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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Do piano ao triângulo

Um conhecido meu, depois do divórcio, passou para o nome de um amigo os bens que lhe restaram. Perguntei por quê. Ele explicou que havia construído tudo sozinho e que a mulher tinha ficado com a metade, assim como com a guarda dos filhos.
Desconheço o motivo da separação, mas sei que ele continuou participando da educação das crianças e mantendo-as financeiramente. Mesmo assim, achei estranho aquele comportamento dele. Afinal, a mulher administrava a casa e cuidava dos filhos, enquanto ele ia trabalhar em uma empresa. Ela garantia a estrutura familiar, enquanto ele fazia as conquistas profissionais. Será que isso não conta?
Para mim, havia uma parceria e, portanto, a divisão não me pareceu injusta. Para ele, no entanto, mesmo sem ter dito isso, o suporte que ela lhe dava em casa não se põe na ponta do lápis, não se leva em consideração. Esse tipo de avaliação costuma ocorrer no âmbito profissional.
Em um trabalho de equipe nem todos são reconhecidos. Quando passamos diante de um prédio, podemos ter acesso ao nome do arquiteto que realizou o projeto da obra, assim como do engenheiro que desenvolveu os cálculos e as demais funções necessárias à edificação.
Mas quem se lembra dos pedreiros, carpinteiros, mestres, eletricistas, encanadores, gesseiros, pintores, jardineiros, faxineiros e outros tantos profissionais que literalmente colocaram a mão naquela massa?
O jornalista Tim Lopes, por exemplo, só se tornou conhecido nacional e internacionalmente depois que foi assassinado por traficantes no Rio de Janeiro. O trabalho dele sempre se deu por trás das câmeras, na produção de matérias cuja autoria era atribuída apenas aos repórteres que apareciam no vídeo.
As reportagens, de maneira geral, são frutos do suor de uma equipe. Normalmente, começa numa sugestão, passa pela pauta, pela produção, pela reportagem, pela fotografia, pelo câmera, pelo tratamento da imagem, pela edição, por aqui, por ali...
Essas situações me fazem lembrar de um comercial de televisão (não sei de que produto) em que aparecia uma orquestra tocando e, no final, uma voz em off dizia: ''Numa orquestra, todos somos importantes, do piano ao triângulo''.

3 comentários:

Luiz Gomes Otero disse...

O exemplo da orquestra é emblemático mesmo. O mesmo vale para os chamados esportes coletivos, como basquete, volei ou futebol, onde todos depende do esforço de cada um nas partidas.

Marcia Amazonas disse...

Em pleno Terceiro Milênio, eis que o trabalho doméstico, a dedicação ao lar, à família e aos filhos ainda seguem no imaginário masculino como "coisa de mulher". E se a mulher ainda quiser trabalhar fora, realizar-se profissionalmente, que arque com as consequências dessa dupla jornada. O mundo mudou, a mulher mudou, mas o homem resiste, na sua zona de conforto.

Lidia Maria de Melo disse...

É, minha amiga, e a mulher que se atreve a ir mais longe na profissão... Ah, essa tem que matar um leão por dia, porque eles não perdoam. Mesmo aqueles que parecem mais moderninhos.