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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Diário de bordo (*)

            Lídia Maria de Melo
                          (*) poema de um tempo
                                        um tanto quanto distante
A preguiça própria de agosto
me leva a considerar
que alguma coisa invisível
une os mortos a seus vivos.
Os jornais não têm notícias,
o mês se arrasta comprido
sem feriados, vulcões ou queda de aeronaves
sobre os pelados chapéus-de-sol.
A verruga cancerígena
do presidente do planeta
consome o grama maior da ação do dia
e a raiva ainda ameaça a fidelidade de nossos cães.
Independentemente da aids,
o mundo cambaleia sem tesão ou filosofia,
anulando corpos e metas.
Na exata hora da tarde,
as explosões das pedreiras
põem dezenas de aves em revoada de espanto,
enquanto estrelas supernovas e cadentes
escapam da dimensão de meus olhos,
permitindo a fluência de minha ignorância:
_ Como respiram as árvores
no período de queda das folhas?

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