| Foto de Lídia Maria de Melo |
Aos 15, adoeci e, aos 18, quase morri. Minha mãe se empenhou em promessas. Uma delas foi para Nossa Senhora Aparecida.
Fui obrigada a visitar o templo da Padroeira do Brasil, em Aparecida, em 12 de outubro de 1977, e deixar lá um foto de minha formatura da Escola Normal. Participei de uma missa cheia de tropeiros que acenavam chapéus, naquela catedral lotada. Em vez de me concentrar nos agradecimentos por minha vida, fiquei impaciente.
No ano seguinte, uma aluna minha, chamada Wanderleia, trouxe de Aparecida, e me deu de presente, uma imagem da santa. Era de material plástico azul e dourado e em nada lembrava as esculturas estilizadas que hoje são vendidas em lojas especializadas em artigos religiosos.
A imagem era um símbolo kitsch, mas, no instante em que a menina me entregou, tive uma reação física. Um arrepio percorreu meu corpo como se tivesse havido uma conversão. Para os incrédulos, essa descrição beira a pieguice, mas foi o que ocorreu. A partir de então, passei a rezar para Nossa Senhora Aparecida e não mais sentir vergonha de ter fé.
Outros anos se passaram e eu parei de tomar remédios e de sentir os sintomas da doença considerada incurável. Minha mãe tem certeza de que foi milagre de Nossa Senhora. Eu não gosto de afirmar categoricamente, porque parece que estou sendo charlatã e negando outros fatores, como a ação dos remédios e a minha força interior. Mas como a medicina não admite cura, mesmo depois de 17 anos da remissão da doença, sou obrigada a dar razão a minha mãe: acho que fiquei boa por intervenção de Nossa Senhora Aparecida e do Senhor do Bonfim, outro santo a quem ela apelou e pagou promessa.
Hoje, tenho três imagens de Nossa Senhora. A que ganhei de Wanderleia, uma outra que também recebi de presente e ainda uma terceira que comprei (foto). Gosto de tê-las por perto.
Sei que as imagens por si sós não têm significado algum. O que importa é o que elas simbolizam: a minha capacidade de crer em algo que transcende as explicações científicas e lógicas.
A fé em Nossa Senhora e em Deus me permite ter esperança e sentimentos positivos em relação à vida e às pessoas.
Contar esta história é uma forma de compartilhar e disseminar esta devoção.
Até hoje, desconfio de que foi Nossa Senhora que deu um jeito de se aproximar de mim e me fazer acreditar que a fé é capaz mesmo de mover montanhas.


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