Um conhecido meu, depois do divórcio, passou para o nome de um amigo os bens que lhe restaram. Perguntei por quê. Ele explicou que havia construído tudo sozinho e que a mulher tinha ficado com a metade, assim como com a guarda dos filhos.
Desconheço o motivo da separação, mas sei que ele continuou participando da educação das crianças e mantendo-as financeiramente. Mesmo assim, achei estranho aquele comportamento dele. Afinal, a mulher administrava a casa e cuidava dos filhos, enquanto ele ia trabalhar em uma empresa. Ela garantia a estrutura familiar, enquanto ele fazia as conquistas profissionais. Será que isso não conta?
Para mim, havia uma parceria e, portanto, a divisão não me pareceu injusta. Para ele, no entanto, mesmo sem ter dito isso, o suporte que ela lhe dava em casa não se põe na ponta do lápis, não se leva em consideração. Esse tipo de avaliação costuma ocorrer no âmbito profissional.
Em um trabalho de equipe nem todos são reconhecidos. Quando passamos diante de um prédio, podemos ter acesso ao nome do arquiteto que realizou o projeto da obra, assim como do engenheiro que desenvolveu os cálculos e as demais funções necessárias à edificação.
Mas quem se lembra dos pedreiros, carpinteiros, mestres, eletricistas, encanadores, gesseiros, pintores, jardineiros, faxineiros e outros tantos profissionais que literalmente colocaram a mão naquela massa?
O jornalista Tim Lopes, por exemplo, só se tornou conhecido nacional e internacionalmente depois que foi assassinado por traficantes no Rio de Janeiro. O trabalho dele sempre se deu por trás das câmeras, na produção de matérias cuja autoria era atribuída apenas aos repórteres que apareciam no vídeo.
As reportagens, de maneira geral, são frutos do suor de uma equipe. Normalmente, começa numa sugestão, passa pela pauta, pela produção, pela reportagem, pela fotografia, pelo câmera, pelo tratamento da imagem, pela edição, por aqui, por ali...
Essas situações me fazem lembrar de um comercial de televisão (não sei de que produto) em que aparecia uma orquestra tocando e, no final, uma voz em off dizia: ''Numa orquestra, todos somos importantes, do piano ao triângulo''.
Aqui há diversidade: Jornalismo, Literatura (minha e alheia), História (ditadura militar),Língua Portuguesa, Linguística, Saúde (Lúpus), Música, Cinema, Esportes, Santos FC, Cidade de Santos, Porto de Santos, Natureza e mais. Na base de tudo, o pensamento do escritor argentino Ernesto Sábato: ''Na vida, tudo pede paixão''. Quanto a direitos autorais, não reproduza textos, fotos e vídeos sem autorização. Mesmo autorizado, cite meu nome como autora e o blog - Lei 9.610/98.
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segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Do piano ao triângulo. A importância de cada um
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Site de fotografias
Descobri, sem querer, um site por causa de um fotografia que encontrei após uma busca no Google. Queria algo relacionado a letras, palavras, para ilustrar meu post sobre Verbo Defectivo. Encontrei uma que expunha teclas de máquinas de escrever, com profundidade. Em minha pesquisa, apareceu como uma imagem solitária, sem autor. Normalmente, uso no blog fotos que eu mesma faço ou imagens disponibilizadas pela Agência Brasil de Notícias. O material produzido pela equipe pode ser utilizado desde que o crédito do autor e da agência sejam mencionados. Chamaram-me a atenção para a beleza dessa foto das teclas e quiseram saber a autoria. Fui procurar. Encontrei o site Olhares, de Portugal, que só publica fotografias, de vários gêneros e qualidade indiscutível. Tentei contato com o autor, mas precisava me cadastrar. Por falta de tempo, não fiz isso e resolvi remover a foto de meu blog. Afinal, mesmo citando o crédito, não tinha autorização para uso. Acabei descobrindo que o autor é João Pedro Assunção, que tem outras tantas fotografias lindas. O material merece ser conhecido por outras pessoas. Então, decidi deixar aqui o link tanto da foto intitulada Sopa de Letras quanto do site Olhares. Apreciem.
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sábado, 24 de outubro de 2009
Site reúne acervo do Prêmio Vladimir Herzog
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| Foto de Mingo Duarte, clique nela para ampliar |
Fui premiada em 1997, na categoria Literatura, com o conto Bala Perdida.
A busca pode ser feita pelo nome do autor do trabalho premiado (a relação está por ordem alfabética), pelo ano de premiação ou por mídias.
A busca pode ser feita pelo nome do autor do trabalho premiado (a relação está por ordem alfabética), pelo ano de premiação ou por mídias.
Este link http://sites.unisanta.br/faac/espaco/balaperdida.html dá acesso ao meu conto digitalizado no site da Universidade Santa Cecília (Unisanta), porque na época eu leciona lá e houve uma publicação on-line.
O projeto do site do Prêmio Vladimir Herzog foi elaborado pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República e pelo Centro de Informação da ONU para o Brasil em parceria com o Instituto Vladimir Herzog e o Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo.Filho deVladimir Herzog, jornalista assassinado pela ditadura militar em 1975, Ivo Herzog explica que o novo portal tem um importante objetivo de preservar o acervo do prêmio que leva o nome de seu pai.
“Foi feito um trabalho exaustivo de pesquisa e conseguimos os arquivos completos de quase todos os trabalhos. Esse é um registro histórico e uma forma de preservar e democratizar todo o conteúdo já premiado”.
Ele acrescenta que ainda faltam 205 reportagens para serem digitalizadas. “São materiais cujos arquivos se perderam. Portanto, pedimos aos premiados que verifiquem o site e nos ajudem a completá-lo”.
Na segunda-feira, será realizada a cerimônia de premiação dos vencedores deste ano. O repórter-fotográfico Alexsander Ferraz receberá na categoria Fotografia. Ele retratou a dor do pai e do marido de uma jovem mulher, ao constatarem que ela está morta, dentro do próprio carro após ter sido baleada por uma dupla de assaltantes, numa manhã de outubro do ano passado. Ao lado deles, estão policiais militares perplexos.
Alex foi meu aluno na terceira série do Ensino Fundamental no Colégio Don Domênico, em Guarujá, quando era criança e eu, uma professora jovenzinha. Hoje, trabalhamos juntos no mesmo jornal, onde há outro premiado com o Vladimir Herzog, o repórter-fotográfico Adalberto Marques (1981).
Em tempo: os vencedores do prêmio recebem um troféu idelizado pelo artista plástico Elifas Andreato.
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terça-feira, 20 de outubro de 2009
Verbo defectivo - Falir
Sempre gostei mais de Literatura e Teoria da Literatura do que de Gramática. Mas, para estudar Literatura e Teoria da Literatura, no curso de Letras, eu não poderia escapar da Gramática.
Então, por amor à Literatura Brasileira e à Teoria da Literatura, estudei Gramática Normativa, Gramática Histórica, Gramática Descritiva, Latim, Linguística (no tempo em que ainda havia trema), Gramática da Língua Inglesa, Literatura Inglesa e Americana, Literatura Portuguesa e uma infinidade de outras disciplinas, além da Teoria da Literatura e da própria Literatura Brasileira. Sem contar Francês, que conheci na escola e na Aliança Francesa.
Acabei me embrenhando tanto em questões do idioma que me tornei professora de Português (de Gramática e Literatura). Fiz concursos. Três somente nessa área. E fui aprovada em todos. Passei anos dando aulas dessa disciplina. Até que parei.
Hoje, mesmo sendo jornalista, as pessoas recorrem a mim muito mais por causa da Gramática da Língua Portuguesa do que por outras questões.
Todo este preâmbulo para dizer que me consultaram sobre a conjugação do verbo Falir.
Queriam saber como diriam no caso em que a oração levava o verbo Falir para o Presente do Subjuntivo.
Sem mencionar que se trata de um verbo defectivo, expliquei: ''Não tem como dizer isso, usando esse verbo. Ele não é conjugado em todas as pessoas, nem em todos os tempos''.
Verbos defectivos são justamente os que não têm conjugação completa. Eles não são flexionados em todas as formas. É o caso de Falir.
No Modo Indicativo, tempo Presente, ele é conjugado somente na primeira e na segunda pessoa do plural: Nós falimos, Vós falis. No Pretérito Perfeito, conjuga-se completamente: eu fali, tu faliste, ele faliu, nós falimos, vós falistes, eles faliram. No Pretérito Imperfeito, eu falia, tua falias, ele falia, nós falíamos, vós falíeis, eles faliam. No Pretérito Mais-que-perfeito, eu falira, tu faliras, ele falira, nós falíramos, vós falíreis, eles faliram. No Futuro do Presente, eu falirei, tu falirás, ele falirá, nós faliremos, vós falireis, eles falirão. No Futuro do Pretérito, eu faliria, tu falirias, ele faliria, nós faliríamos, vós faliríeis, eles faliriam.
No Modo Subjuntivo, tempo Presente, não há conjugação. No Pretérito Imperfeito do Subjuntivo, (que ou se) eu falisse, tu falisses, ele falisse, nós falíssemos, vós falísseis, eles falissem. No Futuro do Subjuntivo, (se ou quando) eu falir, tu falires, ele falir, nós falirmos, vós falirdes, eles falirem.
No Modo Imperativo, Afirmativo, somente é conjugado na segunda pessoa do plural, fali vós. No negativo, não é conjugado.
Na forma infinitiva pessoal, é igual ao Futuro do Subjuntivo: falir eu, falires tu, falir ele, falirmos nós, falirdes vós, falirem eles.
Nas formas nominais: Gerúndio - falindo; Particípio - falido.
Existem outros tantos verbos defectivos. Em outra hora, poderei escrever mais sobre o assunto.
Então, por amor à Literatura Brasileira e à Teoria da Literatura, estudei Gramática Normativa, Gramática Histórica, Gramática Descritiva, Latim, Linguística (no tempo em que ainda havia trema), Gramática da Língua Inglesa, Literatura Inglesa e Americana, Literatura Portuguesa e uma infinidade de outras disciplinas, além da Teoria da Literatura e da própria Literatura Brasileira. Sem contar Francês, que conheci na escola e na Aliança Francesa.
Acabei me embrenhando tanto em questões do idioma que me tornei professora de Português (de Gramática e Literatura). Fiz concursos. Três somente nessa área. E fui aprovada em todos. Passei anos dando aulas dessa disciplina. Até que parei.
Hoje, mesmo sendo jornalista, as pessoas recorrem a mim muito mais por causa da Gramática da Língua Portuguesa do que por outras questões.
Todo este preâmbulo para dizer que me consultaram sobre a conjugação do verbo Falir.
Queriam saber como diriam no caso em que a oração levava o verbo Falir para o Presente do Subjuntivo.
Sem mencionar que se trata de um verbo defectivo, expliquei: ''Não tem como dizer isso, usando esse verbo. Ele não é conjugado em todas as pessoas, nem em todos os tempos''.
Verbos defectivos são justamente os que não têm conjugação completa. Eles não são flexionados em todas as formas. É o caso de Falir.
No Modo Indicativo, tempo Presente, ele é conjugado somente na primeira e na segunda pessoa do plural: Nós falimos, Vós falis. No Pretérito Perfeito, conjuga-se completamente: eu fali, tu faliste, ele faliu, nós falimos, vós falistes, eles faliram. No Pretérito Imperfeito, eu falia, tua falias, ele falia, nós falíamos, vós falíeis, eles faliam. No Pretérito Mais-que-perfeito, eu falira, tu faliras, ele falira, nós falíramos, vós falíreis, eles faliram. No Futuro do Presente, eu falirei, tu falirás, ele falirá, nós faliremos, vós falireis, eles falirão. No Futuro do Pretérito, eu faliria, tu falirias, ele faliria, nós faliríamos, vós faliríeis, eles faliriam.
No Modo Subjuntivo, tempo Presente, não há conjugação. No Pretérito Imperfeito do Subjuntivo, (que ou se) eu falisse, tu falisses, ele falisse, nós falíssemos, vós falísseis, eles falissem. No Futuro do Subjuntivo, (se ou quando) eu falir, tu falires, ele falir, nós falirmos, vós falirdes, eles falirem.
No Modo Imperativo, Afirmativo, somente é conjugado na segunda pessoa do plural, fali vós. No negativo, não é conjugado.
Na forma infinitiva pessoal, é igual ao Futuro do Subjuntivo: falir eu, falires tu, falir ele, falirmos nós, falirdes vós, falirem eles.
Nas formas nominais: Gerúndio - falindo; Particípio - falido.
Existem outros tantos verbos defectivos. Em outra hora, poderei escrever mais sobre o assunto.
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domingo, 18 de outubro de 2009
Hospedaria dos Imigrantes - Beleza abandonada
Hospedaria dos Imigrantes - Rua Silva Jardim, 95, Vila Mathias, em Santos.
Construído em 1912, o prédio nunca chegou a abrigar imigrantes. Funcionou como armazém de café e de bananas.
Atualmente, pertence à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Precisa ser restaurado antes que suas paredes se transformem de vez em um jardim suspenso, não como o da Babilônia, é claro.
Fiz essa foto em 13h39 do dia 17 de setembro de 2009 (clique nela para vê-la ampliada).
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segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Domingo deu praia e concha no mar
Fotos de Lídia Maria de Melo (clique nas imagens para ampliar)

Domingo deu praia. Fez sol. Mar limpo. Cheio de conchas. Alegria de criança. Rolar na areia e na água. Chutar marola e pular.
Domingo deu praia. Fez sol. Mar limpo. Cheio de conchas. Alegria de criança. Rolar na areia e na água. Chutar marola e pular.
Domingo deu praia e gente cantando, empinando pipa, caminhando na beira d´água, andando no calçadão. Pedalando bicicleta.
Domingo foi dia de tirar o cheiro de mofo, de espantar a umidade, após longa temporada de chuva.
Foi dia de catar conchinha e pôr o pé na areia. E de observar o que já se sabe de cor. A natureza tem seus caprichos de artista. Pinta de madrepérola a parte interna da concha cor-de-rosa e parece usar pincel, com verniz!
Não satisfeita, canela aquela que é branca e exibe o que é o natural furta-cor. Quanta coisa que se redescobre só porque o domingo deu praia. E foi um dia de sol!
sábado, 10 de outubro de 2009
Prioridade em pronto-socorro:
a ficha ou a vida?
Como se distingue a prioridade em um pronto-socorro?
Será que funcionários que trabalham na recepção estão aptos a fazer a triagem dos pacientes?
Essas duas perguntas me ocorreram esta semana, quando precisei procurar um atendimento médico de emergência.
Sou daquelas pessoas que evitam ao máximo passar por um profissional de saúde que não conheço e que não sabe de meu histórico. Normalmente, saio do consultório me sentindo uma idiota.
Tenho a impressão de que o médico não leva a sério minhas queixas. Principalmente quando ouço: ''Isso não é nada. A senhora não tem nada''. Mesmo quando, conhecendo muito bem meu organismo, sei que estou me sentindo mal, porque houve alguma alteração.
Conversando com um colega, ele me disse que sente o mesmo.
O curioso é que constantemente ouvimos das autoridades de saúde que as pessoas com determinados sintomas de doenças específicas devem procurar atendimento médico imediato.
Entre os sintomas estão alguns relacionados ao funcionamento do coração.
Há sinais que não devem ser negligenciados. Nesse caso, não é prudente esperar pelo próprio médico. É preciso procurar um pronto-socorro.
Foi o que fiz na noite de quinta-feira. Estava trabalhando e meu coração começou a dar sinais de que saía do ritmo. A frequência cardíaca se descompassou. Tive a impressão de que ia desfalecer. No início, tentei controlar com respiração espaçada e profunda. Quando percebi que não dava mais e a pressão e a angústia no peito eram excessivas, pedi a um colega para que me levasse ao pronto-socorro de meu plano de saúde.
Chegamos lá em pouco tempo.
Na recepção, peguei uma senha e me dirigi à recepcionista. Ela me informou que eu deveria aguardar minha vez, porque havia uma pessoa na minha frente.
Disse a ela que estava com arritmia cardíaca. Ela me respondeu: ''Aqui é um pronto-socorro. Todos os atendimentos são de emergência''.
Sem desrespeitar a outra pessoa, percebi que ela procurava por um pediatra, porque estava com uma criança no colo. Eu seria atendida por um clínico geral, já que não havia cardiologista. Logo, nós duas poderíamos ser encaminhadas ao mesmo tempo. O problema, para a recepcionista, era a ficha que tinha de preencher. Mas o que é mais importante, a ficha ou a vida?
Não retruquei, mas não arredei o pé do balcão.
Ela então pediu meu cartão do plano e sugeriu que eu fosse entrando. Depois, faria minha ficha. Respondi que não invadiria a ala dos consultórios sem que ela me encaminhasse. Se eu fizesse isso, poderia ser barrada pelo segurança. Ele se encontrava de terno preto e braços cruzados diante da porta que separa o setor de espera do de atendimento. Não precisaria usar de força para me barrar. Bastaria se colocar diante de meu caminho com seus quase dois metros de altura e largura.
Ela levantou-se e pediu a alguém para me encaminhar.
Um outro funcionário me indicou uma cadeira no setor de inalação.
Em poucos segundos, ouvi a voz de um médico dizendo: ''Mas não recebi ficha!''.
Ele chegou até mim e perguntou o que eu tinha. Expliquei em breves palavras e, antes de me auscutar, diagnosticou: ''É arritmia ventricular. Eu também tenho isso. É difícil de se pegar, porque, quando a pessoa chega ao médico, já passou''.
E, ouvindo meus batimentos cardíacos com o estetoscópio, disse: ''Disso a senhora não morre, pode morrer com isso, mas disso, não''.
Apesar do incômodo, tive presença de espírito: ''Não estou pensando em morrer, por isso é que vim aqui''.
Ele riu, assim como a enfermeira que estava a seu lado. E emendou: ''A senhora se aborreceu?''
Depois de minha confirmação, me encaminhou para um eletrocardiograma.
O exame, segundo ele, não acusou nenhuma alteração. O ritmo realmente voltara ao normal. Somente a pressão estava alterada: 14x8. Mesmo assim, ele disse que era normal. Não é!
Voltou a me orientar sobre respiração correta e movimentos de braços (abertos) nesses momentos, para que a arritmia passe. ''Eu tenho isso, mesmo deitado, ou sentado'', reforçou, sem me aconselhar a procurar meu médico pessoal ou tomar qualquer outra medida preventiva.
Meu colega comentou comigo que tinha a impressão de estar no atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS), embora a unidade fosse do setor privado. Eu respondi que, atualmente, é quase a mesma coisa.
Saí de lá sem assinar a tal ficha ''tão importante'' na recepção e sem pegar de volta meu cartão do plano de saúde.
Na volta para meu local de trabalho, paramos em uma farmácia. Decidi comprar uma caixa do remédio que tomo diariamente para controlar a pressão. Nesse momento, é que notei que estava sem o cartão do plano. Retornamos à unidade e uma outra recepcionista se espantou com o fato de eu ter sido atendida sem aquela ficha. ''Eu acabei de preencher agora'', disse. Já tinha se passado pelo menos meia-hora da consulta.
Esse episódio serviu para que eu pudesse ponderar mais uma vez: que orientação tem uma recepcionista para fazer a triagem de pacientes de urgência e emergência?
Em outras ocasiões, já procurei atendimento médico no pronto-socorro do plano de saúde.
Em algumas delas, foi para medir a pressão.
Mas, na última quinta-feira, era meu coração que estava alterado. Será que eu deveria mesmo ter esperado minha vez? Como é que eu iria saber se não estava tendo um enfarte, por exemplo, ou não teria uma parada cardíaca? Meu coração estava alterado, descompassado!
Não são os médicos que costumam nos orientar a procurar atendimento imediato sempre que sentirmos que algo não está bem?
Mas por que preciso me sentir uma idiota quando passo por um dos serviços de saúde oferecidos pelo plano que pago mensalmente?
Essa resposta quem deve dar não sou eu.
Talvez alguma autoridade do setor possa me explicar.
Felizmente, saí bem de lá. Mesmo assim, ainda vou consultar um médico de minha confiança.
E se eu esperasse e tivesse tido algo mais sério?
Talvez minha família ouvisse que eu deveria ter ido procurar logo um atendimento.
Chorar sobre o leite derramado é uma atitude que não reverte o que já ocorreu. O mais inteligente é prevenir.
Mas lidar com a falta de orientação e preparo no setor de saúde não é coisa fácil.
Duro também é ter que brigar pelos próprios direitos, mesmo quando se está em situação debilitada em um pronto-socorro.
E olha que tenho plano de saúde e disponho de informação sobre meus direitos. Imagino o que não sofre quem não tem.
O atendimento de saúde eficiente, digno e sem constrangimentos para todas as pessoas é um dos desafios deste País.
Será que funcionários que trabalham na recepção estão aptos a fazer a triagem dos pacientes?
Essas duas perguntas me ocorreram esta semana, quando precisei procurar um atendimento médico de emergência.
Sou daquelas pessoas que evitam ao máximo passar por um profissional de saúde que não conheço e que não sabe de meu histórico. Normalmente, saio do consultório me sentindo uma idiota.
Tenho a impressão de que o médico não leva a sério minhas queixas. Principalmente quando ouço: ''Isso não é nada. A senhora não tem nada''. Mesmo quando, conhecendo muito bem meu organismo, sei que estou me sentindo mal, porque houve alguma alteração.
Conversando com um colega, ele me disse que sente o mesmo.
O curioso é que constantemente ouvimos das autoridades de saúde que as pessoas com determinados sintomas de doenças específicas devem procurar atendimento médico imediato.
Entre os sintomas estão alguns relacionados ao funcionamento do coração.
Há sinais que não devem ser negligenciados. Nesse caso, não é prudente esperar pelo próprio médico. É preciso procurar um pronto-socorro.
Foi o que fiz na noite de quinta-feira. Estava trabalhando e meu coração começou a dar sinais de que saía do ritmo. A frequência cardíaca se descompassou. Tive a impressão de que ia desfalecer. No início, tentei controlar com respiração espaçada e profunda. Quando percebi que não dava mais e a pressão e a angústia no peito eram excessivas, pedi a um colega para que me levasse ao pronto-socorro de meu plano de saúde.
Chegamos lá em pouco tempo.
Na recepção, peguei uma senha e me dirigi à recepcionista. Ela me informou que eu deveria aguardar minha vez, porque havia uma pessoa na minha frente.
Disse a ela que estava com arritmia cardíaca. Ela me respondeu: ''Aqui é um pronto-socorro. Todos os atendimentos são de emergência''.
Sem desrespeitar a outra pessoa, percebi que ela procurava por um pediatra, porque estava com uma criança no colo. Eu seria atendida por um clínico geral, já que não havia cardiologista. Logo, nós duas poderíamos ser encaminhadas ao mesmo tempo. O problema, para a recepcionista, era a ficha que tinha de preencher. Mas o que é mais importante, a ficha ou a vida?
Não retruquei, mas não arredei o pé do balcão.
Ela então pediu meu cartão do plano e sugeriu que eu fosse entrando. Depois, faria minha ficha. Respondi que não invadiria a ala dos consultórios sem que ela me encaminhasse. Se eu fizesse isso, poderia ser barrada pelo segurança. Ele se encontrava de terno preto e braços cruzados diante da porta que separa o setor de espera do de atendimento. Não precisaria usar de força para me barrar. Bastaria se colocar diante de meu caminho com seus quase dois metros de altura e largura.
Ela levantou-se e pediu a alguém para me encaminhar.
Um outro funcionário me indicou uma cadeira no setor de inalação.
Em poucos segundos, ouvi a voz de um médico dizendo: ''Mas não recebi ficha!''.
Ele chegou até mim e perguntou o que eu tinha. Expliquei em breves palavras e, antes de me auscutar, diagnosticou: ''É arritmia ventricular. Eu também tenho isso. É difícil de se pegar, porque, quando a pessoa chega ao médico, já passou''.
E, ouvindo meus batimentos cardíacos com o estetoscópio, disse: ''Disso a senhora não morre, pode morrer com isso, mas disso, não''.
Apesar do incômodo, tive presença de espírito: ''Não estou pensando em morrer, por isso é que vim aqui''.
Ele riu, assim como a enfermeira que estava a seu lado. E emendou: ''A senhora se aborreceu?''
Depois de minha confirmação, me encaminhou para um eletrocardiograma.
O exame, segundo ele, não acusou nenhuma alteração. O ritmo realmente voltara ao normal. Somente a pressão estava alterada: 14x8. Mesmo assim, ele disse que era normal. Não é!
Voltou a me orientar sobre respiração correta e movimentos de braços (abertos) nesses momentos, para que a arritmia passe. ''Eu tenho isso, mesmo deitado, ou sentado'', reforçou, sem me aconselhar a procurar meu médico pessoal ou tomar qualquer outra medida preventiva.
Meu colega comentou comigo que tinha a impressão de estar no atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS), embora a unidade fosse do setor privado. Eu respondi que, atualmente, é quase a mesma coisa.
Saí de lá sem assinar a tal ficha ''tão importante'' na recepção e sem pegar de volta meu cartão do plano de saúde.
Na volta para meu local de trabalho, paramos em uma farmácia. Decidi comprar uma caixa do remédio que tomo diariamente para controlar a pressão. Nesse momento, é que notei que estava sem o cartão do plano. Retornamos à unidade e uma outra recepcionista se espantou com o fato de eu ter sido atendida sem aquela ficha. ''Eu acabei de preencher agora'', disse. Já tinha se passado pelo menos meia-hora da consulta.
Esse episódio serviu para que eu pudesse ponderar mais uma vez: que orientação tem uma recepcionista para fazer a triagem de pacientes de urgência e emergência?
Em outras ocasiões, já procurei atendimento médico no pronto-socorro do plano de saúde.
Em algumas delas, foi para medir a pressão.
Mas, na última quinta-feira, era meu coração que estava alterado. Será que eu deveria mesmo ter esperado minha vez? Como é que eu iria saber se não estava tendo um enfarte, por exemplo, ou não teria uma parada cardíaca? Meu coração estava alterado, descompassado!
Não são os médicos que costumam nos orientar a procurar atendimento imediato sempre que sentirmos que algo não está bem?
Mas por que preciso me sentir uma idiota quando passo por um dos serviços de saúde oferecidos pelo plano que pago mensalmente?
Essa resposta quem deve dar não sou eu.
Talvez alguma autoridade do setor possa me explicar.
Felizmente, saí bem de lá. Mesmo assim, ainda vou consultar um médico de minha confiança.
E se eu esperasse e tivesse tido algo mais sério?
Talvez minha família ouvisse que eu deveria ter ido procurar logo um atendimento.
Chorar sobre o leite derramado é uma atitude que não reverte o que já ocorreu. O mais inteligente é prevenir.
Mas lidar com a falta de orientação e preparo no setor de saúde não é coisa fácil.
Duro também é ter que brigar pelos próprios direitos, mesmo quando se está em situação debilitada em um pronto-socorro.
E olha que tenho plano de saúde e disponho de informação sobre meus direitos. Imagino o que não sofre quem não tem.
O atendimento de saúde eficiente, digno e sem constrangimentos para todas as pessoas é um dos desafios deste País.
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sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Fábulas
O Dia da Criança se aproxima. Quem não sabe contar histórias ou as clássicas fábulas, pode acessar o site http://www.contandohistoria.com e aprender. As narrativas são ilustradas e musicadas.
Vale a pena.
Vale a pena.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Mercedes Sosa, hasta siempre
Não se faça silêncio.
Mercedes Sosa morreu.
Cantemos as canções que sua voz eternizou.
Eu a vi cantar ao vivo em um show no Clube de Regatas Vasco da Gama, em Santos.
Sentada, com seu tambor, suas roupas coloridas, seu cabelo liso e negro.
Era argentina, mas mais parecia uma índia boliviana.
Aprendi a cantar e tocar no violão Volver a los 17, de Violeta Parra, porque ouvi, na adolescência, Mercedes Sosa interpretar.
Sozinha e com Milton Nascimento.
Depois, ela gravou Años, sozinha e com Fagner.
Dividiu o palco com grandes nomes da música mundial.
Mercedes Sosa. Uma voz eterna. Gracias a la vida!
Saudade!
Mercedes Sosa morreu.
Cantemos as canções que sua voz eternizou.
Eu a vi cantar ao vivo em um show no Clube de Regatas Vasco da Gama, em Santos.
Sentada, com seu tambor, suas roupas coloridas, seu cabelo liso e negro.
Era argentina, mas mais parecia uma índia boliviana.
Aprendi a cantar e tocar no violão Volver a los 17, de Violeta Parra, porque ouvi, na adolescência, Mercedes Sosa interpretar.
Sozinha e com Milton Nascimento.
Depois, ela gravou Años, sozinha e com Fagner.
Dividiu o palco com grandes nomes da música mundial.
Mercedes Sosa. Uma voz eterna. Gracias a la vida!
Saudade!
sábado, 3 de outubro de 2009
Deu Rio!
Deu Rio! E os Jogos Olímpicos de 2016 serão no Rio de Janeiro, aquela cidade que a natureza realmente abençoou.
Assista ao vídeo institucional do Comitê Rio 2016, produzido pelo cineasta Fernando Meirelles, com imagens da cidade, mesclando cultura e esporte.
De Madrid, chegam notícias. Os madrilenhos passaram os últimos dias desdenhando a candidatura do Rio de Janeiro para sediar a Olimpíada de 2016.
Ontem, quando Chicago e Tóquio foram desclassificadas, eles ficaram ainda mais esnobes e arrogantes. Acreditavam que a vitória de Madrid era lógica.
Aqui no Brasil, a mobilização foi maior no Rio de Janeiro, onde os cariocas lotaram a Praia de Copacabana à espera do resultado.
Eu havia saído. Quando pisei em casa, o representante do Comitê Olímpico ia começar a ler o resultado.
Foi muito bom ouvir o nome da Cidade Maravilhosa com aquele sotaque estrangeiro.
Fez bem também ver a delegação brasileira pular de alegria e se abraçar, assim como a explosão de felicidade das pessoas que estavam em Copacabana.
O jeito brasileiro de pôr o coração em seus atos ficou marcado naquele auditório em Copenhagen, na Dinamarca.
A delegação espanhola não se conformou e criticou a escolha. Não soube perder e acabou desrespeitando o Brasil.
O site do jornal El País estampou a manchete: Río de Janeiro gana, Madrid dice adiós al sueño olímpico.
O Brasil terá sete anos para se preparar e dar um tapa com luvas de pelica.
Ouça o Hino Nacional Brasileiro.
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quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Homem não costuma cuidar da saúde
No dia 4 de setembro, publiquei um comentário na seção Papo com Editores, de A Tribuna On-line, sobre o tabu que envolve o exame de próstata, obrigatório aos homens a partir de determinada idade.
A propósito da campanha que o Ministério da Saúde vem desenvolvendo, para alertar a população masculina sobre a necessidade de se cuidar, decidi republicar aqui o texto. Leia mais abaixo.
Antes, assista à propaganda oficial, lançada pelo Ministério da Saúde. Foi elaborada pela equipe da Agência Agnelo Pacheco (Gui Pacheco, Marco Gaspar, Renata Ramos, Ricardo Paoliello e Ronald Andrade, com produção de filme da Like Filmes, sob direção de cena de César Netto).
Exame de próstata, ainda um tabu
Lídia Maria de Melo - Editora-coordenadora Baixada Santista - 04/09/2009
''Quem sabe/ o super-homem/ venha nos restituir a glória/ mudando como um Deus/ o curso da história/ por causa da mulher''.
Os versos da inspirada canção de Gilberto Gil logo me vieram à mente quando me deparei com dados de recente pesquisa da Sociedade Brasileira de Urologia.
Vinte e um por cento dos entrevistados não vão ao urologista porque se consideram super-homens. Isso quer dizer que não se acham vulneráveis a doenças.
O mesmo levantamento revelou mais, como mostra matéria de A Tribuna na edição impressa desta sexta-feira. Metade dos varões que se dispõem a passar pelas mãos de um urologista só faz essa concessão por insistência de suas mulheres e namoradas.
Essas informações levaram os especialistas a concluir que as mulheres têm papel preponderante na saúde masculina. Por isso, campanhas de orientação, como as iniciadas nesta semana pelo Ministério da Saúde, devem incluí-las.
Como representante do universo feminino, tenho uma sugestão: que se inaugure uma cruzada contra as malditas piadas masculinas que envolvem o exame de próstata. Toda vez que ouço uma insinuação entre amigos, colegas de trabalho e homens da família, argumento: ''Por causa dessa brincadeira de mau gosto muitos homens morrem ainda jovens''.
Aparentemente, eles nunca se importam. Mas deveriam. Assim, poderiam evitar doenças sérias e continuar saudáveis e vivos por muito mais tempo.
Talvez sirva de incentivo o fato de 91% dos pacientes que fizeram o exame de próstata terem descoberto o óbvio: o procedimento é muito mais simples do que pensavam.
E então? Será que não vale a pena tentar? Ou é melhor continuar escravo de ideias preconceituosas e alvo de moléstias graves? A escolha é de cada um.
De cada ''super-homem'' que se disponha a mudar ''o curso dessa história''.
A propósito da campanha que o Ministério da Saúde vem desenvolvendo, para alertar a população masculina sobre a necessidade de se cuidar, decidi republicar aqui o texto. Leia mais abaixo.
Antes, assista à propaganda oficial, lançada pelo Ministério da Saúde. Foi elaborada pela equipe da Agência Agnelo Pacheco (Gui Pacheco, Marco Gaspar, Renata Ramos, Ricardo Paoliello e Ronald Andrade, com produção de filme da Like Filmes, sob direção de cena de César Netto).
Exame de próstata, ainda um tabu
Lídia Maria de Melo - Editora-coordenadora Baixada Santista - 04/09/2009
''Quem sabe/ o super-homem/ venha nos restituir a glória/ mudando como um Deus/ o curso da história/ por causa da mulher''.
Os versos da inspirada canção de Gilberto Gil logo me vieram à mente quando me deparei com dados de recente pesquisa da Sociedade Brasileira de Urologia.
Vinte e um por cento dos entrevistados não vão ao urologista porque se consideram super-homens. Isso quer dizer que não se acham vulneráveis a doenças.
O mesmo levantamento revelou mais, como mostra matéria de A Tribuna na edição impressa desta sexta-feira. Metade dos varões que se dispõem a passar pelas mãos de um urologista só faz essa concessão por insistência de suas mulheres e namoradas.
Essas informações levaram os especialistas a concluir que as mulheres têm papel preponderante na saúde masculina. Por isso, campanhas de orientação, como as iniciadas nesta semana pelo Ministério da Saúde, devem incluí-las.
Como representante do universo feminino, tenho uma sugestão: que se inaugure uma cruzada contra as malditas piadas masculinas que envolvem o exame de próstata. Toda vez que ouço uma insinuação entre amigos, colegas de trabalho e homens da família, argumento: ''Por causa dessa brincadeira de mau gosto muitos homens morrem ainda jovens''.
Aparentemente, eles nunca se importam. Mas deveriam. Assim, poderiam evitar doenças sérias e continuar saudáveis e vivos por muito mais tempo.
Talvez sirva de incentivo o fato de 91% dos pacientes que fizeram o exame de próstata terem descoberto o óbvio: o procedimento é muito mais simples do que pensavam.
E então? Será que não vale a pena tentar? Ou é melhor continuar escravo de ideias preconceituosas e alvo de moléstias graves? A escolha é de cada um.
De cada ''super-homem'' que se disponha a mudar ''o curso dessa história''.
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