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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Poeta ou prosadora? O que me disse Loyola

(Texto que publiquei no meu antigo blog do Bol em 12 de setembro de 2008).

Outro dia, um amigo me perguntou se eu me sentia mais poeta ou mais prosadora. Não respondi de imediato e ele avisou que não aceitava resposta evasiva. Queria uma definição. Mas não é tão simples assim. Faço prosa, faço verso. O momento é que impõe o rumo do meu traçado. E a poesia pode se infiltrar mesmo num texto em prosa.
(Clique na foto para ampliar)
Em 1989, nos dias 3, 4, 10 e 11 de outubro, participei de uma oficina literária ministrada pelo escritor Ignácio de Loyola Brandão. Saía do jornal e ia direto para o Sesc, que já funcionava na Aparecida. (Para quem não sabe, antes da inauguração da sede atual, o Sesc/Santos funcionava na Avenida Conselheiro Nébias, 309, junto com o Senac. Foi lá que aprendi a tocar violão com Paulo Sérgio Damasceno, que faleceu em 1996).
Loyola só trabalhou com a elaboração de textos em prosa, naturalmente. Eu aproveitei bastante a experiência, mas não produzi nenhum material de valor. Preciso estar sozinha, ou espiritualmente isolada, para criar um texto literário. Aproveitei para mostrar a ele os originais do meu, na época, futuro livro ''Raul Soares, Um Navio Tatuado em Nós'', que seria lançado em 1995. Ele levou para casa e, na semana seguinte, fez bom comentário. Depois, dei a ele uns poemas meus. A oficina chegou ao fim, mas ele não comentou.
Um ano depois, isto é, em 13 de outubro de 1990, ele me enviou um comentário pelos Correios, junto com os meus poemas. Até me surpreendi. Disse o seguinte, num papel timbrado da editora Global: ''Lídia, você já devia estar desanimada pensando: perdi meus poemas. E aqui estão. Não sei analisar poesia. Só posso te dizer: gosto, não gosto. Pelo que me toca. Gosto: ''Falando em Mim'', ''Entrega'', ''Filho de Um Estupro'', ''Destino'', ''Mosaico''. Me passaram sensações, comoveram, mexeram. Acho que você é mais poeta que prosadora. Beijo amigo, Loyola. 13.10.90''. (Veja reprodução - Clique nela para ampliar)
A carta está guardada no mesmo envelope grande e branco, com o logotipo vermelho da livraria Ghignone, de Curitiba e Londrina. A opinião dele mostra como não é possível responder à pergunta de meu amigo, sem pestanejar. Naquela época, eu já tinha escrito um livro em prosa, que ainda era inédito e incluía alguns poemas, como o citado ''Filho de Um Estupro''. Os poemas também fluíam com mais naturalidade e inspiração.
Tempos depois, além de publicar o ''Raul Soares'', recebi prêmios por contos. Atualmente, escrevo mais contos e finalizo um romance, mas a poesia rodeia sempre.
Ou seja, me considero uma escritora (ainda pouco conhecida), mas uma escritora, que tem, parafraseando Cecília Meireles, ''fases como a lua''.
Antes, em um mesmo concurso, fiquei em primeiro lugar na categoria conto e na de poesia. Sou isto, isso, aquilo e mais um pouco, depende da maré.

3 comentários:

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Oi, Lídia. Sinto em você um talento latente em ambas as formas. Na dúvida, e para completo proveito de seus leitores, cultive as duas! Um beijo.

Eunice Bemfica disse...

Isso mesmo: cultive as duas! Sorte nossa!E sorte sua, por viver nestes tempos de modernidade, em que blogs ajudam a divulgar os talentos (raros) enquanto não chega a consagração nas livrarias.

Paulo Mota disse...

Este seu texto fez-me lembrar uma coisa:em 1980 escrevi meu primeiro conto, Argônio.Não sei por que, inscrevi-o em um concurso literário, promovido pela editora Escrita, da Capital.Fui um dos selecionados para uma antologia, que se chamou Dez contos sobre o trabalho. Faziam parte do juri: Roniwalter Jabotá ( jornalista e escritor), Ricardo Ramos, contista ( o filho do Graciliano) e o Ignacio de Loyola Brandão, de quem eu era e sou fã de carteirinha. O fato do Loyola ter sido um dos apreciadores de meu texto foi que levou-me a começar a escrever contos, a partir de então, não parando até agora.