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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Deslizes que alimentam a série "Errar é humano, mas tem gente que é humana demais"

Quando eu era editora de jornal diário, costumava brincar com meus repórteres dizendo: "Errar é humano, mas tem gente que é humana demais". Com a frase, eu queria dizer que alguém cometera um erro muito primário, ou repetira à exaustão, mesmo depois de inúmeras correções e explicações.
No último dia 25 de janeiro, lendo em um jornal impresso uma matéria sobre cuidados com os pés, eu me assustei: antisséptico estava escrito com "c" no lugar dos dois "ss", liso aparecia com "z" e rosé (que se lê rosê, mas recebe acento agudo, porque é francês) estava com acento grave. Diante daqueles absurdos cometidos por uma jornalista, eu exclamei, irritada: "Ah, dicionário existe para ser consultado!"
Na sequência, eu me lembrei da minha frase para situações como essas.  Dei risada.
Nos dias seguintes, deparei-me com outras pérolas do mesmo naipe. Então, resolvi criar a série "Errar é humano, mas tem gente que é humana demais!" (Faço questão de explicitar que a frase foi criada por mim e a série também, para evitar que algum aventureiro lance mão dela sem o devido crédito. Usar, tudo bem! Desde que cite a fonte.)
Um pastel, dois pastéis, mas tons pastel
(Autor: BuenosAiresPhotographer,
licenciado pelo Creative Commons)
A segunda etapa de equívocos apareceu em programas de uma emissora de TV. Em uma reportagem sobre lugares exóticos de países da América do Sul, veiculada em 26 de janeiro, ao definir a cor de uma paisagem do deserto, a jornalista usou "pastel" no plural. O correto é "tons pastel" (no singular), porque o segundo elemento ("pastel") é um substantivo que indica cor. O mesmo ocorre com "raios ultravioleta" (porque violeta é substantivo).
No dia 27, o programa de entretenimento que vai ao ar nas tardes de sábado na mesma emissora, abreviou "horas" erroneamente com "hs", para indicar a passagem de tempo no quadro com o padre Fábio de Mello. O plural de "horas" é somente "h", sem s.
Ontem, 5 de fevereiro, quem escorregou nas regras da norma culta foi o programa de televisão que relembra a vida profissional de artistas no início das tardes. A repórter entrevistou uma conhecida atriz e enfatizou que a personagem dela, uma baronesa, gosta de vestir roupas em tons "pastéis". 
A língua é dinâmica e está em constante alteração. Pode ser que algum dia, se todo mundo empregar dessa maneira, a gramática seja obrigada a mudar a regra. Por enquanto, a norma culta estabelece que "pastel" só vai para o plural se for o substantivo que designa o petisco: "um pastel", "dois pastéis". Referindo-se à cor, usa-se no singular: "tons pastel". 
Quer ver a reportagem e ouvir o plural inadequado? Clique aqui.

O que dizem os gramáticos?
Segundo as gramáticas de  Celso Cunha, Luiz Antônio Sacconi, Pasquale Cipro Neto e Rocha Lima, quando  o nome de uma cor é um substantivo (nomes de flores, frutas, pedras preciosas e outros), ele não varia. Exemplos: tons pastel, olhos turquesa, laços rosa, fitas laranja, papéis marfim, raios ultravioleta.

Porém, se a cor é designada por um adjetivo, prevalece a norma geral de concordância em gênero e número: tons acinzentados, olhos verdes, laços vermelhos, papéis amarelados, raios infravermelhos.

Os adjetivos compostos por uma cor e um substantivo não são flexionados: dentes amarelo-ouro, camisas verde-garrafa, blusas azul-piscina.







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