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sábado, 21 de setembro de 2013

No Dia da Árvore, uma justa homenagem ao
chapéu-de-sol, com fotografias e um hino

O verde mais claro e mais brilhante é o da folha do chapéu-de-sol
Foto: Lídia Maria de Melo
Lídia Maria de Melo 
(texto e fotos)

 Já escrevi sobre árvores floridas, sobre flores que vingam no terraço de meu apartamento, sobre o jardim da praia, sobre os passarinhos que vêm visitar as floreiras de meu jardim suspenso, principalmente quando a cidreira dá flor, sobre árvores que tombaram pela força de um vendaval...
Hoje, quero homenagear a aniversariante do dia. A árvore. Todas! Mas, em particular, uma que fez parte de minha infância e está por todo canto, aqui na Baixada Santista. Falo do chapéu-de-sol, também conhecido como pé-de-cuca, ou de amêndoas. Seu nome científico é Terminalia catappa.
Escolhi o chapéu-de-sol, porque ultimamente percebo que o pessoal mais jovem não conhece essa árvore frondosa e responsável por bons espaços de sombra nas áreas urbanas.
Quando eu era criança, havia uma bem na frente de nossa casa.
A molecada costumava atirar pedras para derrubar a fruta que ela dava, a cuca. Por fora, essa fruta é verde. Por dentro, ela tem uma polpa branca ou vermelha, além de um caroço, que, ao ser quebrado, nos revela a amêndoa.
Uma vez, não sei como, uma de minhas irmãs, a mais velha, subiu no nosso chapéu-de-sol, que não era dos mais robustos. O galho em que ela se sentou não suportou o peso, embora ela fosse bem magrinha. O resultado foi uma queda. Ela não chegou a se machucar, porque a folhagem do próprio galho lhe serviu de proteção. Foi como se ela tivesse voado nas "asas" de uma árvore.
A lembrança do tombo de minha irmã (falecida na adolescência) me fez compor, há muitos anos, uma música em homenagem ao chapéu-de-sol.
A cor da folhagem marca as estações do ano.
Foto: Lídia Maria de Melo
Ao longo do ano, essa árvore marca bem a mudança das estações. Suas folhas brotam miúdas e verdes, bem brilhantes, na primavera.
Durante o verão, elas alcançam o apogeu, grandes, com o tom do verde mais musgo. No outono, começam a amarelar e depois ficam vermelhas. Nessa fase, elas caem e deixam o chão recoberto de folhagem.
No inverno, a árvore se desnuda e dá para ver galho por galho, sem uma folha sequer. Todos espetados ao tronco alto. Quando o tempo gira e chega uma nova primavera, os brotinhos de folhas brilhantes ressurgem um a um, como pontinhos verdes de esperança a nos mostrar que a vida sempre recomeça.
Há anos moro em apartamento, mas não consigo viver sem árvores, sem plantas, sem flores.
Neste momento em que escrevo, lembrei-me de que, na escola em que eu e minhas imãs estudamos o antigo curso primário (Grupo Escolar do Sindicato dos Operários Portuários), recitávamos poesias e cantávamos no pátio em homenagem ao Dia da Árvore.
Havia uma música cuja letra só sei parcialmente. Mas pesquisei na internet e encontrei inteira no blog Árvores de Portugal. Não posso afirmar que está totalmente correta, mas o trecho de que me recordo faz parte dela.
O blog informa ainda que o autor é Arnaldo Barreto. Então, fica aqui a minha homenagem ao Dia da Árvore e ao compositor.

Cavemos a terra, plantemos nossa árvore,
Que amiga e bondosa ela aqui nos será!
Um dia, ao voltarmos pedindo-lhe abrigo,
ou flores, ou frutos, ou sombras dará!

O céu generoso nos regue esta planta;
o Sol de dezembro lhe dê seu calor;
a terra, que é boa, lhe firme as raízes
e tenham as folhas frescuras e verdor!

Plantemos nossa árvore, que a árvore amiga
seus ramos frondosos aqui abrirá,
Um dia, ao voltarmos, em busca de flores,
com as flores, bons frutos e sombra dará

O céu generoso nos regue esta planta;
o Sol de dezembro lhe dê seu calor;
a terra, que é boa, lhe firme as raízes
e tenham as folhas frescuras e verdor!