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sexta-feira, 12 de março de 2010

Assassinato de Glauco e Raoni.
Um cochilo de Deus?

Foto Raphael Falavigna
Ontem à tarde, blasfemei. Para quem tem fé no Criador, fiz uma brincadeira de mau gosto. Disse que às vezes até mesmo Deus erra.
A pergunta de meus interlocutores foi imediata: ''Quando Deus erra?''. Respondi qualquer coisa, mas em minha cabeça surgiu o pensamento: ''Deus erra quando permite que pessoas bacanas morram''.
Hoje de manhã, minha irmã me telefonou para informar que o cartunista Glauco fora assassinado junto com o filho. Fiquei chocada. Glauco tem exatamente a minha idade. É da minha geração. Fazia humor em parceria com Angeli e Laerte. Além de expressar um palavrão, a única coisa que consegui exclamar foi: ''E ele trabalhava com humor!''.
Fiquei imaginando a cena: ele tentando negociar diplomaticamente com os dois bandidos que invadiram sua casa, deram-lhe uma coronhada no rosto e ameaçaram sua filha e sua mulher. Parece que ele teve sucesso nessa negociação. A dupla estava de saída somente com ele, quando o filho, Raoni, chegou da faculdade e se assustou ao ver o pai ferido e sob ameaça de um revólver. Foi defendê-lo. Os bandidos se exaltaram e deram quatro tiros em cada um.
Glauco e Raoni, filho e neto do indianista Orlando Vilas Boas, morreram.
Que tragédia no início da madrugada desta sexta-feira, numa área afastada da violência urbana. Uma região serrana, de chácaras.
Até agora, não há notícias dos bandidos. Já Glauco e Raoni jazem em seus caixões.
Será que, de ontem pra hoje, Deus foi dormir mais cedo e permitiu que dois demônios cruzassem tragicamente o caminho de uma família? É nessas horas que eu acho que ele erra.

Post scriptum: três horas após a publicação deste post, surge nova versão do crime. O assassino conhecia a família. Não era ladrão. Não importa. Estava armado, talvez com intenção de matar. Tomado por sentimento demoníaco. Tinha um parceiro ainda não identificado.

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