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domingo, 15 de julho de 2012

Gabriel García Márquez, a solidão
de um escritor sem memória


Gabriel García Márquez, 19 de março de 2009
Foto: divulgação/Festival Internacional
de Cine em Guadalajara (México)
Tinha 22 anos, em 1980, quando li Cem Anos de Solidão, do colombiano Gabriel Garcia Márquez, Prêmio Nobel de Literatura de 1982. Precisei desenhar a árvore genealógica dos personagens, para não me perder na labiríntica saga que se passa em Macondo, "uma aldeia de vinte casas de barro e taquara, construídas à margem de um rio de águas diáfanas que se precipitavam por um leito de pedras polidas, brancas e enormes como ovos pré-históricos", como o autor descreve o vilarejo no início da narrativa.
O desenho da árvore me foi necessário, porque, na família fundada por José Arcádio Buendía e Úrsula Iguarán, os nomes dos personagens vão se repetindo a cada geração. Um deles caiu no meu agrado. Amaranta. Tanto que planejava batizar assim uma filha que um dia eu viesse a ter.
O livro é um marco na literatura latino-americana e mundial. Quem o lê não consegue esquecer o enredo e seus personagens.
Três anos depois, em 1983, assisti ao filme Erêndira, dirigido por Ruy Guerra e baseado no livro A Incrível e Triste História de Cândida Eréndira e sua Avó Desalmada.
A protagonista foi interpretada por Cláudia Ohana, que contracenou com a grega Irene Papas, no papel da avó megera. Não muito tempo após ter visto o filme, resolvi ler o livro, para comparar os textos. Guerra levou para a tela exatamente o que Gabo escrevera.
Em 1985, foi lançado O Amor nos Tempos do Cólera. Li algum tempo depois. Em 2007, assisti ao filme homônimo, com Fernanda Montenegro e o espanhol Javier Bardem.
A obra de Gabo é extensa, mas devo ter lido somente mais um ou dois outros títulos. Mergulhei de fato em sua obra-prima.
Por mais críticas que alguns façam ao realismo fantástico e por mais que as novas gerações de escritores latino-americanos reneguem o gênero que consagrou esse filho de Aracataca, bastava que ele tivesse escrito Cem Anos de Solidão. Ainda assim, seu nome figuraria para sempre entre os dos grandes mestres da literatura.
Em março, Gabriel Garcia Márquez completou 85 anos. Há pouco mais de uma semana, seu irmão, Jaime Garcia Márquez, anunciou que a memória de Gabo está se apagando, por crueldade de uma demência senil. Por isso, não pode escrever mais. Seu  último livro foi Memórias de Minhas Putas Tristes, escrito e lançado em 2004.
A notícia entristeceu o mundo literário. Para um escritor e jornalista, perder a memória é o mesmo que se tornar um vivo morto ou um morto vivo, como queiram.
Para nós, seus leitores, Gabo deixa um presente: um legado que Cem de Anos de Solidão ofuscou. Talvez seja a hora de redescobrir sua obra, de ultrapassar as alquimias e as fantasias que Macondo nos proporcionou.

3 comentários:

Nando disse...

Por acaso tu ainda tem essa árvore genealógica? Já li duas vezes e ainda me perco.

Lidia Maria de Melo disse...

Nando, eu não tenho mais. Li aos 22anos. Tenho 54. Ou seja, foi há 32 anos. Mesmo assim, eu poderia ter, porque algumas coisas eu guardo em pastas. Mas essa árvore eu não vejo há muito tempo. Então não creio que tenha. De todo modo, andei pesqisando e vi que na Wikipédia há dois gráficos. Um é a árvore. Veja: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cem_Anos_de_Solid%C3%A3o

Nando disse...

Vou ter que ler de novo. Decorei até o primeiro parágrafo, aliás é o único de toda literatura que sei de cor. Mas essa família...

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