terça-feira, 29 de setembro de 2009

Meu aniversário sem lúpus e Lucy in the sky


Passam poucos minutos do dia de meu aniversário, 28 de setembro. Meu feriado particular. Por mais que as medidas proporcionais de meu corpo vão ficando para trás. Por mais que as marcas do tempo se acentuem em meu rosto. Por mais que eu precise retocar a cor das raízes de meu cabelo. Por mais que certas roupas já não me caiam bem. Apesar de tudo isso e de muito mais, eu me sinto agradecida à força natural que costumo chamar de Deus.
Como aquele personagem que nasceu velho e vai rejuvenescendo, quando eu era jovem, adolescente, enfrentava problemas sérios de saúde que hoje não tenho. E por que lembrar disso justamente no dia que me foi tão leve e prazeroso, em que recebi o carinho de minha família e de pessoas amigas (mesmo as que estão distantes), em que ganhei rosas enviadas por um amigo que está do outro lado do Oceano Atlântico (vide foto)?
Li a notícia da morte de Lucy Vodden, a musa inspiradora da eterna canção de John Lennon ''Lucy in the sky with diamond''. Ela era criança quando a música foi composta.
Jovem e bonita, Lucy morreu neste 28 de setembro, aos 46 anos, de uma doença que conheço bem: lúpus eritematoso sistêmico. É um distúrbio orgânico, incluído no rol dos males autoimunes que fazem com que o organismo não se reconheça e mobilize o sistema imunológico contra si mesmo.
Aos 17 anos, recebi o diagnóstico de lúpus. Meus sintomas começaram aos 15. Os médicos levaram 24 meses para descobrir o que eu tinha e acreditavam que eu viveria pouco.
Contrariei os prognósticos, apesar de ter enfrentado internações, dores, doses astronômicas de cortisona, efeitos colaterais do tratamento que deixava a imunidade quase a zero...
Além dos sintomas reumáticos, os órgãos internos se enfraqueciam com os ataques. O cabelo caía aos montes, a febre me deixava prostrada, o coração disparava mesmo com o passo lento, os pulmões e o coração se encheram de água, o rosto e os pés inchavam, a pele era atacada por viroses, as mucosas sangravam, as articulações inchavam e doíam... Isso apenas para falar resumidamente do que ocorria.
Às vezes, achava que ia morrer. Outras, acreditava que seria um desperdício, porque eu tinha tanta coisa para fazer. E fui atrás de tudo o que minha mente permitia fazer. Nunca deixei de estudar, de trabalhar, de tentar levar uma vida normal. Consegui.
Depois de anos e anos, um dia o lúpus adormeceu e eu não o deixei mais voltar. Como, nem eu mesma sei. Mas acho que foi com tratamento, minha força interior, minha vontade de continuar em frente e um pouco de sorte.
Faz 16 anos que não tomo qualquer remédio para a doença e não tenho sintomas. Aos poucos fui me livrando de uma legião de médicos a quem tinha de ''visitar'' com frequência.
Lamento a morte de Lucy. Ela e muitas outras pessoas que padecem de lúpus ainda morrem em pleno século XXI. Muitos médicos nem sabem como lidar com a doença.
Em meus planos, está escrever um livro sobre esse tema. Talvez eu possa contribuir com alguma coisa para que elas levem uma vida melhor ou quem sabe se livrem desse mal, como eu me livrei. (Já escrevi sobre isso em meu blog anterior. Veja link abaixo).
Neste 28 de setembro, em que Lucy morreu de lúpus, completei 52 anos. Só tenho que agradecer. Não estou mais velha. Estou viva. E bem.

sábado, 26 de setembro de 2009

A menina que comia barro

No dia 10 de outubro do ano passado, o Jornal Hoje mostrou uma reportagem sobre a fome em Pernambuco. Fiquei impressionada com uma garotinha de 8 anos, que morava em Araçoiaba, uma localidade do agreste, a 40 quilômetros de Recife. Escrevi sobre isso no meu antigo blog.
Maria Luzia Silva comia barro para sobreviver. Apesar da vida miserável, ainda sabia sorrir e demonstrava rara inteligência.
Disse que sentia ''uma dor'' sempre que procurava o que comer e não encontrava. Quando a repórter Beatriz Castro lhe perguntou que tipo de dor era aquela a que se referia, ela expressou, com sensibilidade poética: ''É dor de lágrima no coração. É dor de tristeza''.
Até hoje não consigo me esquecer de Maria Luzia. O que será que é feito dela?
A reportagem apontava que mais de 3 milhões de meninos e meninas brasileiros sofriam de desnutrição, porque passavam fome.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Pelo fim dos fogos

Toda vez que ocorre um acidente em fábrica ou ponto de venda de fogos de artifícios, penso que esse tipo de produto deveria ser banido da face da terra. Acidentes desse gênero não são incomuns e costumam deixar rastos de mortes. Somente este ano, houve nove explosões em pontos de produção de fogos. Está na hora de mudar essa estatística.
Em tempo: a aliteração do título é proposital.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Porque é primavera!

Fotos de Lídia Maria de Melo (clique nelas para ampliar)

Em 1961, o paranaense Paulo Soledade, um dos fundadores do Clube dos Cafajestes, no Rio de Janeiro, compôs a música Estão Voltando As Flores.

Sucesso na voz de Helena de Lima e de Dalva de Oliveira, nos anos 60, a marcha-rancho bem pode servir de tema para a estação que se inicia hoje:

''Vê, estão voltando as flores
Vê, nesta manhã tão linda
Vê, como é bonita a vida
Vê, há esperança ainda
Vê, as nuvens vão passando,
Vê, o novo céu se abrindo
Vê, o sol iluminando
por onde nós vamos indo''.

Ouça Emílio Santiago cantando:




sábado, 19 de setembro de 2009

Lourenço Mutarelli é um dos finalistas do
Prêmio Portugal Telecom de Literatura

O livro A Arte de Produzir Efeito sem Causa, de Lourenço Mutarelli, é um dos dez finalistas do 7º Prêmio Portugal Telecom. O nome do vencedor será conhecido somente no dia 10 de novembro.


Fiquei contente com essa classificação de Mutarelli, que também é autor de O Cheiro do Ralo.

Não o conhecia até o último dia 6, quando participei da Tarrafa Literária - 1º Encontro Internacional de Escritores de Santos, no Teatro Guarany.


Comprei justamente esse livro dele, depois de assistir a sua participação no painel Mentiras, Culpa da Ficção ao lado de Marcelo Mirisola, sob mediação do livreiro José Luiz Tahan (organizador da Tarrafa).

Como escrevi mais abaixo no post Tarrafa Literária, o autor utiliza, nesse livro classificado no Prêmio Portugal Telecom, recursos linguísticos de histórias em quadrinhos (HQ), como as frases curtas. Ele se dedica às HQ há muitos anos. Durante o debate na Tarrafa, demonstrou uma veia filosófica afiada.


Ainda não mergulhei em A Arte de Produzir Efeito sem Causa (Cia. das Letras), que ele autografou para mim no foyer do Teatro Guarany. Mas já li a primeira página. Adorei o ritmo das frases curtas. Tem a cara dele, que, por sinal, está registrada na foto que tiramos juntos.

Os demais finalistas do Prêmio Portugal Telecom são:
Acenos e Afagos, de João Gilberto Noll; Cinemateca, de Eucanaã Ferraz; Heranças, de Silviano Santiago; Ó, de Nuno Ramos; O Livro dos Nomes, de Maria Esther Maciel; A Eternidade e o Desejo, de Inês Pedrosa; Aprender a Rezar na Era da Técnica, de Gonçalo M. Tavares; Cemitérios de Pianos, de José Luís Peixoto; e Ontem Não Te Vi em Babiblônia, de Antônio Lobo Antunes.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Caos Calmo, um filme que vale a pena




Um filme que vale a pena. Caos Calmo. Título original em italiano e traduzido em português. Caos Calmo.
Não se trata de uma narrativa de altos e baixos. Não. É uma história de emoção, de uma tensão contida diante da perda, do luto.
Dirigido por Antônio Luigi Grimaldi, o filme é baseado no romance do escritor Sandro Veronesi. Mostra o comportamento do executivo italiano Pietro Paladini (vivido por Nanni Moretti) após a morte prematura de sua mulher.
Depois de salvar de afogamento uma desconhecida, ele chega à casa de veraneio e encontra a mulher, morta, e a filha pequena, desesperada (interpretada por Blu Di Martino). Aí começa toda a trama.
Diariamente, Pietro, que é irmão do belo Carlo (Alessandro Gassman/foto abaixo à esquerda), leva a menina à escola e permanece sentado em um banco de praça, diante do prédio, até que a filha saia da aula.

Um filme que deixa um gosto de quero mais.
Ah, Roman Polanski tem uma participação especial.
Assista ao trêiler aqui.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Um minuto de silêncio

Um lamento! Patrick Swayze não conseguiu vencer o câncer. Morreu ontem.
Tenho três filmes dele:
''Caçadores de Emoção'', onde ele aparece lindo, cabeludo, parafinado e irreverente. O ladrão e surfista sedutor e impetuoso, que prefere entregar a vida à grande onda a perder a liberdade.
''Dirty Dance'', o filme que destaca o poder da dança de salão nas relações humanas. Fez Patrick ser indicado ao Globo de Ouro.
''Ghost, Do outro lado da Vida'', o romantismo e a fatalidade que levaram muita gente às lágrimas nos cinemas. Consagrou o ator como um ídolo de Hollywood.
Que pena! Patrick Swayze tinha somente 57 anos, completados há menos de um mês, em 18 de agosto.
A gente nunca se acostuma com essa avalanche chamada morte.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Um dia que ninguém esquece

Em 11 de Setembro de 2006, postei no meu antigo blog um texto sobre os ataques terroristas nos Estados Unidos e o assassinato do então prefeito de Campinas, Toninho do PT. No final, ainda incluí informações sobre a morte do coronel que comandou a invasão à Penitencìária do Carandiru. Como hoje é dia de relembrar aqueles trágicos fatos que mudaram o rumo da História, vou reproduzir abaixo. Eis o texto e as imagens: 11 de Setembro, Toninho do PT e Coronel Ubiratan (Reproduções das capas do Seattle Post/2001 e The Telegraph/2006) 11 de setembro de 2001. Estava diante da televisão e assisti ao noticiário dos atentados desde o início apenas por um motivo: queria mais informações sobre um assassinato ocorrido na noite anterior em Campinas. O do então prefeito Antônio da Costa Santos, o Toninho do PT. (Até hoje o crime não foi muito bem explicado). Meu sobrinho, na época com 2 anos e 11 meses, estava brincando na sala, com a TV ligada em um canal a cabo infantil. Pedi a ele para me deixar ver um instantinho só a Band News. Quando mudei de canal, o senador Eduardo Suplicy dava entrevista. Logo após a sua fala, entrou o noticiário ao vivo. Um avião havia se chocado contra uma das torres gêmeas do World Trade Center, em Nova Iorque. É claro que pensei em um acidente. Imediatamente, mudei para a TV Globo, para verificar se a emissora havia interrompido a programação normal e entrado com o noticiário. Já me deparei com o Carlos Nascimento direto do estúdio, fazendo a narração do que ocorria nos Estados Unidos. Dava para perceber o nervosismo e o ar de espanto. Corri para o telefone, para informar minha irmã que estava trabalhando. Enquanto discava, Carlos Nascimento disse, sem muita certeza, que parecia que um segundo avião havia batido no outro prédio. Pensei: ''Ele bebeu''. Mas, assim que ele acabou de falar, apareceram imagens do segundo avião surgindo de trás da segunda torre, fazendo uma curva e entrando com tudo no prédio. Não havia mais dúvidas: aquilo não era acidente, mas um atentado sem precedentes na história do planeta. Quando avisei minha irmã, ela ligou a TV na sala da assessoria de imprensa e comentou: ''Quem será que fez isso?!'' Telefonei para a redação do jornal em que trabalho e o contínuo me disse: ''Agora vai estourar a terceira guerra mundial''. O restante da história todo mundo conhece. E hoje deve ser relembrada pela imprensa do mundo todo. A mesma que motivou o jornalista Carlos Dornelles a escrever o livro Deus é Inocente, a Imprensa Não. Nesse livro, ele faz uma análise do noticiário divulgado, no período de um ano, a partir da invasão do Afeganistão pelos Estados Unidos na caça a Osama Bin Laden, e conclui: ''O papel da imprensa nunca foi tão subalterno''. Para ele, a cobertura pós-11 de setembro foi censurada, autocensurada e distorcida. Uma das imagens que mais me impressionaram, nos atentados ao World Trade Center, foi a de um homem agitando a camisa branca em um dos últimos andares da Torre Norte em chamas. Decerto, ele jamais sairia dali vivo. Na ocasião, eu assinava uma coluna no jornal e mencionei essa cena, que me fez lembrar do filme Inferno na Torre. Na ficção, o incêndio atinge um edifício de 138 andares, 18 a mais que as torres reais. Em uma das cenas finais, o bombeiro Michael O'Hallorhan, interpretado por Steve McQueen, chama a atenção do arquiteto Doug Roberts, vivido por Paul Newman: ''Quando vocês forem construir suas torres, lembrem-se de nos consultar''. O alerta feito em 1974 pelo personagem tem sentido ainda hoje porque a escada Magirus dos bombeiros só alcança cerca de 30 metros de altura. Em tempo 1: Mal acabo de escrever este post, leio no Blog do Noblat a notícia de mais um crime: o coronel Ubiratan Guimarães (deputado estadual pelo PTB e candidato à reeleição), que se tornou conhecido por ter comandado a ação contra a rebelião no Carandiru, em outubro de 1992, foi assassinado em seu apartamento. No chamado Massacre do Carandiru, morreram 111 presos. Em 2001, o coronel foi condenado a 632 anos. Defendido pelo advogado criminalista santista e deputado federal Vicente Cascione, Ubiratan Guimarães foi absolvido este ano pelo Tribunal de Justiça, numa decisão inédita na história do Direito brasileiro. Leia mais no Blog do Noblat. Em tempo 2: As capas dos principais jornais do mundo podem ser acessadas no site Newseum .

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Noite de autógrafo em Madrid

O romance O Teatro dos Anjos, do guarujaense Dirceu Cateck, tem lançamento hoje, em Madrid, a partir das 19 horas (14 horas, no Brasil). A cerimônia de autógrafos será realizada na Casa do Brasil.


Às 11 horas (6 h no Brasil), Dirceu Cateck será entrevistado no programa de rádio Movida Brasileña, apresentado pelo músico amazonense Reginaldo Lima. Para ouvir, basta acessar o link http://www.radiocirculo.es/



Na foto acima, Dirceu está próximo do escritor José Saramago, na divulgação do filme Ensaio sobre a Cegueira (A Ciegas, em espanhol), de Fernando Meirelles, baseado no romance do Prêmio Nobel de Literatura de 1998.


(Clique nas imagens para vê-las ampliadas)

O Teatro dos Anjos continua sendo vendido nos seguintes sites:



Leia mais, clicando aqui.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Tarrafa Literária

Lídia Maria de Melo (texto, fotos e vídeos)

(Fotos de Lídia Maria de Melo - clique nelas para vê-las ampliadas)
Teatro Guarany, localizado na Praça dos Andradas, 100, na esquina com a
Rua Amador Bueno, no Centro de Santos.
Ao longo de sua história, o Teatro Guarany, fundado em 1882, testemunhou o talento de personalidades renomadas da dramaturgia, da literatura e até da política. 
Em 20 de junho de 1886, a atriz francesa Sarah Bernhardt interpretou em seu palco a cortesã parisiense Marguerite Gautier na peça A Dama das Camélias, de Alexandre Dumas Filho.
Em 1887, foi a vez do ator italiano Giovani Emanuel mostrar por que era considerado o melhor intérprete de Shakespeare.
Em 1902, a atriz francesa Gabrielle Réjane, tão consagrada quanto Sarah Bernhardt, valorizou o tablado do prédio estilo neoclássico, sempre aberto ao talento artístico.
Em 1907, o público recebeu o escritor e dramaturgo Artur Azevedo (1907), irmão do também escritor Aluísio Azevedo, autor de O Cortiço.
Durante a campanha contra a escravidão dos negros, o Guarany cedeu espaço também para atos abolicionistas, que tiveram a participação, por exemplo, do jornalista José do Patrocínio.
Neste fim de semana prolongado pelos feriados da Independência e de Nossa Senhora do Monte Serrat, Padroeira de Santos, os convidados são escritores, jornalistas, tradutores, ilustradores, historiadores, filósofos e músicos. Além, é claro, do público, que marcou presença em toda a programação da Tarrafa Literária - 1º Encontro Internacional de Escritores de Santos, iniciada na quinta-feira e encerrada hoje.
O Teatro Guarany está localizado na Praça dos Andradas, 100, no Centro Histórico de Santos.








No sábado, o amazonense Milton Hatoun e o pernambucano André Laurentino, mediados pelo santista José Roberto Torero (ao centro), participaram do painel Ficção, A Mentira sem Culpas.




Exemplos de livros de Milton Hatoun: Dois Irmãos (romance) e A Cidade Ilhada (contos). Desse, ele leu um trecho do conto Varandas da Eva.
Além de escritor, ele é professor universitário de Literatura.

Frases de Hatoun:
"Escritor não sofre. Quem sofre é a mulher da periferia de São Paulo, que pega três ônibus para chegar no emprego e chegar às oito".

"A vida é o melhor curso para quem quer ser escritor. A vida vivida sem medo e a vida da leitura".
O primeiro (e único, por enquanto) livro de André Laurentino:
A Paixão de Amâncio Amaro.
Além de escritor, ele é publicitário.Frases de André Laurentino:
"O leitor tem que ser tão poeta quanto o escritor. Para encontrar no texto significados que nem o autor encontrou".

"Quando inventamos personagens, eles precisam fazer sentido dentro daquele universo".

Exemplos de livros e filmes de José Roberto Torero:

O Chalaça, Terra Papagalli e As primeiras histórias de Lelê (livros)

Pequeno Dicionário Amoroso, Amor!, Memórias Póstumas (cinema)

Retrato Falado
(série TV)

Além de escritor, é cineasta, roteirista, jornalista, comentarista esportivo

Frase de Torero: "Por mais que os ficcionistas se esforcem, a realidade é imbatível"


Lourenço Mutarelli e Marcelo Mirisola, mediados por José Luiz Tahan (ao centro), discorreram sobre o tema Mentiras, Culpa da Ficção.

Autor de O Cheiro do Ralo, que deu origem ao filme homônimo em que ele também atuou, de O Natimorto e Jesus Kids, Lourenço Mutarelli autografou A Arte de Produzir Efeito sem Causa. Ainda não comecei a ler, mas, numa rápida folheada, deu para observar que emprega recursos linguísticos das histórias em quadrinhos (HQ), como as frases curtas. Isso garante o ritmo da narrativa. Como desenhista, Mutarelli tem tradição na HQ. Durante sua palestra, mostrou-se um filósofo.

Marcelo Mirisola já publicou: Fátima fez os pés para mostrar na choperia, O herói devolvido, O azul do filho morto, Bangalô, O banquete (com o cartunista Caco Galhardo), Joana a contragosto, Notas da arrebentação, O homem da quitinete de marfim, Proibidão, Animais em extinção.

Manifestou um humor ácido e ironia em relação aos grupos que ele considera que fazem ''pose de escritor''. Declarou-se perseguido e marginalizado pelos organizadores literários. Falou sobre seu bom relacionamento com o pessoal da Editora 34 e o distanciamento da equipe da Editora Record.

E ainda fez uma declaração, com a qual não concordei: ''Nunca vi literatura ajudar ninguém a melhorar de vida''. Quando ele foi para a sessão de autógrafos, disse a ele que discordava de sua opinião. E citei casos em que a literatura fizeram a diferença na vida de pessoas que conheço. Ele rebateu com o argumento de que a literatura de Dostoiévski, por exemplo, faz do leitor um contestador tão ferrenho que ele só pode se prejudicar.



No domingo, o público acompanhou Laurentino Gomes e Jorge Caldeira, mediados pelo jornalista e escritor Zuenir Ventura (ao centro), no debate sobre Jornalistas Além Muros.

Frases:
Laurentino Gomes:
"Pesquisa é uma grande aventura, um trabalho solitário. Não tenho equipe, gosto de fazer sozinho, embora dê mais trabalho" .
Jorge Caldeira: "Pesquisei dez dias para escrever a biografia do Ronaldo. Porque ele nasceu na era da Internet".
Zuenir Ventura: "Pesquisa é muito bom, mas você precisa saber parar na hora".


Na segunda parte, o filósofo alemão Theo Roos e a filósofa Márcia Tiburi, mediados por Mona Dorf (ao centro), participaram do painel Filósofos Além Muros.

Frase de Márcia Tiburi: "Em 30 anos de ditadura no Brasil, a reserva de identidade foram os movimentos culturais".

Frases de Theo Roos: "A música, com diferentes filósofos, tornou-se um meio importante. Por que uma apresentação filosófica não pode ser como um concerto de rock?

"A música afeta o nosso corpo, ultrapassa todas as fronteiras dos idiomas".

As falas de Theo Roos tiveram tradução simultânea. Pensador moderno, que inclui a música em seu trabalho, ele tocou canções de Bob Dylan e Van Morrison com o santista Marcos Canduta.

Veja e ouça, clicando na seta:

A Tarrafa Literária foi aberta oficialmente na quinta-feira com pequeno show de Arnaldo Antunes.
Na sexta-feira, o jornalista e escritor Ruy Castro (autor de A Estrela Solitária, biografia de Garrincha, e O Anjo Pornográfico, entre outros) e Heloísa Seixas, sua mulher, que é tradutora, jornalista, cronista e romancista, falaram sobre Os Livros Dentro dos Livros. A mediação foi do jornalista Ricardo Kotscho. (Quando ainda estudava Letras, eu guardava as reportagens de Kotscho pela beleza de seus textos).

Na sequência, a programação da Tarrafa previa a participação do jornalista e escritor canadense Jeremy Mercer. Mas ele não conseguiu embarcar para o Brasil, porque se esqueceu de providenciar o visto para entrada no país.


Na última hora, a tradutora santista Estela dos Santos Abreu, há 35 anos radicada no Rio de Janeiro, não deixou a Tarrafa cair. Fez uma participação brilhante no encontro, junto com o capista de livros Hélio de Almeida. Foram mediados pela jornalista Patrícia Andrick. Conversei com Estela, no foyer do Guarany, e fiquei encantada com sua vitalidade e paixão pela arte da tradução. Ela, que verte obras do francês para o português, me contou como faz para se sair de situações em que não existe correspondente no idioma de Camões.

Quando traduziu A Ilha da Chuva e do Vento, foi a Guadalupe, ilha francesa no Caribe, para conversar com a autora, Simone Schwarz-Bart. Na obra, ela cita, por exemplo, uma árvore que não existe no Brasil. Uma espécie similar é o jatobá. Em comum acordo com Simone, batizou dessa forma na edição brasileira. ''Por isso, não gosto de traduzir autor morto. Com o vivo, eu pergunto, troco ideias. Com um morto não posso fazer isso'', disse.

Outras situações mencionadas: os nomes de frutas específicas de Guadalupe e ainda os de animais que não existem aqui na América do Sul, como variações de lagartixas.

Por não ter onde anotar o nome da autora e do livro, Estela escreveu no saco de papel da Realejo Livros & Edições, que aboliu às sacolinhas plásticas, em favor do meio ambiente.


Comandanda por José Luiz Tahan, a Realejo promoveu a Tarrafa Literária com apoio do Ministério da Cultura, do Porto de Santos, da Secretaria Especial de Portos, dos Serviços de Praticagem do Estado de São Paulo, do Sistema A Tribuna de Comunicação e da Prefeitura de Santos.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Cores naturais

Fotos de Lídia Maria de Melo (Clique nelas para vê-las ampliadas)


As cores e as fases das estações se marcam nas folhagens e nas flores das árvores que enfeitam e colorem ruas e avenidas de Santos.
O chapéu-de-sol acompanha exato o ciclo. No verão, é frondoso, mas no outono se avermelha, para se pelar no inverno e brotar na primavera.
De novo, quando o tempo quente chega, sua sombra nos acolhe, repetindo os ditames da natureza.



No ipê, encontramos o mais autêntico amarelo. A cor primária, como nas telas de Tomie Ohtake e de Van Gogh.
A quaresmeira nos surpreende com o roxo natural.



As várias nuances de verde se depreendem das árvores tantas que dão guarida a exemplares de uma fauna rica e encantadora.