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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Anunciada a libertação de Sakineh Ashtiani, iraniana condenada ao apedrejamento

Infelizmente a notícia da libertação não foi confirmada. Quando escrevi o texto abaixo, ontem (9.12.2010), a comunidade mundial comemorava. Nesta sexta-feira (10.12.2010), no entanto, o Irã desmentiu a informação.
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O mundo estava atento e não se calou. Graças à manifestação de gente de todos os cantos do planeta, a iraniana Sakineh Mohammadie Ashtiani foi libertada.
A Comissão Internacional contra a Pena de Morte e o Apedrejamento fez o anúncio hoje na Alemanha e agradeceu a pressão exercida pela comunidade internacional e por líderes de vários países, principalmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente eleita, Dilma Rousseff.  
Inicialmente, Sakineh foi condenada ao apedrejamento, por adultério. Ela teria confessado o crime após ser submetida ao castigo de 99 chibatadas. O advogado dela foi tão perseguido que precisou se exilar. Ao tentar defendê-la, seu filho também foi perseguido e preso.
Quando começaram as mobilizações pela libertação de Sakineh, Lula se esquivou de interceder junto ao presidente Mahmoud Ahmadinejad, alegando que não poderia interferir em questões internas de outros países. Mas o clamor popular falou mais alto e ele apelou ao iraniano.
Hoje, a notícia provocou nova reação da comunidade internacional. Mas, desta vez, todos comemoraram,como se pode ver no site de relacionamentos Twitter.
Assim que soube do anúncio, lembrei-me de um trecho de conhecido poema de John Donne: ''A morte de um único homem me diminui, porque eu pertenço à humanidade''. A libertação de Sakineh me deixou feliz, porque não é possível que nos dias atuais mulheres ainda sejam submetidas às humilhações impostas por leis retrógradas, que não lhes dão condições de defesa.
Em 2001, a nigeriana Safiya Hussaini Tugar Tudu passou por situação semelhante. Sua história está relatada no livro Eu, Safiya _ A História da Nigeriana que Sensibilizou o Mundo, escrito pelo jornalista italiano Raffaele Masto, especializado em reportagens sobre a África.
Safiya nasceu na aldeia Tungar Tudu, na Nigéria, e foi condenada a morrer por apedrejamento, com base na lei islâmica denominada Sharia, por ter tido uma filha sem ser casada.
Ela já havia passado por quatro casamentos. Três deles terminados em repúdio, ou seja, fora rejeitada pelos maridos, a pior humilhação para uma mulher islâmica. Somente em um, pedira o divórcio.
Mãe de seis filhos, dois deles mortos por catapora, ela vivia na casa dos pais com uma filha, já que as outras três crianças estavam sob a guarda dos pais. Tinha 34 anos quando foi seduzida por um primo distante, que não assumiu sua sétima gravidez e a renegou publicamente. Resultado, foi denunciada pelo próprio irmão e condenada à morte por apedrejamento em 2001.
O caso de Safiya ganhou o mundo e tornou-se uma batalha política. Ela acabou salva a um passo da morte.
O livro é narrado em primeira pessoa e traz detalhes dos costumes islâmicos, principalmente no que se refere às mulheres, num mundo marcado pela aridez e as peculiaridades da savana.
Uma história fascinante de bravura e coragem.

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