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sábado, 4 de agosto de 2012

O drama de ter um familiar esquizofrênico.
O que fazer em um momento de crise?

A sexta-feira, 3, dia de Santa Lídia, não foi de proteção para a família de André Canônico, integrante da banda de forró Falamansa. O irmão do músico, Mauro Canônico, de 37 anos e portador de esquizofrenia, matou a mãe, Ana Sudária Canônico, de 59 anos, com um golpe no pescoço.
A tragédia me trouxe à mente o artigo "Uma lei errada", do poeta Ferreira Gullar, publicado na Folha de S. Paulo, em 12 de abril de 2009, e a entrevista que ele concedeu à revista Época de 29 de maio de 2009.
O desabafo do poeta contra a lei da reforma psiquiátrica (nº 10.216/2001), de autoria do deputado Paulo Delgado e que impede a internação de doentes mentais em manicômios, causou polêmica entre profissionais que lidam com pacientes portadores dessa doença e defendem o tratamento domiciliar em vez do manicomial.
Em 2009, a TV Globo exibia a novela Caminho das Índias, de Glória Perez, que apresentava dois personagens esquizofrênicos: Tarso Cadore (vivido por Bruno Gagliasso) e Ademir (interpretado por Sidney Santiago). Por isso, o tema estava mais em voga entre a população em geral.
Ferreira Gullar, no entanto, não abordou o assunto por causa da novela. Mas porque teve sua vida e a de sua família afetadas pela doença. Ele é pai de dois esquizofrênicos. Um deles, falecido há 20 anos. O outro, que ainda enfrenta crises recorrentes.
A reportagem publicada na Época traz também o relato de uma mãe que insistentemente tentou internar a filha de 15 anos no Hospital das Clínicas, por orientação da médica dela. As tentativas foram vãs. Não havia vagas. Um dia, a menina conseguiu pôr fim à vida.
Os comentários à matéria publicada no site da revista expõem dramas diários de pessoas que convivem com portadores da doença. Alguns criticam quem faz as leis, afirmando que os autores não conhecem suficientemente essa realidade. Outros argumentam que não basta se pautar por teorias contra os manicômios, como as importadas de Bolonha, na Itália.
Eles defendem a implantação de um sistema eficiente de atendimento. Assim, o paciente mental terá assistência médica necessária quando estiver em crise, porque nem sempre a família é capaz de lidar com essa situação ou impedir que ele atente contra a própria vida ou a de outra pessoa.
Também em 2009, Alessandro Aleixo, considerado esquizofrênico, agrediu o designer Henrique de Carvalho Pereira, de 22 anos, com taco de golfe dentro de uma livraria na Avenida Paulista, em São Paulo. Após dez meses em coma, o rapaz morreu.
Ontem de manhã, a mãe de Mauro Canônico telefonou para o ex-marido, dizendo que temia a agressividade excessiva do filho. Às 14 horas, o pai do rapaz chegou à casa deles. Era tarde. A ex-mulher já estava morta.
O que é preciso fazer para evitar uma situação dessas?
*Leia matérias citadas acima nos seguintes links:
Irmão de músico do Falamansa mata a mãe;
Artigo de Ferreira Gullar publicado na Folha;
Entrevista de Ferreira Gullar à Época link1;
Ferreira Gullar - revista Época link2;
Mãe tenta em vão internar a filha link3;
Caminho das Índias - esquizofrenia;
Homem agride rapaz em livraria;

5 comentários:

Eunice Bemfica disse...

Oi, Lídia! Tenho uma amiga de infância que começou a apresentar alterações de comportamento cada vez mais sérios. Acabei cortando relações com ela, mas soube que,em um surto,ela agrediu a irmã mais velha e teve que ser sedada e internada por três meses até que pudesse voltar ao convívio social. Diagnóstico: esquizofrenia. A família mora em São Paulo e tem parentes na área da saúde, o que deve ter facilitado o atendimento da minha conhecida. Lamentável saber que para os outros pacientes a realidade é bem mais dura!

Lidia Maria de Melo disse...

Comentários postados no Facebook:
Dirceu Cateck: Minha querida, adorei ter lido o teu blog, pois fez com que eu prestasse mais atenção sobre esse assunto. Confesso que ignorava totalmente a situação dos esquizofrênicos no Brasil. É um assunto extremamente delicado e gostei muito da maneira como você o abordou. Grande beijo!5/8/2012.
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Bruno Rios: Minha mãe é esquizofrênica, padeci 5 anos até conseguir dar um jeito na situação e ela precisou ficar 33 dias internada em um Naps para começar a apresentar melhora. Hoje ela está ótima. Não acho que o doente precise de uma internação full time, mas sim de uma rede pública eficiente para atender com rapidez casos de surto (isso é uma piada hj no Brasil e eu mesmo deixei de internar minha mãe algumas vezes por falta de psiquiatras na rede santista) e leitos para estes casos mais graves. é preciso parar de se apoiar na orientação de não termos mais manicômios. ela virou muleta pra falta de leitos nos casos mais extremos. 5/8/2012.
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Sena Siqueira: Lídia, obrigada pela matéria. Tenho um sobrinho esquizofrênico e hoje, exatamente hoje, o pai está desesperado procurando um lugar pra internar o filho em Brasília. Estava em Fortaleza, mas lá não conseguiu internação para o filho em surto psicótico, ameaçando a vida da mãe. Chegou ontem a BSB e estamos tentando uma internação para o jovem de 27 anos que, quando está com a doença sob controle, é amoroso e gentil com todos, adora animais e cuida deles com todo carinho. O que fazer? Já tentei até falar com o Ministro da Saúde, mas a assessoria não permitiu e me mandou procurar outros setores, que vão reenviando, jogando de um lado para outro, sem solução. É um horror! 5/8/2012.
....
Rosilene Flud:
Tive um parente com esquizofrenia, hoje falecido, mas que também sofreu muito por falta de um hospital público para tratamento de doentes mentais. Essa pessoa, que prefiro não citar o nome, esteve até internada no Hospital Anchieta, poster
iormente interditado. Santos carece, urgentemente, de um hospital destinado a essas pessoas, os Naps não são suficientes para casos como o de esquizofrenia. Um local adequado para tratamento de pessoas portadoras de doenças mentais é uma reivindicação antiga da população e de autoridades comprometidas e dedicadas ao assunto. Uma pena que muito se discute sobre o assunto, mas nada é feito. Só quem tem alguém próximo com situações semelhantes sabe como é realmente a situação: faltam leitos, atendimento cirúrgico, odontológico, além de pessoal treinado para lidar com os doentes. E por aí vai.

Anônimo disse...

Tenho um irmão esquizofrênico que só falta derrubar a casa quando tem surtos. O maldito fica agressivo e começa a chutar e socar a parede. Bem que podia explodir os ossos das mãos do maldito. Pra mim, meu irmão morreu a mais de dez anos, só resta uma carcaça que se manifesta como um animal. Gostaria que ele morresse logo, são meus votos para 2014, mas infelizmente esse Deus vagabundo não fará esse favor.
Fico sem acreditar como apenas uma pessoa pode desestruturar toda uma família, o lugar desse desgraçado era no hospício. Injusto pessoas normais pagarem por um único atormentado mental.

Anônimo disse...

Ola...
a 4 meses minha irmã esquizofrenica matou minha mãe... nunca conseguimos interna-la...pois a junta médica que a acompanhava consideravam ela um risco zero.
O seu tratamento deveria ser em casa.
Infelizmente minha mãe e minha irmã virou apenas estatistica..
quantas mortes ainda virão..

Anônimo disse...

😢😢😢😢Sem palavras e sim, muito sofrimento. É difícil demais.