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quinta-feira, 22 de abril de 2010

Desbravando o oceano

Fotos Lídia Maria de Melo (clique nelas para ampliar)

Já vi como é um cruzeiro marítimo. Enfrentar o medo de navegar foi, sem dúvida, a principal conquista nessa viagem de Páscoa.
Só lamentei partir do Porto de Santos às 18 horas, porque já era noite. Não pude fotografar a cidade a partir do mar.
Em compensação, na Sexta-feira Santa, um presente inesperado. Amanheci no cenário ainda enevoado da Baía de Guanabara. De um lado, Niterói, de outro, a Cidade Maravilhosa. Diante de meus olhos, o Pão de Açúcar.

Assim que os 17 Km da Ponte Rio-Niterói se desenharam na mira de minha máquina fotográfica, lembrei da brincadeira dos cariocas: ''A melhor imagem de Niterói é a vista do Rio de Janeiro''.
Durante o passeio terrestre, depois de transitar pelos armazéns cor-de-rosa que recepcionam no porto carioca os passageiros dos transatlânticos, rumamos para o Pão de Açúcar, passando pelo Centro Velho, Aterro do Flamengo e outros bairros da Zona Sul.
O primeiro bonde nos pôs no alto do Morro da Urca, cheio de macaquinhos.

No segundo, alcançamos o morro mundialmente conhecido. Um dos mais belos cartões-postais do Rio.
Na sequência, circulamos pelas praias famosas, Copacabana, Ipanema, Leblon, Botafogo... A Lagoa Rodrigo de Freitas não poderia estar mais bela, com canoístas e gente caminhando, correndo, brincando pela calçada em volta.
Chegamos a Cosme Velho e o Cristo Redentor nos esperava no Corcovado. Cruzamos a Floresta da Tijuca em um trem. O sol estava a pino. Um dia iluminado que nos permitiu avistar o Joquey Clube, o Aeroporto Santos Dumont, o Maracanã, Maracanãzinho, o porto, asas deltas, tantas e tantas paisagens tão belas, que eu não sabia como parar de disparar minha máquina digital.

A única pena foi o Cristo estar oculto por andaimes. Uma reforma necessária, para que o revestimento de pedra-sabão não desabe.
Levaria tempo para relatar todas as descobertas que fiz no Rio. Mas de duas não vou me esquecer: o Eike Batista comprou o Hotel Glória, onde já fiquei hospedada, e está reformando.
O megamilionário é também responsável financeiro pelo projeto de despoluição das águas da Lagoa Rodrigo de Freitas.
Gastaria outro tempo para discorrer ainda sobre as descobertas no cruzeiro. Algumas merecem citação.
Dentro do navio Grand Celebration, a cada instante, uma paisagem, uma surpresa, um balanço, uma canção, um espetáculo de canto e dança, um quitute saboroso, uma comida apetitosa, um piano, um jogo, uma brincadeira, uma diversão e até oração. Gente subindo e descendo, dançando de branco, brincando, sorrindo, tripulantes de toda parte do mundo.

O idioma mais falado era o espanhol. Em segundo lugar, vinha o inglês; em terceiro, o portunhol; em quarto, o português.
FOTO DE LÚCIA MARIA DE MELLO
Em Ilha Grande, Angra dos Reis, a experiência de ficar fundeado distante da praia e ter de tomar uma lancha para alcançar a praia. O mesmo se repetiu no terceiro dia, em Ilhabela.
Nessas duas ancoragens, além dos prazeres, o reforço de um aprendizado. As pessoas não costumam se preocupar com a própria segurança.
No navio, antes de zarparmos do Porto de Santos, todos os passageiros foram obrigados a participar de um treinamento, vestindo salva-vidas e ouvindo orientações sobre sinais de alerta e de perigo.
Nos momentos de ir de barco até terra firme, no entanto, ninguém se lembrou de exigir os salva-vidas. Ninguém é uma maneira de dizer. Eu me lembrei e exigi do condutor de bochechas rosadas e aparência de russo, que só se comunicava em inglês. ''Can I have a life jacket, please?'', solicitei.
Ele abriu um compartimento na proa do barco e me cedeu três, conforme a quantia que requisitei. Mas percebi que o pedido foi considerado estranho.
Na manhã seguinte, na ida a Ilhabela, a situação se repetiu. O barco balançava a ponto de dar medo não apenas em mim. Mesmo assim, ninguém, além de mim, se atreveu a pedir o salva-vidas. Nesse dia, a tripulação era composta pelo russo e por dois indianos, que trajavam os coletes. Por que será que os passageiros também não estavam com o equipamento de segurança e tampouco exigiram?
O barco era separado em duas partes. Os coletes ficavam na proa. Se houvesse um naufrágio, não haveria tempo de todos vestirem.
Será que sempre é preciso ocorrer uma tragédia, para só então as pessoas cobrarem providências? Mas aí será tarde. Quando saio de casa, não espero que haja um acidente e as responsabilidades sejam apuradas. Desejo que haja prevenção e os acidentes não ocorram. E, se ocorrerem, minha segurança e a dos meus estejam garantidas.
Mas ser consciente de nossos direitos e prevenir acidentes nos faz passar por chatos ou aves de mau agouro.
Se não fosse por esse episódio, tudo mereceria a nota máxima.
A chegada ao Porto de Santos estava prevista para as 6 horas da segunda-feira pós-Páscoa. E a previsão se cumpriu. O dia ainda não tinha raiado completamente.
Mas as três horas que antecederam essa chegada causaram medo. Despertei com o balanço do navio. O mar estava agitado. Bastante. Fui à janela da cabine. Podia ver as marolas e a espuma borbulhante. Ao longe, as luzes de uma cidade. Pelo horário, supus que fosse Bertioga ou Guarujá.
Quando passou do Farol da Moela, o Grand Celebration parou. Os motores foram acelerados, para fazer força contra a correnteza. Acho que era preciso esperar uma ordem para entrar no porto. Um outro navio estava mais adiante. Eu avistava no mar uma boia iluminada que serve de referência para as embarcações e fica exatamente na direção de meu prédio.
Estava muito escuro ainda, mas eu sabia em que posição ele se encontrava. Durante o dia e à noite, eu vejo navios passarem por aquela sinalização que, no escuro, pisca sem parar.
Finalmente quando ele seguiu, o relógio já apontava 5h30. Logo mais seria servido o café da manhã. Resolvi subir para o deck 10 e acalmar minha ansiedade. Meu medo de tanto balanço.
Mal entrei no restaurante, ouvi um barulho de louças caindo. Nem mesmo elas suportaram o chacoalhar da maré e foram da mesa ao chão. Houve nova onda de medo. Mas logo tudo voltou ao normal.
Depois da refeição, retornamos à cabine e ficamos à espera do chamado para desembarcar.
Por volta das 8h30, estávamos em terra e sob uma chuva considerável. Como não havia lugar no terminal de passageiros, o Grand Celebration aportou no Armazém 32. Subimos em um ônibus que parou com a porta na direção exata de uma poça-d´água. Pegamos nossas bagagens no terminal e nos deparamos com uma fila desorganizada e longa que se dividia em duas ou três. Não demorou para algumas pessoas se desentenderem com os fura-filas que queriam pegar táxi na frente de quem aguardava.
Fiquei com vontade de fazer um novo cruzeiro. Mas, desta vez, durante o horário de verão, assim, a saída de Santos será à luz do dia.
À tarde, fui trabalhar, com o corpo ainda balançando, como se ainda estivesse no mar.
À noite, acompanhei a chuva que começou a cair sobre o Rio. Na manhã seguinte, as notícias davam a extensão da tragédia. Fiquei imensamente triste. Não conseguia me conformar que aquela cidade que eu acabara de visitar estivesse toda destruída. Depois, foi a vez de Niterói. E a tristeza se completou.
Somente agora consegui baixar minhas fotos da máquina fotográfica. Ainda não havia tido coragem de descarregar, em solidariedade aos cariocas e fluminenses.

5 comentários:

Patrícia Fagueiro disse...

Amei as fotos e fico feliz por vôcê ter feito tantas descobertas e ter vencido o medo de navegar. Afinal, a vida é isso: muitas vezes vencemos nossos medos para descobrir coisas novas e até nos descobrirmos, não? Amei o sagui! Será um sagui? Ou um miquinho? Juro que zoologia não é a minha praia.
beijos

Lidia Maria de Melo disse...

São saguis mesmo, Patrícia.
Fizemos cerca de 500 fotos da viagem. Fui com minha família e mais duas amigas. Já conhecia o Rio de muitas outras viagens, mas é sempre bom voltar.
Beijo e obrigada pela visita.

César Miranda disse...

Melhor do que ir ao Rio pela primeira vez, é voltar lá. E pelo mar então deve ser uma benção.

Como os aviões quando vão pousar no Galeão, devia tocar Samba do Avião toda vez que um navio atracasse naquela terra boa.
Um beijo.
César

Lidia Maria de Melo disse...

É verdade, César. Voltar de navio foi uma bênção.

iracema forte caingang disse...

Oi querida! Viajar de navio é muito bom,fiz uma viaje de navio cargueiro de papel higiênico do RJ para Manaus e senti muito medo.
Tudo de bom BEIJÃO