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terça-feira, 18 de maio de 2010

O sublime e o belo em A Partida

Muito se comentou sobre o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro deste ano. O favorito era A Fita Branca, roteirizado e dirigido por Michael Haneke. O vencedor, no entanto, foi o argentino El Secreto de Sus Ojos (O Segredo dos Seus Olhos), direção de Juan José Campanella.
Filme belo, de trama inteligente, com narrativa que entrelaça o presente e o passado.
Não é exatamente policial, embora conte uma história que parte de um assassinato e tenha personagens ligados às investigações. Não é romântico, apesar de mostrar duas histórias fortes de amor. É um enredo que enovela ingredientes da vida. Portanto, a paixão, em diversos setores. A paixão como os argentinos sabem expor.
Gostei do que assisti na tarde chuvosa do sábado que antecedeu o Dia das Mães. A luz do cenário impressiona, assim como a fotografia. Mas alguma coisa faltou.
O Segredo dos Seus Olhos é um título extremamente poético e instigante. Todas as pessoas que eu conheço, e que já viram o filme, adoraram e recomendaram. Por que não o considerei a obra-prima que elas me descreveram?
Não sabia. Algo me intrigava.
Uma semana depois, assisti, em casa, ao japonês A Partida (Okuribito, no idioma nativo, e Departures, em inglês), dirigido por Yojiro Takita e ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2009.
Agora, então, eu sei o que faltou em O Segredo de Seus Olhos. A emoção delicada, o sublime, a filosofia presentes em cada cena de A Partida.
O filme argentino explora muito bem a técnica. O japonês apresenta uma narrativa mais linear, mas com todos os ingredientes necessários a uma obra-prima.
Como espectadora, prefiro mais uma boa história que me emocione e me acompanhe além das duas horas de projeção .
A Partida aborda um tema espinhoso do qual quase todo mundo foge: a morte. Mas a abordagem é inusitada e poética. Coloca o público diante de duras situações que podem ocorrer em sua própria vida. Mas o acalanta.
Não vou revelar o enredo. Quem desejar saber detalhes deve assisti-lo. Certamente, não irá se decepcionar. Ao contrário, vai se encantar. Como ocorreu comigo.
Antes da saber de sua premiação, exclamei no final da projeção: ''Esse, sim, merecia um Oscar''. Pois é, não foi gratuitamente que A Partida conquistou o prêmio máximo do cinema.

Um comentário:

Nando disse...

Se ainda ñ viu, recomendo: O Filho da Noiva e Clube da Lua, também de Campanella. Gostei mais deles do q de 'Segredo'.