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segunda-feira, 30 de julho de 2012

Um poema de Mário Quintana

                       









DEPOIS
Só porque vai deixando tudo para depois
é que Deus é eterno
e o mundo imperfeito.
A carta que foi interrompida
o poema que ficou inconcluso
a palavra que apenas sorriste
e não disseste...
é a vida!
Ah, se o mundo fosse perfeito
a gente morria de tédio
como numa utopia
unicamente povoada de estátuas gregas
_ antes estas nossas entidades equestres
porque sempre se fica pensando
nalguma coisa melhor.
Se o céu que me prometiam as minhas
velhas tias paroquianas fosse aquele mesmo
_ um domingo eterno _
antes o inferno, antes o inferno!
A verdade é que não quero sossego
também na outra vida.
Mas eu estava falando era nesta:
desconfio
que estou fazendo um poema em espiral!
O melhor é ir pingando logo aqui
estes três pontinhos...
estes três pontinhos...
O resto é um eterno depois.
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P.S.: O poema "Depois" foi publicado 
em 25 de junho de 1978, no Folhetim, p. 2,
então suplemento do jornal Folha de S. Paulo.
Quintana nasceu em 30 de julho de 1906, em
Alegrete (RS), e morreu em Porto Alegre, no dia 5
de maio de 1994. Se estivesse vivo, completaria
hoje 106 anos.

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