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domingo, 30 de abril de 2017

Atentado da extrema direita no Riocentro completa 36 anos hoje

Lídia Maria de Melo

Anúncio do show ilustrado por Ziraldo
Hoje, por volta das 21 horas, completam-se 36 anos do Atentado do Riocentro, pavilhão localizado na Barra da Tijuca, na cidade do Rio de Janeiro.
Naquela noite de 30 de abril de 1981, realizava-se um show de música popular brasileira para 10 mil pessoas, em comemoração ao Dia do Trabalho, que transcorreria no dia seguinte, 1.º de maio.
Cerca de 30 cantores participavam da festa. Elba Ramalho cantava quando a bomba explodiu em um Puma, do lado de fora
O Brasil ainda vivia uma ditadura militar, mas já se encaminhava para um processo de abertura política. A Lei de Anistia havia sido assinada em agosto de 1979, o bipartidarismo já havia chegado ao fim e a sociedade se organizava em torno da retomada da eleição para presidente da República. A extrema direita não se conformava com a possibilidade de redemocratização do país. Assim, organizava atentados para atribuí-los à esquerda. Dessa maneira, justificaria um retrocesso e a permanência dos militares no poder.
A ação só não obteve êxito, porque algo saiu errado. A bomba que deveria matar as pessoas que estavam no Riocentro explodiu dentro de um automóvel Puma, no colo do sargento do Exército Guilherme Pereira do Rosário, de 35 anos, conhecido como "agente Wagner", do DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informação - Centro de Operações de Defesa Interna), órgão subordinado ao Exército.
O sargento morreu na hora, com o corpo destroçado. Seu companheiro de ação, o capitão Wilson Luís Chaves Machado, de 33 anos, alocado no mesmo destacamento, ficou gravemente ferido, com as vísceras de fora.
Bomba explodiu antes, dentro do Puma 
No bolso da calça do sargento havia uma lista com nomes verdadeiros de civis e militares de extrema direita envolvidos com torturas e espionagem.
Anos depois, veio a público a informação de que, dentro do pavilhão, dez dos 14 portões estavam fechados, o que impediria a saída das pessoas, caso uma bomba explodisse lá dentro. Também havia sido programada uma explosão no setor de energia elétrica, para deixar o Riocentro às escuras.


Deputado insinua que agentes do Exército eram os responsáveis
ATENTADOS QUE SÉRGIO MACACO EVITOU
Durante a ditadura militar, a extrema direita realizou outros atentados com o intuito de incriminar a esquerda e justificar ações contra seus integrantes.
Em 1968, um desses atos não foi realizado graças ao capitão paraquedista Sérgio Ribeiro Miranda de Carvalho, conhecido como Sérgio Macaco. Alocado no esquadrão Para-Sar, unidade aeroterrestre de salvamento da Força Aérea Brasileira, Sérgio Macaco recebeu ordens do brigadeiro João Paulo Burnier, chefe de gabinete do Ministério da Aeronáutica, para colocar bombas em locais estratégicos no Rio de Janeiro, como Loja Sears, Citibank e embaixada norte-americana. Enquanto ele e sua equipe socorreriam as vítimas de helicóptero, outras bombas deveriam ser acionadas por controle remoto na Represa de Ribeirão das Lajes, para acabar com a água, e no Gasômetro, em São Cristóvão. Esses atos deveriam ser atribuídos aos integrantes de organizações de esquerda, que eram chamados de "subversivos".
O capitão Sérgio Macaco não acatou as ordens de Burnier e ainda denunciou-o. Apesar de as denúncias terem chegado ao presidente da República de então, Arthur da Costa e Silva, Burnier foi absolvido e Sérgio Macaco, transferido para Recife (PE). Pouco tempo depois, foi cassado e expulso da Aeronáutica. Somente anos e anos depois, teve seu nome reabilitado.
OUTRAS AÇÕES DA DIREITA
Ainda em 1968, integrantes do Comando de Caça aos Comunistas (CCC) invadiram o Teatro Ruth Escobar, em São Paulo, e espancaram o elenco da peça Roda Viva, de Chico Buarque, que estava sendo encenada.
No Rio de Janeiro, o Teatro Opinião foi destruído pelo CCC com bombas e coquetéis molotov.
Em 1976, uma bomba explodiu parte do sétimo andar do prédio da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). No mesmo dia, outro artefato foi lançado na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), no Rio. No mês seguinte, Dom Adriano Hipólito, bispo de Nova Iguaçu, foi sequestrado e torturado.
Em 1980, bancas de jornais foram incendiadas em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, porque vendiam jornais alternativos.
Em 27 de agosto de 1980, como parte da Operação Cristal, uma carta-bomba destinada ao presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Eduardo Seabra Fagundes, matou na hora a secretária Lyda Monteiro da Silva. O funcionário José Ramiro dos Santos também ficou ferido no atentado.
No mesmo dia, outras duas cartas-bombas foram entregues e detonadas no Rio de Janeiro. Uma, no gabinete do vereador Antônio Carlos de Carvalho (PMDB), deixando seis pessoas feridas, e outra, na sede do jornal Tribuna da Imprensa.
Os autores dos atentados de 1980 envolveram-se no do Riocentro, meses depois, mas nunca foram punidos.
HOMENAGEM
A mesa de dona Lyda Monteiro da Silva, com as marcas da bomba, está exposta no Memorial da OAB, em Brasília. O nome dela foi dado ao Museu Histórico da entidade.

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