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sábado, 1 de maio de 2010

Consumidor e cliente nunca têm razão.
Não é isso o que estabelece a lei

A propaganda diz: ''Pirataria é crime''. Sempre comprei DVDs e CDs originais, mantendo o respeito à lei de direitos autorais.
No final de janeiro, adquiri o DVD do filme Em Minha Terra (In My Country), com Juliette Binoche e Samuel L. Jackson, produzido pela Sony Pictures Classics. Já havia assistido em outra ocasião, por isso não abri a embalagem imediatamente.
Em meados de março, decidi rever Em Minha Terra, para relembrar o processo de implantação da Comissão da Verdade e Conciliação, que apurou crimes cometidos durante o apartheid sul-africano. Esse regime segregou negros e brancos de 1948 a 1990 e seria tema de algumas de minhas aulas no curso de Jornalismo da Universidade Santa Cecília, já que a África do Sul sediará neste ano a Copa do Mundo de Futebol.
Para minha surpresa, o DVD não funcionou. Quando o inseri no compartimento de CD/DVD de meu computador, não houve sinal, como se nenhuma mídia tivesse sido introduzida. Testei no DVD Player. A situação se repetiu.
Enviei um e-mail à Americanas.com, já que fiz a aquisição nesse site. Recebi a informação de que a troca não poderia ser efetuada porque havia transcorrido o prazo de sete dias.
Mandei outro e-mail contestando e solicitando orientação sobre a quem deveria recorrer. A resposta foi: ao fabricante, a Sony.
Enviei e-mail à Sony. Recebi a resposta de que a Americanas.com era a responsável pela troca. Novo e-mail, a mesma resposta. Então, procurei telefones da Sony. Foi uma epopeia. Pelo site, não há como encontrar números e a Sony é subdividida e várias outras, cada qual com uma especialidade. Não há como saber.
Após vasta busca pelo Google, localizei um representante na Baixada Santista. Liguei e ele foi bastante solícito. Mas explicou que somente atendia a empresas. Deu-me, mesmo assim, um número. Telefonei e fui transferida para um ramal. Somente uma secretária eletrônica atendeu. Deixei recado. Dois dias depois, um telefonema com um pedido de desculpas. A troca apenas seria possível se fosse para empresas. A venda ao consumidor era de responsabilidade da Americanas.com.
Decidi que iria ao Procon, mas me informei e percebi que o meu prazo seria de três meses após a compra. Por falta de tempo de ir logo ao órgão de defesa do consumidor, fiquei sem ter a quem recorrer e sem o DVD.
Na verdade, estou com o DVD aqui a meu lado, com embalagem oficial, nota fiscal de R$ 29,19 (R$ 24,90 de compra e R$ 4,29 de frete), mas sem utilidade.
Para dar minha aula, assisti a um outro filme sobre o apartheid e a Comissão da Verdade e Conciliação: Sombras do Passado (Red Dust), com Hilary Swank e Chiwetel Ejiofor. Também vi Um Grito de Liberdade (Cry Freedom), com Denzel Washington, que interpreta Steven Biko, um ativista negro morto pelo regime após sessões de tortura. Ambos, uma aula da história sul-africana.
Em relação ao defeito no DVD Em Minha Terra, ainda me sinto uma verdadeira bola de pingue-pongue ou tênis. Tanto faz. O movimento é o mesmo. Fui lançada de um lado para o outro e abandonada pelos jogadores (Americanas.com e Sony Pictures Classics).
Algumas pessoas que ouviram minha história já ponderaram: ''Em um camelô, você seria atendida com mais eficiência''.
Eu perdi R$ 24,90 e ainda gastei telefonemas interurbanos, sem contar o tempo e a falta de consideração das duas empresas.
Pirataria é crime, e eu concordo com isso. Mas deixar de trocar um produto com defeito de fábrica é o quê?
Mais desrespeito
Não bastasse essa penitência, outro dia fui a um ortopedista para examinar meu tendão de Aquiles esquerdo. O médico pediu uma ultrassonografia. Disse que o exame era simples e rápido. Não era. Demorei para encontrar um especialista que o realizasse e tivesse espaço na agenda. Consegui para mais de um mês depois.
Quando o tal dia do exame chegou, caiu um dilúvio na Cidade no momento em que saí de casa rumo à clínica. O trânsito ficou lento por falta de visibilidade e pelo alagamento de algumas ruas. Até que tive sorte para estacionar o carro.
Na clínica, era visível a superlotação.
A recepcionista verificou meus dados e pediu-me para aguardar. Após uns minutos, chamou-me ao balcão e me informou que o médico não poderia me atender porque eu estava atrasada 20 minutos. Eu teria que agendar novo dia e horário. Agradeci, mas recusei.
''Sempre que vou a um médico, espero no mínimo uma hora para ser atendida. Agora, chego 20 minutos depois do horário e ele não quer me atender. Muito obrigada, mas não quero remarcar a consulta. Se ele está trabalhando, também estou. Se ele é profissional, eu também sou. Duvido que, se eu tivesse chegado às 14 horas, ele teria me atendido exatamente a essa hora'', protestei.
A recepcionista fez tudo para que outro médico realizasse o exame. Mas todos os que estavam habilitados já haviam ido embora.
Deixei a clínica decidida a nunca mais retornar.
Enviei um e-mail posterior, mas até hoje não obtive resposta. Faz quase um mês.
Consegui uma outra médica que me atendeu com rapidez e aprontou o laudo. Retornei a meu médico e aqui estou com o pé doendo. Como o tratamento demorou para ser iniciado, a inflamação do tendão, provocada por uma semirruptura, piorou. Estou fazendo fisioterapia, tomando anti-inflamatório e colocando compressa de gelo.
Os sintomas ainda persistem, assim como minha indignação com o tal médico, as Americanas.com e a Sony Pictures Classics.
Em tempo:
O que diz a lei sobre compra pela internet ou não, segundo a Serasa e o Procon:
''Os fornecedores são responsáveis pela qualidade ou quantidade dos produtos que se tornem impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam, ou que lhes diminuam o valor, assim como por aqueles em que haja disparidade entre a indicação constante do recipiente, da embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária. O Código de Defesa do Consumidor estabelece o direito de reclamar em 30 dias para produtos não-duráveis e 90 dias para produtos duráveis, a partir de sua entrega efetiva ou do término da execução dos serviços. O fornecedor, quando comunicado do problema no produto, deverá solucioná-lo no prazo de 30 dias. Não sendo o vício sanado no prazo legal, poderá o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha: a substituição do produto por outro da mesma espécie, em perfeitas condições de uso; a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos; ou o abatimento proporcional do preço. Caso não consiga resolver amigavelmente, recorra ao órgão de proteção do consumidor ou ao Poder Judiciário. Nas causas que envolvem valores de até 40 salários mínimos, você pode procurar o Juizado Especial Cível (antigo Juizado de Pequenas Causas)''. (http://www.serasaexperian.com.br/guiainternet/63.htm)

2 comentários:

Patrícia Fagueiro disse...

Nunca mais você vai guardar um DVD após adquirí-lo né? Que chateação!
Com relação ao médico, concordo plenamente com você. Eu teria feito o mesmo. Não remarcaria. Sempre que eu me sinto desrespeitada por alguém, perco completamente a consideração. Certa vez, em uma loja de calçados, o vendedor me informou que a bota que eu escolhera não estav disponível no meu número, mas que havia outra similar, com o mesmo preço. Pois bem, acreditei e aceitei o outro produto. Quando ele me deu a nota para eu pagar no caixa, verifiquei que a bota era mais cara que a anteriormente escolhida. A diferença não era muito grande, mas pelo desrespeito e por ele ter mentido pra mim, desisti da compra e ele ficou sem comissão.

Eunice Bemfica disse...

Oi, Lídia! Não, eu não vou dizer "eu não disse?" Os camelôs têm apenas a credibilidade a oferecer- embora pratiquem a pirataria, que é crime, concordo. Mas eu nunca fiquei com um filme que não roda ou um CD que não toca, nas tantas vezes em que recorri a esses contraventores. E meus aparelhos nunca deram problema. Sou cúmplice, claro. Mas cada vez vejo menos motivos para optar por um caminho legal quando o assunto é comprar CDs e DVDs. Eu assumo que vou ao camelô. As novas gerações, nem isso fazem: baixam os arquivos da Iternet! Boa sorte!

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