Alves, o documento de 115 páginas é datado de 8 de setembro de 2011.
Além dos argumentos da defesa, oferece oportunidade secundária de estudo do léxico. Não pude escapar desta outra tentação, que pode parecer supérflua, diante da gravidade do tema em pauta. Mas asseguro que não é. As palavras transportam todos os nossos segredos (desconfio que essa frase seja o embrião de um poema).
Para entender, acompanhe um exemplo. Logo de início, os advogados empregam a palavra francesa "parquet" (lê-se parquê). O termo é muito comum  nos meios judiciários, embora pudesse ser substituído por ministério público ou pelo cargo ocupado por um de seus membros.
Pois bem, "parquet", em francês, significa "assoalho". Na época dos reinados franceses, nas salas de audiência, os procuradores dos monarcas ficavam no assoalho (parquet) e não, no tablado ocupado pelo juiz. Com o tempo, no Direito, esse termo passou a designar o Ministério Público ou o representante dele, indicando que a instituição é o sustentáculo, a base, do sistema jurídico.
Vou me debruçar sobre essa defesa e, claro, sobre a acusação. Certamente, depreenderei muito mais.

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