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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Preconceito escancarado após a eleição

Comemoração em Brasília - 31 de outubro de 2010
Foto de Marcello Casal Jr/ABr

A eleição presidencial deste ano escancarou uma mazela nefasta e perigosa: o preconceito contra a Região Nordeste do Brasil.
Mesmo não sendo novidade a existência dessa discriminação, isso me chocou.
Nas duas campanhas anteriores e durante todo o mandato do presidente Lula, o preconceito era dirigido a ele. Sistematicamente, ouviam-se piadas e comentários sobre seu modo de falar, supostamente, recheado de erros de Português. Em seus  pronunciamentos ou  entrevistas, jamais observei os tais erros grosseiros que atribuíam a ele. Ao contrário. Verdadeiras aberrações linguísticas costumam aparecer em jornais ou na fala de profissionais com nível superior de escolaridade. 
Ainda assim, o presidente teve seu mandato aprovado por mais de 85% da população, obteve o respeito da comunidade internacional, colocou o País em um patamar nunca alcançado, conseguiu tirar da situação de miséria milhares de brasileiros.
Quando Dilma Rousseff tornou-se a candidata à Presidência da República, os adjetivos ''nordestina'' e ''analfabeta'', crivados de sentido pejorativo, não puderam ser relacionados a ela, já que a então ministra era nascida em Minas Gerais e educada nos melhores colégios de Belo Horizonte, além de portar diploma de Economista emitido pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Seus opositores, no entanto, não se intimidaram. Tascaram-lhe a pecha de ''guerrilheira'', passando por cima de todo o contexto histórico dos anos em que o Brasil viveu em uma ditadura.
Terminada a votação e proclamado o resultado das urnas, a maior parte da população entendeu que o sentido da palavra ''guerrilheira'', atribuído à eleita, não era tão negativo assim. Era o de alguém que lutou contra um regime ditatorial, imposto à força e regado pelo sangue de brasileiros.
Assim, o que restou foi responsabilizar uma região do País pela eleição da candidata sucessora do metalúrgico nordestino que ousou subir a rampa do Palácio do Planalto e ocupar, com sucesso, o principal cargo da República por duas vezes.
Escritas pelos inconformados que não zelam pela democracia e pelos que não respeitam os resultados das urnas, aberrações começaram a circular pela internet contra a população da Região Nordeste. Os nordestinos reagiram. A expressão #orgulhonordestino (rashtag, na linguagem do Twitter)  ficou em primeiro lugar nos trending topics (TT).
Apesar de saber que tudo isso já existia, eu pasmei.  
Lula e Dilma festejam a vitória -Brasília, 31.10.2010
Foto de Ricardo Stuckert/Presidência da República
O Brasil é um único país. A nova presidente foi eleita com o voto de toda a Nação. E, apenas para esclarecer, mesmo que os números do Norte e Nordeste fossem divididos igualmente para Dilma Rousseff e José Serra e somados aos que eles obtiveram nas demais regiões, ela ainda assim ganharia com uma vantagem de 275 mil votos. O mesmo resultado seria obtido se os votos de Norte e Nordeste não fossem computados (veja quadro abaixo).
Historicamente, não faz tanto tempo assim, o nazismo tatuou o horror pelo mundo durante a segunda grande guerra (1939 a 1945).
De 1861 a 1865, a guerra de secessão dividiu os Estados Unidos em dois.
Os brasileiros não precisam desse tipo de experiência.
Levamos anos para conquistar uma democracia, precisamos aprender a valorizá-la.
Podemos ser mais felizes. Com respeito e sensatez.
(quadro reprodução do G1)
Mesmo sem Norte e Nordeste, Dilma fica à frente de Serra
Leia o primeiro pronunciamento da presidente eleita Dilma Rousseff aqui

4 comentários:

Eugênio Martins Jr disse...

Mais uma vez me intrometo. Esperamos que Dilma seja boa presidenta do país não por ser mulher, apesar de isso representar muito para o Brasil, mas por ser a mais competente. Quanto ao preconceito de classe, no Brasil, ele sempre existiu. Acredito que após termos tido um presidente nordestino, uma mulher, um negro e um homosexual, as coisas ficarão mais suaves.

Nando disse...

Como neonordestino, agradeço a defesa dos meus. Mas isto não impedirá o acerto de contas que farei no fim de ano, quando chegar aí. O massacre da peixeira elétrica...

Lidia Maria de Melo disse...

Só você, Nando, é capaz de me fazer rir deste jeito e deste assunto! Saudade de você e de seu humor ferino!

Beth disse...

"Para a formação do espírito nacional, a arte pode concorrer mais do que a própria história"
(Fernando de Azevedo)

Sem fazer caso de todas provocações
político-sociais a arte continua suplantando o "bairrismo pueril, inadmissível a um povo adulto..." como destacou o cantor Gordurinha que participa do filme "Titio não é Sopa".

O filme uma comédia musical de Eurídes Ramos lançada em 1959 pela Atlantida Cinematográfica aborda as lendas preconceituosas e esteriotipadas... gozações mesmo, que diariamente brasileiros dirigem a brasileiros.

Bairrismo, regionalismo e afins são toleráveis em piadas de bom gosto fora isso, qualquer prenúncio dessa erva daninha, faça-me o favor, tem que ser combatida veemente...

Coisa que a arte já faz há muito tempo, sem precisar necessariamente que as pessoas a compreenda, basta apenas que incorpore a lição de moral.

Em meu blog "DIÁRIO DA MÚSICA", destaco uma das artes que mais me agrada: a música. E garanto aprendo lições incríveis com a vida e obra das pessoas que ali menciono, pelas marcas positivas que deixam registradas pelo mundo.

http://elizabethdiariodamusica.blogspot.com
Cenas do filme "Titio não é Sopa"
http://www.youtube.com/watch?v=tAXsCvrItx4

Elizabeth Nogueira

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